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Poemas : 

O teu mar

 


Amanheces instante.
Acorde de piano em ampla harmonia
com rastos de navios
sem horas de chuva às portas da noite.

Constróis pontes coloridas e atravessas o mundo.
O teu mundo
aquela dor extensa a resistir dentro de ti.
O teu mar
que parte e regressa a cumprir o ciclo
de forma plena
parte integrante do teu lugar a cada anoitecer.

O teu lugar.
Palavra lenta e transparente
cântico de embalar onde o coração repousa
e a movimentação da luz acontece.


"Fizeste da tua vida
Uma catedral abandonada
Horas esquecidas
Em adoração nocturna
Pedindo silêncio
A tudo o que perdeste."

Luís Falcão, in "Pétalas negras ardem nos teus olhos"


 
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evelina
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Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 15/07/2020 06:20  Atualizado: 15/07/2020 06:20
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Usuário desde: 06/11/2007
Localidade:
Mensagens: 1903
 Re: O teu mar
"há mar e mar,
há ir e voltar"

Acho-o fascinante.
Tenho um lado adolescente (outro, isto é) que é viciado em saltos de pontões para o mar.
Só o faço no verão. Ainda não ganhei coragem para comprar um fato de surf e enfrentar o frio do inverno.
A praia do Tamariz, na linha, tem umas piscinas oceânicas bem engraçadas para isso.

Ao nível do leitor este poema fala connosco, por isso afirmo, como se te referisses a mim, sim, o meu mar.

O primeiro verso é muito belo para começar.
Instante é o tempo mais curto. indefinível.
Acabei de ler um livro que fala muito de mar e de navio.
Acho graça a coincidência. E ainda mais universal o poema.
A primeira estrofe termina em claridade, embora haja a noite a chegar, mas um céu estrelado parece aparecer.

O sujeito poético surge sempre na terceira pessoa.
Este poema vive de bem com a vida, nas várias imagens transmitidas. Nota-se muito isso na segunda estrofe.

Inveje-se estes poemas e personagens como estas, que, nem que seja momentaneamente, vivem sem a dor da névoa, do peso, da mágoa, ao sabor das marés.

Muito tranquilo e bom.

Abraço irmã