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Poemas : 

Despido de tudo quanto sou..

 
Despido de tudo quanto sou..
 









Andei distraído procurando o que não via
Nem vejo, visto que sou pequeno,
Viro o rosto pra de onde venho
E não pra onde fui posto,
Vejo nas estrelas o rosto,
Não da morte mas do oposto, da vida
Pra'lém do percurso que fui, fiz nesta Terra

Outrora bela, soberba ...
Outrora viva,
Andei por aí buscando o repouso,
Não via nem vejo, a fonte do limo,
O álamo esguio,
O negrume do teixo, da terra preta o apelo,
Das folhas mortas,

Abdiquei de ser rei,
Pra ser jardineiro "por conta própria",
Sem reino nem terreno pra arar,
Podei as rosas dos quintais dos outros
E observei pardais nos ninhos,
Nas sombras os olivais dir-se-iam deuses mortais,
Não contei quantos, mas muitos, muitos.

Há muito que desejo desertar,
Mas as pernas na beira da estrada,
Estão sempre fora de mim e o meu coração ... lento,
Lento não dá pra fugir por aí de rastos
Admito não ter dormido todo o tempo do mundo,
Mas mesmo assim penso como se fosse madrugada
E domingo, cada vez que me levanto

Sem vida e me mudo pro outro lado da cama,
Na mesma fronha que uso desde que vim ao mundo,
Sinto um ritual de vencedor num corpo derrotado,
O que muda são apenas os sonhos que persegui
Sem sucesso ao longo do tempo
E ainda sonho sonhos que não sigo,
Acatei a derrota,

Sinto um ritual de vencedor nas asas
E nas pernas o símbolo das coisas
Que me pegam ao chão terreno,
"Rocket-man", visto que
O meu território é de ar,
Balouço-me na fronteira do tudo e do nada,
Qualquer um desses reinos me conforma,

A memória passa sem se ver, sem se dar
Sonhar é não estar presente em nenhum Destes países
Pra sempre,
Duvidar é dar liberdade ao voo ...
O plano é adormecer descrente,
Desnudo de tudo o que sei,
Despido de tudo quanto sou.














Jorge Santos 11/2018
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namastibet, aliás Joel matos

 
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Namas-tibet
 
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Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 01/12/2018 12:50  Atualizado: 16/12/2018 10:23
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Enviado por Tópico
atizviegas68
Publicado: 01/12/2018 15:14  Atualizado: 01/12/2018 15:18
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 Re: Despido de tudo quanto sou...em sôfrego permanecer
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Carl Wilhelmson (1866-1928), «På berget, Fiskebäckskil» [«Nos rochedos, Fiskebäckskil»]; 1905-1906; Óleo sobre tela; 126,5 × 151 cm; Göteborg [Gotemburgo], Göteborgs konstmuseum





Enviado por Tópico
Migueljaco
Publicado: 27/12/2018 19:25  Atualizado: 27/12/2018 19:25
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 Re: Despido de tudo quanto sou...
Boa tarde Namas-tibet, teus versos nos remetem a profundas reflexões, um abraço, MJ.


Enviado por Tópico
samuelk7
Publicado: 22/06/2019 19:20  Atualizado: 22/06/2019 19:20
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 Re: Despido de tudo quanto sou..
Parabéns poeta!Gostei muito do poema!Continue com essa inspiração que muitos poemas bons irão por vir!Abraço