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Poemas : 

Supondo-me desperto

 
Supondo-me desperto
 







Despertei não sei do quê nem como,
Se ainda durmo um tardio febril sonho
Vestido a luto ou se desperto a mando
De alguém morto há séculos e por falecer

Do mesmo mal que me anima ainda pés e tronco
E em que nada combina com vida, nem ar aliado
Ao movimento de sombra e luz que me perdure,
Inútil a alma que, se existisse seria cinza, pó terra

Acabando por se perder na penumbra alada
Desse neutro, negro outro lado, não sei porquê,
Nem onde, mestiça margem d’outro homem,
Vestida a manga, só no decote o tecido é curto,

A glote é minha assim como a de todos outros
Sem glória, cantando “à capella”, o divino moribundo
E o grotesco aplaudido por milhões de varejas,
Maldigo o destino, coso-me ao último, tomara certo,

Não falsa ideia final, do inútil que sou, supondo-me
Desperto, sem uso nem posto, confundo-me
Com as pedras que acariciam meu estéril rosto
E se alinham nas mãos e não no gesso do grotesco busto .




Jorge Santos 06/2019



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Jorge Santos - aliás Joel Matos

 
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Enviado por Tópico
nereida
Publicado: 06/07/2020 13:20  Atualizado: 06/07/2020 13:20
Colaborador
Usuário desde: 27/08/2017
Localidade: São Paulo
Mensagens: 1638
 Re: Supondo-me desperto
Desperta!!! Gostei de seu poema.
Abraço.


Enviado por Tópico
Violante
Publicado: 07/07/2020 00:34  Atualizado: 07/07/2020 00:34
Da casa!
Usuário desde: 10/09/2019
Localidade: Campinas, Brasil
Mensagens: 349
 Re: Supondo-me desperto
Fique desperto.
Gosto de seu poemas.


Abraço