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Poemas : 

como verbo, o ar

 
A Veit



Li num poema persa

" a tua ausência será

O meu momento de

cotovia"



Por isso

Me lancei ao

firmamento

de olhos fechados




Mais ainda desperto

de longe em longe

e só sei que és a

primeira vez que

vejo o dia




Boxer






Aspirjo nas paredes
do Luso...

"Ausência e
gotas do teu perfume."



 
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Veit
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Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 17/05/2020 10:44  Atualizado: 17/05/2020 10:44
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Usuário desde: 06/11/2007
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Mensagens: 1730
 Re: como verbo, o ar - desculpa Leonor, não resisti a reenviar o comentário
Há uma certa gratidão em poemas destes surgirem quando inspirados noutros poemas, muitas vezes carregados de amargura, como se uma força obscura se encarregasse de equilibrar as contas, numa balança tão injusta.
Mas, assim foi.
Numa primeira conjugação soltou-se o verbo, essencialmente no voo, ou pode ter sido no canto, resta discutir a forma, mas, mais adiante. O ar é essencial à vida. Mas é a fonte da oxidação, motivo final pelo qual todos enferrujamos.
Ficámos todos a saber que lês persa, os árabes escrevem da direita para a esquerda imitando o movimento do sol, com uma citação desta qualidade, é favor acrescentar o autor e o nome da obra, para que nós, mortais, tentemos encontrar e tentar ler. É lindo.
Porque o médio oriente sempre causa recordações ancestrais de teor exótico, religioso (é o berço das maiores religiões monoteístas) e, no caso da Pérsia, lá ter havido um império. A aliteração nos PP também me pareceu bem.
O segundo verso da primeira estrofe tem um ritmo muito próprio, e a terminação no verbo dá-lhe uma força de declaração muito intensa. A intenção do vazio da ausência (voltamos ao ar do título) como causa é muito clara.
Agora, o que é um “...momento de cotovia...”?
O sujeito poético explica-o na segunda estrofe. Lançando-se no “...firmamento...” sugerindo o voo da ave. O “...por isso...” determina o tempo. Isto estaria muito correcto se fosse águia.
Qual é o atributo da cotovia (popularmente falando)? O canto.
Ora, no céu para que se lança (boa escolha de verbo) como pedra, de olhos fechados, será que só voa? Ou será que canta pensando-se a voar?
Sendo o Poema, Canto.
Muitos cantores (veja-se, como no caso do fado) fecham os olhos, mas pode-se dar o caso do voo ser feito dessa maneira, já que o risco de colisão é pouco.
Deitado algures, o leitor “descansa os olhos”. Acordado, o sujeito poético avança na última estrofe.
O segundo verso dela tendo o “...só...” no final, obrigando à pausa, retira o “apenas” e soma a solidão. Há muita solidão na escrita, e na poesia em particular.
Ao ver a luz do dia, surge o poema acabado, num ponto final em que a iluminação parece outro nome para espanto, ou inspiração.
Espantoso este poema.


Vou agradecer à Leonor



Enviado por Tópico
RoqueSilveira
Publicado: 19/05/2020 12:43  Atualizado: 19/05/2020 12:43
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 Re: como verbo, o ar
Boxer, um poeta a guardar na memória. Não comento muito, mas gosto do que escreve. E tem uma postura no luso que reparei. Ele quando comenta, é porque lê atentamente; nunca o vi comentar por comentar. Lembro que comentou um poema simples da minha filha com um extenso texto, via mensagem privada, que a minha filha me mostrou. Fiquei admirada com a sua cultura. Grande Boxer, pena ter ido embora.