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Poemas -> Introspecção : 

Antiquário

 
Vidas vistas de fora, que se calam,
Inertes num retrato, numa pedra.
Vidas vistas de fora, que resvalam
Das bocas do jantar; pratos que falam
Na morte que a risada viva gera.

Vidas resguardadas em velhos traumas,
Esquecidas em lugar que não se ouça.
Tolos, frustrados, lamentam às almas;
Mortas, frustradas, lamentam as almas,
Secretas em pratarias e louças.

Esquecidas, as almas, que lembram
Palavras inúteis num dicionário.
Almas mortas, secretas, desvendam
Palavras mornas, discretas; tentam
Salvar-se das palavras... do antiquário.

 
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WesMic
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Enviado por Tópico
Margô_T
Publicado: 07/06/2020 09:56  Atualizado: 07/06/2020 09:56
Da casa!
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Mensagens: 309
 Re: Antiquário
Gosto do ritmo do poema, conduzido primeiro pelas “Vidas”, depois pelas “almas” e, no final, pelas “Palavras”.
As vidas calam-se (“Vidas vistas de fora, que se calam,”) quando findam, ficando “Inertes num retrato” que as lembre ou “numa pedra”/sepultura.
Porém, independentemente de, em vida, nos refugiamos da vida (“Vidas resguardadas em velhos traumas,”) ou de a abraçamos (“Na morte que a risada viva gera.”), a morte paira por nós como uma sombra, (para) sempre presente.
Fica, talvez, a esperança que as palavras se salvem, ficando vivas nos outros - e não num “antiquário”.

Bjs