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Poemas : 

paterson

 
Tags:  Jarmusch  
 
quantos gémeos há no mundo?
contei três pares no regresso a casa

no caminho observo coisas
converso com desconhecidos
escuto os seus poemas

gosto de poesia
adoro palavras de água

guio o autocarro
e ouço vozes
falam de amor e morte
itália e anarquia
tantos versos nestas vozes
quantos existem nas quedas
de água de paterson

vivo nessa corrente
igual a todas as vidas
de todos os humanos

a namorada que sonha
com cupcakes e country music
o bar onde entram romeu e julieta
e saem abbott e costello
o bulldog que ama poesia
o japonês que ama poesia
e sabe tudo o que há para saber

aha!

quantos gémeos há no mundo?
devia ter-lhe perguntado

não o fiz
e assim ando por aí
a aprender o meu nome

 
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boxer
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Enviado por Tópico
Gyl
Publicado: 12/09/2018 10:48  Atualizado: 12/09/2018 10:48
Membro de honra
Usuário desde: 08/08/2009
Localidade: Brasil
Mensagens: 14659
 Re: paterson
Prosa poética serena, madura, de uma inteligência ímpar que o distância da turba. Minhas reverências, amigo!


Enviado por Tópico
Jmattos
Publicado: 12/09/2018 14:25  Atualizado: 12/09/2018 14:25
Colaborador
Usuário desde: 03/09/2012
Localidade:
Mensagens: 15708
 Re: paterson
Poeta
Queria comentar após assistir o filme! Adorei!
Obrigada pela partilha e sugestão de filme!
Beijos!
Janna


Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 17/09/2018 15:53  Atualizado: 17/09/2018 16:08
Colaborador
Usuário desde: 06/11/2007
Localidade:
Mensagens: 1535
 Re: paterson
Atenção à passagem
dum comboio sem paragem
(na linha número dois)


Por culpa própria tive longe da poesia e de mim durante muito tempo. Digo isto porque, agora, que ando mais em contacto comigo, se fico uma semana longe, estranho. Foram mais de cinco anos.

Mas de vez em quando era apanhado por armadilhas, como esta que os Comboios de Portugal me pregavam, rasteira.
Surgindo uma rima do nada entrava em contacto, inesperado e sorria.
Fui muito de rimas (não as deixei como é constatável), eram, amiúde, o meu suporte.
Uma rima saída do nada lembrava-me de quem tinha sido, no fundo, de quem ainda era, ou sou.

Fazendo uma ligação estranha entre os comboios e os autocarros, e encontrar a poesia em todos os lugares, vim de encontro ao teu poema. Ou num sorriso.

Não bastando o facto de apreciar poesia, ler poesia e a ver em todos os Cantos, cabe-te e ao Paterson a maldição de a inscrever. Digo inscrever com perfeita noção do absurdo, mas parece-me que o verdadeiro poema já vem inscrito no seu autor.
Talvez por isso, por vezes, me sentir uma fraude. Quando a forço e acaba por sair uma bodega (talvez taberna fosse melhor). Daí as rimas como esforço (chegava a abusar) serem-me hoje menos frequentes.

Após ver o trailer, fico com a ideia um pouco mais descritiva do teu poema.
Há um antes e um depois. Não que ache que perde originalidade, quantos livros e filmes já não me inspiraram (com as Metamorfoses de Ovídio escrevi uns tantos).
Dá para ver que te marcou... Óptimo. Vou tentar vê-lo também.

Os gémeos como a falsa noção de duplicação da realidade.
A Itália do renascimento, e a anarquia como liberdade, que o poema consegue (e deve) ser.
O Japão como referência de cultura, organização e resiliência e disciplina.
Inscritos na água não estarão todos os poemas? Quem dera então que estivessem...

Dás-nos é a cacetada habitual com o último verso.
Como não ser a poesia aquela ferramenta que nos ajuda a descobrir o nosso nome?
E já agora, tudo o resto...

Abraço irmão...

(já agora pergunta ao japonês o número do euromilhões)