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Tiras-me as palavras da boca ...

 
Tags:  Namastibet    Joel Matos  
 
Tiras-me as palavras da boca ...
 






Tiras-me palavras da boca
Com alfinetes de dama, agulhas finas,
Tenho a maldita certeza e é
Como se estivesse vendo, sair
Uma a uma, sinuosas lentas, dançam

Numa espécie de bailado cósmico, dóceis
No movimento, confortam-me, deslocam-
-se, vejo-as cruzar a alma, adiante do
Meu fôlego, nas coisas que digo, faço,
Falam por mim e de mim falam, clamam

Eloquentes, nem necessidade
De existência viva, sonhos são
E sempre, passagem para outras
Vidas existentes, inexplicáveis
Pra gente,- arquitetos com corpo-,

Se eu pudesse explicar o que vejo,
Saindo da minha boca, talvez fosse
Como ouvires música vinda de outras
Dimensões e a mesma emoção bem-vinda,
Sensação de Terra, externa ao ouvido,

Tiras-me palavras da boca, sonhos
Inesperados na primeira fila, fábulas
Depois absurdas falas, ilícitas, caídas no chão,
No fim retiras visíveis imagens,
Que me convenci saírem de mim,

Mas não, sou eu de mim partindo
Trespassado a alfinetes, toda a voz tem
Um fio, o fim é quem me ouve claro,
Exterior ao ouvido, uma a uma
As palavras que retiro da boca, sonhos

Enfim ausentes do corpo físico,
Outros mundos a roçar por mim e eu todo,
Espécie alguma viva tem destes sonhos
Em que nada pesa, tudo balança
Sinuoso e lento, alheias e nem tanto,

Tiras-me da boca as palavras, nem todas,
A impureza é uma casta e o meu solo
Fértil, na boca faço asilo, das palavras
Mais fétidas às que desobedecem e têm
Severo castigo fora deste covil de asceta …














Joel Matos ( 23 Janeiro 2021)

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Jorge S/Joel M/Namastibet/Transhumante

 
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Enviado por Tópico
(Namastibet)
Publicado: 24/01/2021 00:20  Atualizado: 24/01/2021 00:20
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 Re: Tira's palavras da toca
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Enviado por Tópico
(Namastibet)
Publicado: 24/01/2021 00:21  Atualizado: 24/01/2021 00:21
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 Re: Tiras-me as palavras da boca
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Enviado por Tópico
(Namastibet)
Publicado: 24/01/2021 00:21  Atualizado: 24/01/2021 00:21
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 Re: Tiras-me as palavras da boca
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Enviado por Tópico
(Namastibet)
Publicado: 25/01/2021 10:33  Atualizado: 25/01/2021 10:33
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 O poema




















O poema


















O poema é um exercício de dissidência,
uma profissão de incredulidade na omnipotência do visível do estável,
do apreendido.
O poema é uma forma de apostasia.
Não há poema verdadeiro que não torne o sujeito um foragido.
O poema obriga a pernoitar na solidão dos bosques,
em campos nevados,
por orlas intactas.
Que outra verdade existe no mundo para lá daquela que não pertence a este mundo?
O poema não busca o inexprimível: não há piedoso que,
na agitação da sua piedade,
não o procure.
O poema devolve o inexprimível.
O poema não alcança aquela pureza que fascina o mundo.
O poema abraça precisamente aquela impureza que o mundo repudia.




















José Tolentino de Mendonça

































Enviado por Tópico
RayNascimento
Publicado: 05/03/2021 03:26  Atualizado: 05/03/2021 03:26
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 Re: Tiras-me as palavras da boca
Na boca a suavidade dos sonhos tragados pela ampulheta da existência será sempre virada do avesso feito fotografia envelhecida na gaveta do tempo...
Nem sei se pandemia ou pandemônio que passa por nós ou nós por ela. O que vale é sentar-se à beira da estrada e colocar a alma no varal e aguardar a poeira baixar para o sol enxugar as lágrimas de diamantes que navalham as cores e o vento...
Divina é a força cá dentro diante de tudo já vivido e o choro contido num alter qualquer da Amazônia...
O tempo dirá se somos realmente fortes ou somos chuvas de verão aquecendo o coração um do outro na brisa suave que cobre a cidade de papel...
Feito madeira escorada em poemas que nos seguram a coluna para ver o tempo e as adversidades passar transformando em pó de giz e pisando em solo lunar na orbe acredita-se que tudo vai passar e estaremos embaixo das árvores que nós mesmos plantamos.
Ray Nascimento

Enviado por Tópico
RayNascimento
Publicado: 05/03/2021 03:33  Atualizado: 05/03/2021 03:33
Membro de honra
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Localidade: Monte Roraima - Brasil
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 Re: Tiras-me as palavras da boca
Na "boca" em garrafais há um vinho doce guardado na adega do tempo há também a suavidade tragada pela ampulheta da saudade que será sempre virada do avesso feito fotografia envelhecida na gaveta do tempo...
Nem sei se pandemia ou pandemônio que passa por nós ou nós por ela. O que vale é sentar-se à beira da estrada e colocar a alma no varal e aguardar a poeira baixar para o sol enxugar as lágrimas de diamantes que navalham as cores e o vento...
Divina é a força cá dentro diante de tudo já vivido e o choro contido num alter qualquer da Amazônia...
O tempo dirá se somos realmente fortes ou somos chuvas de verão aquecendo o coração um do outro na brisa suave que cobre a cidade de papel...
Feito madeira escorada em poemas que nos seguram a coluna para ver o tempo e as adversidades passar transformando em pó de giz e pisando em solo lunar na orbe acredita-se que tudo vai passar e estaremos embaixo das árvores que nós mesmos plantamos.
Ray Nascimento