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Poemas : 

Preso em Liberdade: Parte III

 
Não é só a mim que eu temo,
Temo-me frente aos outros:
O que pensarão?
Gostarão de mim?
Será que corresponderei ao que pensam?
E se... e se... não gostarem de mim?
Penso, ninguém me conhece, ninguém me entende;
No entanto, faço-me entender, conhecer?
Não, permaneço fechado, oculto...
Impeço e proíbo que me descubram.
Posso não ser bom o bastante – se é que existe esse “bom o bastante” –
Tudo depende do “para quem”,
Do outro, enfim...
Sem este, eu não existiria.
Não me basto!
Quem se basta?
Se não houvesse o outro,
Para quem escreveria?
Quem ler-me-ia?
Tu, que me lês, és um dos outros,
Um de muitos outros que, em sua simples existência – sejam:
mulheres, homens, crianças, animais, coisas; Seres em geral, humanos ou não –,
fazem-me ser eu, e não outro:
Se sou Humano, e penso, e sinto e..., é porque há outros Seres, Seres Não-Humanos, portanto, que não pensam, não sentem, não... – não pensam, e não sentem, e não... como eu, ou como nós, Humanos –;
Deste modo, posso dizer que sou um indivíduo singular, complexo e etc.
E só o sou em relação a outros indivíduos também singulares, complexos e etc.
Observa: um só é um em relação a dois, a três, a quatro e a...
Sem dois, três, quatro e..., um não é um,
Não existe um, é algo nulo, vazio, algo-sem-ser (algo que não é, que deixa de ser...), inexistente.
Como posso (podemos) temer o outro,
Ou a mim (a nós) perante os outros,
Se só sou (somos) eu (nós) devido a este, a estes?
Os outros nos fazem ser únicos;
Fazem de nós nós mesmos, e não coisa diversa.

 
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Rafael007
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