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Poemas : 

Querubins

 
Ele
sofria com a sua voz
breve, leve,
areia volátil e quente.
Ela
ria dos seus impulsos
incapazes,
feitos de medo e de soluços.
Alguém assistia
aos contornos transparentes
nas curvas das suas mãos.

 
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boxer
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Enviado por Tópico
boxer
Publicado: 26/03/2020 09:12  Atualizado: 26/03/2020 09:12
Colaborador
Usuário desde: 21/01/2009
Localidade:
Mensagens: 798
 Re: Querubins
.
Publiquei este texto pela primeira vez a 12/03/2009.
Há dias, alguém resolveu colocar aqui várias mensagens com insultos.
É confrangedor, para mim, que as pessoas que amavelmente me visitam neste espaço se deparem com as boçalidades que me dirigiram, por isso, resolvi republicar o poema.
Em baixo, coloco os comentários que vários amigos tiveram a amabilidade de escrever e que eu gostaria que não se perdessem, porque revelam o lado fraterno que este site tem e que vale a pena valorizar.

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Maria Verde
Publicado: 13/03/2009 00:43 Atualizado: 13/03/2009 00:43


olá!
Ele e ela...
um vai e vem de sentimentos ternos?
que os contornos sejam vistos, pois se veêm são transparentes. E não há nada mais puro do que a cristalinidade de um sentimento.
muito bonito!

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Henricabilio
Publicado: 06/04/2009 10:06 Atualizado: 06/04/2009 10:06


Em todos os momentos - quaisquer que sejam - é importante sentirmo-nos acompanhados por mão amiga. Um abraçooo! Abílio

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Margô_T
Publicado: 12/08/2016 11:22 Atualizado: 12/08/2016 11:24


Os gestos descompassados de um “Ele” e de uma “Ela” que, ainda assim, conseguem executar uma dança suave e terna como num pas de deux… Aqui, porém, é a espontaneidade dos gestos que prevalece, estando estes intimamente ligados à emoção que os conduz - uma espécie de diamante bruto demasiado flagrante para ser domado por mãos (ainda) tão puras (como o próprio diamante).
Por isso, “Ele” sofre sentindo que a voz lhe falha, “breve, leve” como “areia volátil e quente”, prestes a ser soprada em todas as direcções, sem que “Ele” consiga agregá-la
e “Ela” ri “dos seus impulsos/incapazes,/feitos de medo e de soluços”… de hesitações, de embevecimentos incontidos, de uma incapacidade de reagir.
Porém, há quem assista a estes “contornos” e os veja “transparentes/nas curvas das suas mãos”, já que as nossas mãos contêm as ranhuras do tempo bem vincadas (cada vez mais vincadas ao longo do tempo), lembrando-nos de quão frágeis fomos (e somos)... encontrando na observação desta pureza de gestos um sabor a infância – infância essa que sempre regressa, de quando em quando, ao nos defrontarmos com a força bruta de um novo diamante, apesar de, pouco a pouco, nos tornarmos mais capazes de a camuflar, controlando melhor a voz (que por dentro ainda treme e soluça), hesitando menos nos gestos (que se tornam mais planeados, de confronto), improvisando um conforto que não existe, e executando um pas de deux menos frágil, mais solto.

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Rogério Beça
Publicado: 12/08/2016 11:53 Atualizado: 12/08/2016 13:38


Falamos de anjos. Ou antes de arcanjos, figuras aladas com ar abebezado, ainda mais inocentes.
Falamos de amor inocente, puro, que se conhece ou vai conhecendo.
Haverão sempre observadores: amigos, família, conhecidos, estranhos... que vêem essa inocência transparente, ou clara como água.

Obrigado