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Poemas : 

Poema de domingo à tarde

 

Nomeio os caminhos
debruçados num cais de abril

quando na pele havia
rumores de manhãs primeiras
ou da luz a melodia inteira que em mim guardava.

E eu chamava-te instante
sonho
rosto

e a tua voz era o tempo verdadeiro a ensinar-me
o sol de maio a descer as ruas.

E num fio de versos soltos
ou na memória de uma página lenta

nomeio os lugares do silêncio
onde
sobre as mãos
baixam palavras nuas.

 
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evelina
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Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 24/05/2020 22:43  Atualizado: 24/05/2020 22:43
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Mensagens: 1870
 Re: Poema de domingo à tarde
Estou com a Roque, bendita a hora em que vieste para cá. Começo a achar que não te merecemos. Ou talvez isto esteja a mudar um pouco e te mereçamos.

O primeiro dístico reporta-se às memórias da infância, ou juventude. "...Abril..." no calendário pagão, e islâmico digamos, é o início do ano. E a primavera em força.

O terceto seguinte com "...as manhãs..." reforça a ideia e a metáfora. Canónica e regrada.

A "...melodia inteira..." já é menos parcial, e reporta-se ao bem-estar, à alegria, e felicidade. Penso.

"...instante\sonho\rosto..." pareces falar de verso e espanto. Comecei aos 15 sabias?

"...Maio..." já amadurece um pouco o sujeito poético, a voz como palavra escrita e amada juntamente com os versos no verso seguinte mantêm a toada.

Acho a última num registo mais lírico, mas o que dizer dum poema tão bem escrito?

A mancha gráfica lembra um repuxo. Se contornássemos o poema a lápis todo ele é ondulado, como o que referi, ou uma árvore com um tronco estranho.

Olha, escusado será dizer que favoritei.

Abraço


Enviado por Tópico
Marineuza
Publicado: 25/05/2020 23:59  Atualizado: 25/05/2020 23:59
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 Re: Poema de domingo à tarde
Nomeio seu poema onde vim beber magia.