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Poemas : 

Os infectados

 
Quando sinto doer o azurado da minh' alma, vem a doçura dos véus e, se deita aos meus pés.
Fresca como o vento!
Fria como noites do outono bendizendo o luar!
Ela traz junto de si o esplendor santo.
Quando sinto doer o azurado da minh' alma ergo uma taça ao rei.
Teço o amor com espinhos insanos num terço forte.
Quem é que me vale no vale de cócoras?
Quem me faz rir com verde lenha?
Ah, e esta boca nojenta?
Não ordenaste silêncio a morte, Senhor?


Leonor Huntr

 
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Huntr
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Enviado por Tópico
boxer
Publicado: 08/10/2019 08:08  Atualizado: 08/10/2019 08:08
Colaborador
Usuário desde: 21/01/2009
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Mensagens: 745
 Re: Os infectados
.
Olá, Leonor.
Fico feliz com o seu regresso. É muito bom continuar a seguir os seus textos.
Este poema tem qualquer coisa de cantiga medieval, ou será impressão minha?
O paralelismo de versos, as alusões religiosas, a importância da natureza, única testemunha e confidente das dores de alma...
E sobretudo a dúvida, o receio na espera de um "amigo", seja ele humano ou o sopro de um sentimento.


Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 09/10/2019 00:17  Atualizado: 09/10/2019 20:19
Subscritor
Usuário desde: 24/02/2017
Localidade: Azeitão/Setúbal, Portugal
Mensagens: 2028
 Re: Os infectados

















A unidade mínima na escrita é o desassossego
E a solidão de quem escreve, uma anátema,
Porque escrever é o complexo e não a virtude,
É o erro e não o Graal que chamam de linguagem,

O ritual mórbido que não há maneira de definir
Senão pelo exagero, pois não existem palavras
Justas que definam o caos, a exegese do desapreço,
O menos cómodo dos suicídios e o cativeiro,

É o agir contra nós próprios que nos torna
Inteiros, embora estrangeiros em nossos fragmentos,
Como se fossemos um armazém de cabides
Desorganizados, onde penduramos fatos de outros,

Sensações anónimas e abomináveis, intervalos orgânicos
De conversas que não desejamos nos curtos metros
Quadrados desta nossa alma enviesada, cansada
De colóquios e considerações de precisão volumétrica ...