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Poemas : 

Entrelinhas

 
Ler nas entrelinhas é permanecer triste.
Se as palavras não falam de nós. E as intenções.
Não nos brindam champanhes, flutes, morangos e chantilys.
Não nos dizem canções declamadas.
Nem poemas desenhados.
Nem sorrisos oferecidos.
Não nos insinuam bandeiras de paz ou sóis de fim de verão.
Não nos oferecem sonhos, lugares sentados, velas e ondas.
Horizontes.
Nem aguarelas dos tempos livres.
Nem luas, campos, rosas e auroras.
Peixes conversadores e vermelhos.
Nem carnavais.
Nem flores de frangipani.
Ler nas entrelinhas é permanecer triste.
Um segundo.
Vou observar as laranjeiras. Perfiladas. Viçosas.
Leio-lhes a vontade.
De me devolverem à terra.
Ao muro onde tomo assento.
Às laranjas do meu quintal. As laranjas dos morcegos.
Percebo que leio a minha terra.
Mais do que leio pessoas.
Que não me transparecem como na terra do além mar.
Gozo o prazer antecipado de oferecer as frutas do meu quintal, como beijos. De mel.
E nas entrelinhas, dos espaços por ocupar, percebo que não sei ficar triste.


Marina Neuza Barbosa

 
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Marineuza
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Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 01/12/2020 16:34  Atualizado: 01/12/2020 16:34
 Re: Entrelinhas
cara amiga Marina... gosto de Neuza, o primeiro texto que abri saiu-me logo a fava. é caso para dizer que não tenho sorte nenhuma, mas não iria tão longe e, ainda bem que abri o segundo e confesso que adoro ver pássaros. antes de dizer que adorei passar por esta página... eu antes! enganei-me, mas vou deixar um poema que expressa o meu... que bom. eu gosto de tudo quando os pássaros voam, até as entrelinhas nos dão coisas que ninguém vê.
este poema é um dos primeiros do rapaz, espero que não leves a mal, foi publicado num livro vendido em portugal espanha e panama por uma das piores editoras de todos os tempos. beijinho

Como é bom ver os pássaros a voar. E ver os nossos pombos conduzir os pólos geográficos ao mar no sossego das praias vestindo os segundos de algodão, só porque a música do teu violino é uma, primavera de estações, e este outono dourado é toda a terra onde o mar impera no principio de nós pelo fim, um passeio mais tranquilo. O fruto duma amêndoa quebrada não é apenas e só a mãe do arco-íris, é sobretudo a alegria de muitos relógios de barro, e amanhã as pontes

O Azeite Da Rosa Dos Ventos É Essa Rosa Laranja, 2010, In Vestidos De Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira