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Poemas : 

bordão Alunar

 
Na minha terra não há violência
usamos a inteligência noutras coisas,

na minha terra não se humilha
usamos a inteligência noutras coisas,

na minha terra não há a guerra
usamos a inteligência noutras coisas,

na minha terra não há mesquinhos, nem hipócritas
usamos a inteligência noutras coisas,

na minha terra não há ladrões, assassinos, violadores
usamos a inteligência noutras coisas,

na minha terra não há corrupção, nem crime
usamos a inteligência noutras coisas,

na minha terra não há pura maldade
usamos a inteligência noutras coisas...

A minha terra é diferente.
Na minha terra
não há
gente.


Sou fiel ao ardor,
amo esta espécie de verão
que de longe me vem morrer às mãos
e juro que ao fazer da palavra
morada do silêncio
não há outra razão.

Eugénio de Andrade

Saibam que agradeço todos os comentários.
Por regra não respondo.

 
Autor
Rogério Beça
 
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Enviado por Tópico
AntonioCosta
Publicado: 23/05/2020 12:51  Atualizado: 23/05/2020 12:51
Muito Participativo
Usuário desde: 02/05/2020
Localidade:
Mensagens: 72
 Re: bordão Alunar
O TEMPO ACABA O ANO, O MÊS E A HORA

O tempo acaba o ano, o mês e a hora,
A força, a arte, a manha, a fortaleza;
O tempo acaba a fama e a riqueza,
O tempo o mesmo tempo de si chora;

O tempo busca e acaba o onde mora
Qualquer ingratidão, qualquer dureza;
Mas não pode acabar minha tristeza,
Enquanto não quiserdes vós, Senhora.

O tempo o claro dia torna escuro
E o mais ledo prazer em choro triste;
O tempo, a tempestade em grão bonança.

Mas de abrandar o tempo estou seguro
O peito de diamante, onde consiste
A pena e o prazer desta esperança.

Luís de Camões

Enviado por Tópico
RoqueSilveira
Publicado: 23/05/2020 16:28  Atualizado: 23/05/2020 16:28
Colaborador
Usuário desde: 31/03/2008
Localidade: Braga
Mensagens: 8256
 Re: bordão Alunar
o final tão evidente me surpreendeu

Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 24/05/2020 01:11  Atualizado: 26/05/2020 09:56
 Na minha terra




NO JOGO DAS CONTAS DE VIDRO TUDO TEM DE SER POSSÍVEL, INCLUINDO POR EXEMPLO QUE UMA PLANTA FALE LATIM COM O SENHOR LINEU (HERMANN HESSE)




Na minha terra não há terra, só um rebolado chão em barro,
Um tão sonhado palácio em forma de oito, habito alcova plana,
Esposa e cama, esqueci fama, ess'outra criatura investida
Rainha que trocou minha boca por outra breve forma canha,

(sensação é aviso), porém ao fim e por palavras minhas
Ouve-se a serra a serrar meu Teixo, amargurado tombo
Sem vida, ridículo, num canteiro sem músculo, areia dormente
E musgo, como se fosse presa que se prostra prá goiva torta,

Morta e sega. Incestuoso sentir do vime ao vento, magia,
Instinto d'vidro, corpo e asas d'xamã, septo largura do ânus
De um Druída, odor de terra bolida, ranho é baba, amígdalas
Na nuca, (nunca compreendi o porquê da culpa) córneas

De sapo, na minha terra a vida é de um por cento incólume,
Noventa e nove, placebo dourado à vista de fulano e demente,
Neblina, na minha terra não há vida nem pode haver Rei consorte,
Ironia é o destino não ter forma humana e a Terra não ter manto,

Apenas gente em barro cão com a ideia de ser de verdade
A Terra e deles, eu não ... eu donde sou, nem sei,
Nem sou tampouco, donde venho,
(viajo clandestino no vento)



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Enviado por Tópico
atizviegas68
Publicado: 24/05/2020 20:38  Atualizado: 24/05/2020 21:30
Colaborador
Usuário desde: 09/08/2014
Localidade: Açores
Mensagens: 1425
 Re: bordão Alunar...ninguém coça um cão
Lugar de catedrais.
De vida rara.
Basalto. Palavra quente.
Cratera.
Há um corpo de mar.
Bravio.
Lugar de estar.
No principio.
Terra. A querer bem.
Caminha.
Frívolo.
Ao nascer, não pegaram, nele.
O cão deve ser tomado,
por um cão. para se sentir.
Ninguém.
Alguém.
Por a gente não saber
da vida de cão.
Ninguém coça um cão.
melhor do que ele próprio.

Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 24/05/2020 22:25  Atualizado: 24/05/2020 22:25
Colaborador
Usuário desde: 06/11/2007
Localidade:
Mensagens: 1728
 Re: bordão Alunar
Excepção:

Só porque me dizes no mundo da Lua
acho-te incorrecta, mãe;
que o mundo é feito de barro-Homem
e todos os malditos que a ele se somem.

Só porque me dizes que pareço deserto,
com a cabeça na Lua
e eu vejo luas da minha rua,
no céu aberto.

Porque cão e cadela, meu amigo,
gosto, coisas boas,
e tão prosaico me digo
gosto mais da matilha, e do meu filho e da minha filha do que de pessoas.

Rebolo no meu desgosto do diz senta,
e no barro em pó tão diferente onde quero ser vivo
estou, ainda que parado, activo
e a minha cor, magenta.


Obrigado a todos os meus leitores e comentadores, creiam-me que é o que comanda a regra...