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Poemas : 

bengaleiros não são de Bengala e a bengala é dos bengaleiros

 
Tags:  poema dos outros  
 
Permito-me o contraditório.
Valho-me mil
advogados do meu diabo
e, neste núcleo transitório
sou um perfil,
ao fim, ao princípio, ao cabo.

Se o agora não é agora,
só um após,
e o veja, embora cegue,
mas fica, sem se ir embora,
rio sem foz...
O diabo que o carregue!

Sempre e nunca são um, apenas.
Se não há um,
também, no tudo e no nada,
cabe a mim ser meu mecenas.
Ter o jejum
de diabos na minha morada.

Não lembra o diabo isto,
a confusão,
um poder em claro abuso!
Em que me rendo e conquisto
num sim e não
que só eu não acho confuso.

O castigo é solitário.
Eu estou só
e, por vezes, até sozinho.
O preço de ser contrário
é ser um nó
em seu perfeito desalinho...


A minha pátria é a língua portuguesa.
Bernardo Soares
www.poemassagem.blogspot.pt

Saibam que agradeço todos os comentários, de coração...
Por regra não respondo.



 
Autor
Rogério Beça
 
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Enviado por Tópico
boxer
Publicado: 13/06/2018 16:47  Atualizado: 13/06/2018 16:47
Colaborador
Usuário desde: 21/01/2009
Localidade:
Mensagens: 554
 Re: bengaleiros não são de Bengala e a bengala é dos beng...
.
Um momento de amarga diversão e lucidez sobre a realidade paradoxal em que vivemos.
O tempo, as relações, a própria identidade, fogem-nos liquefeitas, como diria Zygmunt Bauman.
Um texto de grande complexidade técnica (na estrutura e no tecido estilístico), mas que se deixa ler como se tivesse nascido espontaneamente.
Parabéns, meu caro, mais um em cheio.