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Poemas : 

Pontes

 
Cabe-me ainda aprender
o tempo
compreender os enganos
e as estranhas moradas
do destino.

Perscruto a luz que se guarda
em pontes submersas
onde a raiz de um novo sol
se fortalece
e desenterra o fogo verde
de um corpo que em mim renasce
e aquece a minha essência.

Ancoro a minha deserta existência
visto das marés a turbulência
parto nas águas
da madrugada.

E na rota da morada restaurada
deixar-te-ei os meus versos
traços quentes do meu chão
gravados em letra morta se quiseres
abrir-te a porta.

 
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Briana
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Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 08/07/2019 21:13  Atualizado: 08/07/2019 21:13
 Re: Pontes
eu gosto muito de poesia sabes. não me perguntes porquê porque, teria de exercitar bastante os dedos sobre, neste caso o teclado para... foi um prazer ler mais este texto, "pontes".

Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 12/07/2019 22:33  Atualizado: 12/07/2019 23:37
Colaborador
Usuário desde: 06/11/2007
Localidade:
Mensagens: 1587
 Re: Pontes
Há "...pontes..." que construímos, há "...pontes..." que encontramos na natureza (um tronco duma árvore caída), há "...pontes..." que não deixamos cair e as que caem comos as de Entre-os-Rios que não resistem à erosão.
Vem-me sempre à memória a canção dos Jafumega com o seu intemporal refrão: "... a ponte é uma passagem prá outra margem...", mas interessa-me o sentido metafórico relacionado com Ligação.
Como é no plural, Ligações.
Assim o título, que vimos a descobrir mais tarde fazer parte de um verso, abre-nos logo um mundo de possibilidades.
Será sobre ligações?
A resposta vem sob a forma de poema.
Quatro estrofes desordenadas no número de versos (repetem-se na primeira e na última - 5), não obedecendo a qualquer forma rimática ou métrica.
Os ritmos são marcados por essa alternância (verso curto, verso um pouco mais longo) permitindo ao leitor, entre versos, assumir essa desordem.
Na primeira estrofe começas, na primeira pessoa, com metas pessoais, que acho que todos perseguimos. “… Aprender …” é algo que as pessoas humildes e bem resolvidas sabem que devem fazer toda a vida.
O tempo como tema, acho uma delícia, porque é todo ele fruto do nosso poder de abstracção. Aparece como forma de lidar com a realidade, com as memórias e arranjamos um nome para o antes de, o passado, e com o sentido de imortalidade, quando fazemos planos para o futuro. Aprender o tempo como um todo é tarefa para toda a vida, e não se faz da mesma maneira em todas as fases da mesma.
O “…ainda…” do primeiro verso traz-me a ideia de ser um processo que já começou há algum tempo.
“… compreender os enganos/ e as estranhas moradas/ do destino.” completam bem a estrofe que serve de introdução e o ambiente de mudança começa.
A segunda estrofe tem a luz e o brilho como força principal e surgem as pontes que no título não estão “… submersas…”, mas determinam que no sujeito poético há uma vida nova a nascer, algo diferente a brotar, e o “…verde…” que em muitos circuitos é de esperança, é um fogo que aquece. E quanto não aquecerá a esperança?
A turbulência é muito do que o poema deve ser.
As "...moradas estranhas..." no começo, mais perto do fim são restauradas.
E os versos deixados, com a "...porta..." creio que escancarada, pelo leitor, serão esse calor que o teu poema soube bem transmitir.

Nota: Ainda não tinha tido oportunidade de comentar nenhum dos teus poemas. Apesar de andar pouco inspirado para o fazer, senti que tinha chegado o momento.
Acho que foi bom teres vindo para o nosso site.
A tua escrita é consistente, cuidada, sem erros básicos e apesar de pareceres ter um estilo muito próprio, aquilo que escreves é com bons recursos estilisticos.
Usas bem metáforas, comparações, algumas aliterações, alguns momentos de elipse.
Os teus motes alternam entre o universal e o particular, mas consegues transmitir o pessoal dum modo pouco autocentrado.
Tenho gostado do que tenho lido.

A reler