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Poemas : 

sem título III (“One of this days” at Pompeii)

 
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estuam silêncios
como se a distância excessiva

não passasse
deste curto rumorejar da maré vazante. jamais entenderei

os abruptos a jusante
desiguais
enredados por finas miçangas flutuantes

num inesgotável caos
de vãos queixumes
remorsos
alegrias
angústias. a braço e meio de mar
brilham indefectíveis
reflexos de cometas
e estrelas
esventram escuridões pela antemanhã tardia

enquanto desabito lugares
[nossos]
dos teus olhos à deriva pelo cais. escorregam ocasos
[nestas coisas além coração … corpo … fugas …]

quiçá se a própria solidão das esperas
ou
as orquídeas

destarte sem poesia
perdem fatalmente a cor.


[ambos chegamos a este ponto . tu leitor e eu.
confesso-te que não sei como acabar este texto]

aprisiono imagens
enquanto ouço a fala dos ventos
o gato aprisiona sombras
na umbreira da porta.

[este ou outro final é indiferente
como um dia de cada vez].


(Ricardo Pocinho – O Transversal)


"Floriram por engano as rosas bravas
No inverno:veio o vento desfolha las..."
(Camilo Pessanha)

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Autor
Transversal
 
Texto
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Enviado por Tópico
AntónioFonseca
Publicado: 23/09/2018 16:33  Atualizado: 23/09/2018 16:33
Colaborador
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Mensagens: 612
 Re: sem título III (“One of this days” at Pompeii)
Caro poeta Ricardo Pocinho-O Transversal.
Permita-me o atrevimento para expressar o meu simples comentário em relação ao seu categórico poema, porque fazer poesia é uma arte no capitulo do pensamento e da escrita, sabendo interpretar letras juntando palavras.
Nesta caminhada da vida existem caminhos de sombras de luzes, pelo que é importante que se saiba vitalizar as sombras e aproveitar as luzes.
Na sombra por vezes o amor cerca-nos, seguindo-nos por todo o caminho, mesmo nos variados momentos de solidão, onde o silêncio aparece vindo de uma distância excessiva para preencher as mentes.
E o rio a desaguar no mar, uma orquídea vitalizando o ar
E as miçangas vão flutuando, entre as alegrias e tristezas
Neste planeta de estrelas e cometas.

Um abraço com saúde e paz.

António Fonseca

Enviado por Tópico
Jmattos
Publicado: 24/09/2018 21:54  Atualizado: 24/09/2018 21:54
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 Re: sem título III (“One of this days” at Pompeii)
Poeta

[ambos chegamos a este ponto . tu leitor e eu.
confesso-te que não sei como acabar este texto]


Ler-te é sempre uma viagem de itinerário desconhecido, mas deveras emocionante!
Li, reli. Depois escutei a música da banda Bastille.
Concluí que independente do caos à nossa volta, podemos fechar nossos olhos e reter algo bom, que nos ajudará a viver um dia de cada vez.

quiçá se a própria solidão das esperas
ou
as orquídeas

destarte sem poesia
perdem fatalmente a cor.


Será?
Lembrei das orquídeas vanilla onde extraímos a essência de baunilha.
O que aprendemos e ganhamos com a solidão das esperas?
Desculpe se divaguei!
Beijos!
Janna

Enviado por Tópico
AlmaMater
Publicado: 25/09/2018 18:10  Atualizado: 25/09/2018 18:10
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 Re: sem título III (“One of this days” at Pompeii) Para GrandeT
os caminhos estão já cansados. finalizados.
as vozes ouvidas.
as palavras escritas.

só as ausências persistem fazendo acreditar na ilusão de um amanhã, um qualquer.
quisera acreditar. esboçar sílabas. Sorrisos e o quê mais.

Mas: para ninguém.

[os regressos são como as gotas no deserto: acabam sempre por secar, sozinhos]

Bom ter-te encontrado.
num amanhã que já foi.

Sorriso

Enviado por Tópico
IsabelRFonseca
Publicado: 26/09/2018 13:10  Atualizado: 26/09/2018 15:01
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 Re: sem título III (“One of this days” at Pompeii)

Entre os silêncios num curto reflexo
Misangas de cometas
Escuridão tardia
Letras escritas que escorregam ao acaso
Num desabitar de almas




quiçá se a própria solidão das esperas
ou
as orquídeas

destarte sem poesia
perdem fatalmente a cor.




Num lugar flutuante de mar
de abrutos desiguais da maré vazante
solidão nos olhos dos que esventram alegrias



Obrigado pela inspiração concedida
(Ricardo Pocinho – O Transversal) Um abraço poeta maior

Enviado por Tópico
Migueljaco
Publicado: 27/09/2018 23:58  Atualizado: 27/09/2018 23:58
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Mensagens: 9215
 Re: sem título III (“One of this days” at Pompeii)
Boa noite Transversal, teus versos fazem uma pisadura entre os fatos, e os devaneios, e sendo assim a solução para os problemas abordados não serão extraídos do gigantismo do mar, e nem da sonoridade dos ventos, mas da capacidade criativa de quem se sinta afetados por todas estas estranhezas, parabéns pelo vosso reflexivo poema, um abraço, MJ.