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Poemas -> Surrealistas : 

o cardo

 
Tags:  vida    poemas    surrealistas  
 
o cardo disse olá,
salta de janelão
em janelão,
até que a luz
contigo brinque,
e desenhe
círculos sem nome
que,
juntos,
formem uma
aliança de vontades
concentrada,
desejada por todos,...

e o cardo
que siga depois,
para a revolta dos
sabores,
fica lá à frente,
onde espero que ninguém
enlace as mãos em estrela,
de modo a que se percam só
as desilusões,
e a felicidade encastrada nos bancos
sem cor do jardim,
se extraia a tempo,
e dê para a sopa
primordial de que toda
a gente fala,
mas ninguém
sabe descrever com
as palavras certas,....

vá lá,
espero pelo cardo,
diz-lhe que sou
alegre,
mas conformado com
a dor que me faz coxear
enquanto choro

 
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joanazdemelo
 
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Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 30/06/2020 02:24  Atualizado: 30/06/2020 02:24
Colaborador
Usuário desde: 06/11/2007
Localidade:
Mensagens: 1861
 Re: o cardo
Picante este poema.
Gosto do papel do Cardo.
É um pouco como o do Vento.
Agitador, e para o bem, neste caso.
A metáfora para procurar nos outros os agentes de mudança na própria vida parece-me uma possibilidade.
Mas além de achares imagens de alguma graciosidade, como a luz, a sopa primordial (leva água?), o coxear, ainda fazes uma escrita poética muito limpa e bem encadeada.

A tua escrita faz sentido, embora cheia de sentidos e é emocionalmente muito correcta.

Espero que se percam as desilusões. Que as ilusões voltem para nos fazer sonhar, rir e chorar.
Ou apenas sorrir.

O teu apelo não chega a ser de mudança, mas de movimento, de vida, e o teu cardo quase ri.

Ri cardo, mando eu.
Ou apenas peço, que em nada mando, nem na casa em que só vivo.

Abraço irmã\o