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Poemas : 

Submundo

 
Minha alma ressecada me observa de longe, dançando entre folhas secas num rodamoinho de delírios, de mim sobrou este corpo que deambula pela terra para cumprir um tempo determinado, meus olhos ardem e imploram uma lágrima para desabafar, o peito aperta e o corpo quase cai e desfalece de cansaço, não há nenhum ânimo e tudo é enfado.

Já se passaram mil anos desde que te vi pela última vez, e eu resolvi falar como tenho passado, mesmo que ninguém se importe, continuo vagando como um zumbi ativo, trabalhando, estudando, cumprindo obrigações como todos os cidadãos, mesmo sem entender direito o porquê de estar aqui, sem saber a parte que me cabe nesta cena.

A impressão é que o destino é sempre o mesmo, e tanto faz andar sem bússola, se todo caminho leva a estar perdido, se há um abismo em todo lugar que eu vá, um amontoado vaidades e coisas tornam se passageiras e vazias com o tempo, mesmo as mais importantes para se dedicar.

Os dias passam cinzas quando não há mais como conseguir se iludir, sinto bem perto a morte pois perdi o dom de inventar prazeres banais, esperanças miseráveis, o dom de estar com companhias execráveis de pessoas rasas, não sabia que quando não se tolera mais a futilidade humana e perde-se um pouco de si mesmo.

Eu e você costumávamos estar sempre juntos... em comum a capacidade de isolamento, o prazer no desbravar o submundo, e um sentimento em comum, o de que por alguma ironia da vida havíamos vindo parar neste mundo talvez num tempo errado, mas até isso foi um engano, não somos especiais só arrogantes.

 
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Creep
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