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Poemas : 

Contraditório, só eu sou…

 
Contraditório, só eu sou…
 




O contraditório


O prazer de falar verdade
Mentindo, o artefacto quebrado
Servindo, o prazer de dizer certo
Embora soe a falso, a desesperança,

O pão mal repartido, a partilha duvidosa,
O prazer inútil que é útil, a desavença
De facto, o mal parido, o ateu,
O fútil que não é banal, a herança,

O patrão falido, o alcatrão derretido
No verão, afirmar que é meu,
Não sendo, a custódia repartida,
O imperfeito que é perfeito,

Apenas porque nos dá grotesco
Prazer, um ou outro facto, a livrança,
A cor do céu, a glória, o breu,
O Contraditório, a promessa

O mais infinito vezes o menos
Infinito, o vazio dum quarto,
O sonhar dias inteiros e as noites
Sem dormir são contradições,

O noivo consciente de estar certo,
A oposição dos dedos, segundo
São Mateus, a oração do Hebreu
Interdita ao público é contradição

Assim como o lenço branco acenado,
A despedida sendo luto, a contradição
É não abdicar da conclusão sem ler
O prólogo, o absurdo numa peça grega,

Ionesco para gente banal e estúpida,
Assim é quem me lê, parado no pátio
Das minhas sensações sem entender
Verdadeiramente quem é, nem quem

Eu sou, se não eu…







Joel Matos 02/2019





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Jorge Santos - aliás Joel Matos

 
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Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 15/07/2020 09:50  Atualizado: 15/07/2020 09:52
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 Re: Contraditório, só eu sou…
Contraditório - O direito à resposta

Há mais uma linha imaginária que nos desune,
entre sorrisos acenamos
com um dito de boca, desdita; o agora já partiu
e está de volta, filho de uma mãe que não lhe ponho a mão...
Contradição.
Bem basta na rua policiada por olhos magros,
e leis
e mandamentos
que mando ao raio de Zeus, que se enfia em Juno.

Aqui mandas tu, que te contradizes a toda a hora
a cada instante, que longos são os momentos.
E eu baixo a cabeça, numa vénia.

E grito-te aos ouvidos esse segredo que
ignoro se vais dizer.

Calma, há tempo para procissões,
há universos no meio de multiversos, nomeio o verso
blasfémia,
injúria,
fúria e anjo.

Senão contradigo-me, e rio para não me internarem, logo eu, tão interno...

Abraço