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Poemas : 

Certidão de procedência

 
Certidão de procedência
 


Certidão de procedência


Qualquer coisa em mim se parece agora mais comigo,
Pálpebras de besta, coração de gente,
Sensação de vácuo omnipresente, amargo
De boca agreste, ombros do tamanho dum touro,

Qualquer coisa em mim pressente que morro,
Que tudo seja fantasia, asseguro que não mudo,
Não mudo as pálpebras para o peito,
Não me iludo com o que antevejo,

Desligo o passo, do real faço absurdo,
Bocejo quanto a boca pode, como forasteiro,
Procedo a uma aceitação das coisas leves,
Indiferente aos valores, nada há que explicar

A um defunto que seja lúcido quanto o ferro
E saiba a sangue ou o prazer que existe
Na dor caseira, hoje é a lembrança que penetro,
Que magoa, plantei os olhos numa maçã

Gamboa, elogio a loucura, gabo-me ao metro
De não ser do que padeço mas da cura,
Vivo com impressão que não me pertenço
Pálpebras de besta, coração de mula,

Em negrito, “New Roman” que mais se pareça
Comigo, salário mísero e sem remédio,
A gula é privilégio da embriaguez de eunucos
E eu procedo do lado duro, sobretudo domino-me

Pela preguiça …


Jorge Santos 04/2019
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Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 01/04/2019 23:50  Atualizado: 01/04/2019 23:50
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Enviado por Tópico
Jorge-Santos
Publicado: 04/04/2019 18:15  Atualizado: 04/04/2019 18:15
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