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Eis-me aqui, pelo grande amor dos poetas

 
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Restam as saudades, muitas
De um tempo, distante
Em que a poesia, descrita
Aquela que fica, tinha outros olhares.

Hábitos que se perderam
Nas vozes, que se revelaram
Na ausência, dos poetas, vivos
Que tão cedo, nos deixaram.

Recordo-me da destreza
Da beleza, das palavras escritas
Eruptivas sensações, que fervilhavam
Num calor crescente, que se dissipou.

Este desejo da escrita, às vezes, mata
No palco da poesia, estranhas emoções
Apetite voraz, que teima em voltar
E muitas vezes, nos fere e maltrata.

Apeguei-me a amores que não conheci
Violentei, a minha liberdade
Expus-me, sem restrições
Por emoções, nunca antes, vividas.

Como presa fácil, dei-me por inteiro
Em busca, das minhas credenciais
Que em mim, despertaram afetos, verdadeiros
Aos quais me entreguei, mas não me entrego, jamais.

Num tempo de aperto
Amores desconhecidos, eu vi
Aos quais, por aqui, me afeiçoei
Tantas lágrimas, que eu derramei.

As mãos tremiam, o coração, batia forte
Pela espontaneidade, das palavras escritas
Que descreviam, sensações eruditas
As quais, me faziam, perder o norte.

Pelo desconhecido, vale bem a emoção
Poetas que se dão, vivos pela voz
Portas que se abrem, recados que se dão
Com tanta intensidade, assim somos todos, nós.

Preso, pelas emoções vividas
Eis-me aqui, no palco, das grandes manifestações
Uma nova vida, uma nova experiência, adquirida
Um novo ser, numa nova conduta.

A vida é mesmo assim
Faz-nos renascer, liberta-nos
Mas no apetitoso e sagaz, momento
Queima-nos por dentro.

Por ti, espero, não me deixes, só
Não me feches a porta, vive o momento
Há tanto em mim, para te ofertar
Não me deixes, à míngua do tempo.

Não fiques à porta, entra, és bem-vindo
Não tenhas vergonha, de entrar
Podes vir, humildemente, sorrindo
À tua nova casa, ao teu novo lar.

Vem como quiseres, mas vem
Aqui, somos todos iguais
Vem com a mente em brasa
Arrasa com as tuas, credenciais.

No calor da emoção, em horas incertas
Momentos, de fracasso ou de vitória
Vontade de chegar, ou partir sem glória
Mas eis-me aqui, pelo amor, dos poetas.

Na viragem do tempo, congratulo-me, com a tua libertação, pela saudade dos que voltam e nunca mais, possam partir.
 
Autor
fernandobarbosa
 
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Enviado por Tópico
Carii
Publicado: 21/04/2020 10:52  Atualizado: 21/04/2020 10:52
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Usuário desde: 28/11/2017
Localidade:
Mensagens: 1935
 Re: Eis-me aqui, pelo grande amor dos poetas
.. sinto-me acolhida pela magia com que escreve. Expressivo no seu sentir.. emotivo e bastante envolvente. Gosto de passar por este cantinho e deliciar-me pelo que escreve! Obrigada pela partilha!


Enviado por Tópico
AntónioFonseca
Publicado: 21/04/2020 12:42  Atualizado: 21/04/2020 12:44
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Localidade: Portugal
Mensagens: 917
 Re: Eis-me aqui, pelo grande amor dos poetas
Agradável o seu poema com excelentes e rimados versos.
Na bonita homenagem aos poetas, é preciso valorizar o real e as suas viagens imaginárias!
O poeta sente dor que não dói, vive por vezes e transcreve utópicamente sentimentos imprevistos.
Todo o poeta, com o devido respeito aos poetas tem um pouco de louco e é preciso saber compreender e
entrar no seu mundo da escrita, nos seus pensamentos e ilusões por vezes metafóricas.
E é assim o amor que todos devemos ter pelos poetas nas suas variadas formas de escrita e pensamentos.
Bem haja e um abraço, poeta Fernando. ✍️

António Fonseca


Enviado por Tópico
IsabelRFonseca
Publicado: 21/04/2020 15:30  Atualizado: 21/04/2020 15:30
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Usuário desde: 25/05/2013
Localidade: Algures em Portugal
Mensagens: 3051
 Re: Eis-me aqui, pelo grande amor dos poetas


No calor da emoção, em horas incertas
Momentos, de fracasso ou de vitória
Vontade de chegar, ou partir sem glória
Mas eis-me aqui, pelo amor, dos poetas.


Excelente um abraço poeta Fernando Barbosa