O corvo
Faxineiro putrefato, asas negras, mau presságio
O tempo tudo corrói, o corvo apenas devora
A infinidade de falsa esperança que outrora
Fez da morte temida como mero contágio!
Não te horrorizes, pois, perante tal natural trama!
Que se alimente do declínio pra obter vigor!
O sangue rubro do bico a escorrer com frescor
Nada mais é que a morte iminente que tudo clama!
Homem maligno, a quem reverencia o verme funéreo
Teme a ti mesmo, não ao nobre redentor etéreo!
Tua existência podre seja findada pelo canibalismo!
Farto seja o banquete do delicado corvo vitorioso!
Que pereça dolorosamente o homem insidioso!
Que os gritos d’ave ecoem no sangrento abismo!