É com um cacto
que mato a sede,
com os seus olhares vários,
são gomos de fruta madura,
em pleno deserto,
acabada de colher...
Se anseio a travessia,
não é porque quero o fim nos teus braços
espinhos,
cama de pregos.
Prego, aos papagaios, as ilíadas da vida a dois.
Sou fiel ao ardor,
amo esta espécie de verão
que de longe me vem morrer às mãos
e juro que ao fazer da palavra
morada do silêncio
não há outra razão.
Eugénio de Andrade
Saibam que agradeço todos os comentários.
Por regra não respondo.