https://www.poetris.com/
 
Poemas : 

Gostaria de ter um Cadillac novo,

 
Gostaria de ter um Cadillac novo,
 





Gostaria de ter um Cadillac novo,
Daqueles verdes vivo ou claro,
Assentos cor de ovo, a casca
Ou da minha pele morena,

Gostaria de ter um Cadillac,
Como outra "gente bem",
Aquele que reproduz
Um trovão quando passa rente,

Sem esforço, plo meu coração
Parado, aquele que não afrouxa,
Como tudo na vida e enfim,
Como toda a gente comum,

Que gostaria de ter um Cadillac
Novo, mas sou cercado de coisas
Incompletas, assim os jardins,
Onde pobre me deito e ouço as rosas,

Sorrir nas pétalas, Dálias do Japão
Sedan Azul na América do sul,
Correr cidades e subúrbios,
Gostaria de ter um Cadillac novo,

E esta intenção de me encontrar suposta,
Esta inquietação de correr cidades de costa
A costa. Tornar parte da paisagem
E do ruído metropolitano, dos rostos humanos,

Esta intenção de me encontrar em tudo,
No ouvido dos vizinhos a falarem alto,
No trânsito do subúrbio, sempre parado,
Ao volante de um Cadillac-de-fazer-vista.




Jorge Santos 08/2018
http://namastibetpoems.blogspot.com




 
Autor
Jorge-Santos
 
Texto
Data
Leituras
366
Favoritos
2
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
23 pontos
3
2
2
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
Namas-tibet
Publicado: 17/08/2018 16:00  Atualizado: 01/09/2018 10:31
Colaborador
Usuário desde: 17/07/2018
Localidade:
Mensagens: 812
 .
.

Enviado por Tópico
Namas-tibet
Publicado: 14/01/2019 11:47  Atualizado: 11/05/2019 17:24
Colaborador
Usuário desde: 17/07/2018
Localidade:
Mensagens: 812
 Re: Gostaria de ter um Cadillac novo,
Open in new window















Escrevo o que ninguém escuta eu dizer
Se me manifesto pela saliva do nariz,
Salvo a caneta perco-me do que digo
Na memória e na forragem do umbigo

A trajectória não tem leme vagão ou rumo
Escrevo "por-bem-dizer" o que conluio
Ser uma tela de superfícies expressando
O que é a face humana manuscrita, não falando

Daqueles que não têm remédio comigo
Os dias grandes não costumam se repetir,
é um facto, cabe a nós situarmos-nos
no melhor lugar e sentar diferente

a cada minuto de dia, na galeria,
na plateia ou no balcão para que
este pareça uma outra peça,
se nos sentirmos prisioneiros no teatro

podemos sempre sair para a praça,
jogar matraquilhos ou assistir da bancada
ao clube da terra, enormes são os dias
que não se repetem,

eu repito-me escrevendo, concluí
que sou um viciado em rotinas pequenas,
pequenos são os meus dias …
Escrevo o que ninguém escuta