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Poemas -> Ilusão : 

Owner of a lonely heart

 
Tags:  vida    poemas    surrealistas  
 
Havia outras vozes,
Mais ou menos dispersas,
Éramos os suficientes para perceber o medo,
Anotar mentalmente as falhas de carácter uns dos outros,
E faziamo-lo ostensivamente,
Sem preocupações de género, doença ou dor de existência,...

Veio a ser uma discussão de desejos,
Mais até do que de ideias, que pelo seguro, guardadas estavam no sítio onde as pessoas as deixam morrer,...

Não me recordo se tinha a alma vestida,
Ou sequer se tinha alma,
Só penso ter deixado aquele local já depois de o céu me ter chamado dispensável,
Era o que esperava para mais uma etapa de desleixo e ressentimento pela solidão que me auto-impus

 
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theartist_lc
 
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Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 22/04/2020 10:53  Atualizado: 22/04/2020 20:53
Colaborador
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Mensagens: 1926
 Re: Owner of a lonely heart
Um dia fui para o trabalho e aquilo parecia um hospital. A um canto o riso ensurdecedor e estúpido das hienas. No centro leões e ovelhas. No meu vestiário éramos sempre os mesmos, a vestir o uniforme que dizia o que faço. Alguns habitavam o já tradicional fato-de-macaco. É sépia. Assim que abri a boca, os olhares repetiram a ladaínha do "lá vem ele com a mania", nunca me achei muito psicótico... Engoli algumas palavras e saiu-me um bom-dia. Depois foi fazer, fazer e mais fazer. Invariavelmente, como na escola, os grupos agrupavam-se sem darem conta, e dei por mim a falar com os que sofriam de olhares. Entre as hienas, que se riam da desgraça alheia e gostavam de ver o circo a arder e as ovelhas que mugiam sim, surgiam cumplicidades divertidas. Ria-me sob olhares. Entre os que engoliamos palavras e os outros, os diálogos eram frequentes e profissionais, quase amistosos. Envolvia-nos um cinismo que tornava possível pagar as contas. Até que um dia o chefe morreu. Entre aleluias, tentaram todos falar na mesma língua. As desconversas sucederam-se e a carta de demissão saiu-me em verso. Mas as contas por pagar falaram tão mais alto do que a minha raiva que continuei por ali ao assobio. [gostei muito do teu poema. Manténs a invulgaridade como linha, e apesar do céu (cada um tem o seu), há uma intimidade que o sujeito poético transmite. O leitor, ao procurar as leituras do texto, fica até um pouco incomodado com as hipóteses. Rende-se aos Yes no youtube e indecide-se se há-de rir, ou amargar.] Abraço