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Poemas : 

Tenho sonhado desperto,

 
Tenho sonhado desperto,
 









Tenho sonhado muito,
Tenho sonhado desperto,
Estou cansado de sonhar
Mais que ninguém do mundo
Ou deste perto, desespero,

Resta-me tentar dormir,
Ter todos os sonhos do mundo,
Recordar acordado certos sonhos
É esquecê-los
Porque esquecer é recordar de novo

Depois de ter sonhado tanto,
Tanto tempo acordado
Mais que alguém no mundo
Deste lado, desespero
Tanto mais que ninguém sonha

Sonhos perfeitos dormindo,
Desperto ...







Jorge Santos 08/2018
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namastibet, aliás Joel matos

 
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Namas-tibet
 
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Enviado por Tópico
Namas-tibet
Publicado: 28/08/2018 18:32  Atualizado: 01/09/2018 10:32
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Enviado por Tópico
Namas-tibet
Publicado: 17/06/2019 12:14  Atualizado: 17/06/2019 12:14
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Usuário desde: 17/07/2018
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 Re: Tenho sonhado desperto,


















Bernardo Soares

vida é para nós o que concebemos nela.


A vida é para nós o que concebemos nela. Para o rústico cujo campo próprio lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo. O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida.

Isto não vem a propósito de nada.

Tenho sonhado muito. Estou cansado de ter sonhado, porém não cansado de sonhar. De sonhar ninguém se cansa, porque sonhar é esquecer, e esquecer não pesa e é um sono sem sonhos em que estamos despertos. Em sonhos consegui tudo. Também tenho despertado, mas que importa? Quantos Césares fui! E os gloriosos, que mesquinhos! César, salvo da morte pela generosidade de um pirata, manda crucificar esse pirata logo que, procurando-o bem, o consegue prender. Napoleão, fazendo seu testamento em Santa Helena, deixa um legado a um facínora que tentara assinar a Wellington. Ó grandezas iguais às da alma da vizinha vesga! Ó grandes homens da cozinheira de outro mundo! Quantos Césares fui, e sonho todavia ser.

Quantos Césares fui, mas não dos reais. Fui verdadeiramente imperial enquanto sonhei, e por isso nunca fui nada. Os meus exércitos foram derrotados, mas a derrota foi fofa, e ninguém morreu. Não perdi bandeiras. Não sonhei até ao ponto do exército, onde elas aparecessem ao meu olhar em cujo sonho há esquina. Quantos Césares fui, aqui mesmo, na Rua dos Douradores. E os Césares que fui vivem ainda na minha imaginação; mas os Césares que foram estão mortos, e a Rua dos Douradores, isto é, a Realidade, não os pode conhecer.

Atiro com a caixa de fósforos, que está vazia, para o abismo que a rua é para além do parapeito da minha janela alta sem sacada. Ergo-me na cadeira e escuto. Nitidamente, como se significasse qualquer coisa, a caixa de fósforos vazia soa na rua que [se] me declara deserta. Não há mais som nenhum, salvo os da cidade inteira. Sim, os da cidade dum domingo inteiro — tantos, sem se entenderem, e todos certos.

Quão pouco, no mundo real, forma o suporte das melhores meditações. O ter chegado tarde para almoçar, o terem-se acabado os fósforos, o ter eu atirado, individualmente, a caixa para a rua, mal-disposto por ter comido fora de horas, ser domingo a promessa aérea de um poente mau, o não ser ninguém no mundo, e toda a metafísica.

Mas quantos Césares fui!