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Sonetos : 

Soneto de suicídio

 
A música cessou e esgotou-se a bebida...
No escuro de meu quarto, aos prantos, agonizo;
Seguro um canivete e n'um pulso o deslizo,
Fazendo transbordar os resquícios de vida.

Anseio pra que a morte seja uma saída
E não condenação a inferno ou paraíso.
Que eu possa repousar isento de juízo
E que aqueles que amei não sofram co'a partida.

E, enquanto o sangue rubro e ardente tinge o chão,
Escapa-me a firmeza habitual da mão,
Espasmos tomam conta do corpo lesado.

Exausto de esperar, debalde, por socorro
Enquanto ainda vivo, cerro os olhos, morro.
— Perdoa-me, querida mãe, fui derrotado!

Castro, 23/10/19


 
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Mainardes
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