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Poemas : 

Como paisagem ao morrer o dia, o voar do ganso...

 
Como paisagem ao morrer o dia, o voar do ganso...
 





Como paisagem ao morrer o dia,
Tudo se esconde em sombra e erva esguia,
Assim parece o tacto e o chão ermo
E falto, que me larga a mão e parte

Na passagem do fim, para o norte fundo,
A chuva não vem longe, vem de través,
Me segredam os dedos, ralos os cabelos
Que penteio, por dentre dez mil deles, redondos

Como a paisagem, o horizonte e a morte
A chuva não vem longe, acredita profundo,
Acredito nos homens que não morrem de vez,
Acredito que o "Homem" não morre hoje,

A Terra está doente, não me embala
E eu sofro pelo mar em volta e em luto,
Pla Terra, pla flora e a chuva não vem,
Nem chora, assim padecem meus olhos doendo,

Doente, eu e tudo, tudo se esconde
Em sombra e erva podre,
Como paisagem ao morrer o dia, o mundo
Enfermo, tal como entre duas espadas

E o punho, a parede de ferro e brasa,
O feno, o funcho, o abrunho, o ouriço...
O voar do ganso mudo.






Jorge Santos 08/2018
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Jorge Santos, aliás Joel Matos,aliás namastibet

 
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Jorge-Santos
 
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Enviado por Tópico
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Publicado: 08/08/2018 16:41  Atualizado: 24/08/2018 18:22
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