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Poemas -> Introspecção : 

Especificações de um arrependimento

 
Tags:  vida    poemas    introspeção  
 
tanto hoje como ontem,
amanhã à mesma hora,
depois quando souberes
a relação de ideias,
e uma outra fronte para o mais que vier,...

tanto me faz se houver horas,
minutos desenganados,
segundos até em que
lamento mesmo a morte adiada,
de todo o meu sangue já perdido,...

daqui por pouco tempo,
pressinto que
não haverá mais
que especificações de um arrependimento, leucócitos presos na voz rouca,...

tanto mais que o som,
tanto mais que o
grito preso na precisão,
tudo não mora mais onde eu quero,...

na criação infinda de nada
ter para dar,
nem dizer,
nem punir

 
Autor
joanazdemelo
 
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Enviado por Tópico
TrabisDeMentia
Publicado: 30/05/2020 19:14  Atualizado: 30/05/2020 19:14
Webmaster
Usuário desde: 25/01/2006
Localidade: Bombarral
Mensagens: 2370
 Re: Especificações de um arrependimento
É mais fácil pedir desculpa do que licença. Divago.

Um abraço :)

Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 01/06/2020 08:06  Atualizado: 01/06/2020 09:33
Colaborador
Usuário desde: 06/11/2007
Localidade:
Mensagens: 1913
 Re: Especificações de um arrependimento
As primeiras duas estrofes repetem "horas". Há uma afirmação de tempo sem tempo, isto é, específico.
Intemporal, eterno, nulo, tantas invenções que damos a mais um nascer e por-do-sol que presenciamos.
A nossa sorte (para o bem e para o mal).
"...grito preso na precisão..." e já está. Este verso já merecia o comentário.
Porque o verbo precisar tem tanto de necessário como de exacto. E a presa do preso é duma imagem muito poética ao nível da dependência e da verdade da liberdade.
Como se prende um grito?
Em que gaiola, ou caixa? Adoro metáforas incomuns e bem conseguidas.
Este verso ainda tem a qualidade da aliteração entre preso e precisão. sonoramente roda na língua.

Já na terceira estrofe, os leucócitos não me soam nada bem. Só usaria um termo tão técnico se fosse obrigado por uma rima. E tu nunca usas rimas.
Só lirismo, metáforas, antíteses...

"...tudo não mora mais onde eu quero..."
A tendência que tens neste poema para usares absolutos. Tudo. Tão perto de nada. até podia ser nada mas aí já soaria menos pesado. Mora e Quero mais aliterações , não tão óbvias como as de cima, mas claras.

O "...nada..." afinal aparece também, mas na estrofe final, onde há um carregado sentido de moralidade com que terminas.

Realmente apareces pouco, mas quando vens nunca é simples, fácil ou vulgar.

Obrigado