https://www.poetris.com/
 
Poemas : 

Deixai-vos descer à vala,

 
Tags:  Namastibet    Joel Matos  
 
Deixai-vos descer à vala,
 




Deixai-vos descer à vala,



Deixem descer à vala,
O corpo que vos deram,
Deixai-vos cair, como as coisas
Que se partem, reles, usuais

E os argumentos enterram-se,
Deixai-vos senhorios, morrer na terra,
Como é natural, numa concha
Onde a areia se infiltra, na campa

Se entranha, velada estranha,
Igual toda a espécie humana,
Deixem-se descer comuns à vala,
Ridículos, mesquinhos, profanos,

Infra-humanos sem futuro,
Falsos Profetas, obscuros e ciganos,
Réus d’sua própria fama,
Como manda lei, norma,

Nada é vosso, nem o corpo,
Mas tem de haver alma,
O corpo é uma montra,
Fixo-me a ver se a vejo,

Fico-me por tudo isso, cinza
O que não tenho, o que era físico
Grotesco mundano, insignificante
Cor de sangue, excepto

O que não vos deram,
Revela o absurdo e o que não se explica,
E uma maneira especial, invertida de
Mágoa, mudas criaturas se velam,

Ilógicas janelas estendem-se em silêncio
Sobre campos, enterrados
Órgãos humanos, fálicos olhos, órfãos
De mãe e pai, universais os sonhos,

A razão e o conhecimento, o instinto
Não morrem, de modo algum se enterram,
Deixem descer à vala o corpo, comum
Simples, profano, refugo, peste...









Joel Matos ( 3 Fevereiro 2021)

http://joel-matos.blogspot.com
https://namastibet.wordpress.com
http://namastibetpoems.blogspot.com






Jorge S/Joel M/Namastibet/Transhumante

 
Autor
(Namastibet)
 
Texto
Data
Leituras
473
Favoritos
0
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
4 pontos
4
0
0
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
(Namastibet)
Publicado: 03/02/2021 20:47  Atualizado: 03/02/2021 21:17
Subscritor
Usuário desde: 03/12/2020
Localidade: Azeitão/Setúbal
Mensagens: 484
 Deixemos descer à vala, o corpo que nos deram em vão ...


Open in new window






Deixemos descer à vala,
O corpo que nos deram,
Deixai-o cair, com as coisas
Que se quebram, reles, usuais

E os argumentos enterram-se,
Deixai-me sombrio, morrer na terra,
Como é natural, numa concha
Onde a areia se infiltra, na campa

Se entranha, velada estranha,
Igual toda a espécie humana,
Deixem-me descer comum à vala,
Ridículo, mesquinho, profano,

Infra-humano sem futuro,
Falso Profeta, obscuro e cigano
Réu d’minha própria fama,
Como manda a lei e a norma

Nada é nosso, nem o corpo,
Mas tem de haver alma,
O corpo é uma montra,
Fixo-me a ver se o vejo,

Fico-me por tudo isso, cinza
O que não tenho, o que era físico
Grotesco mundano, insignificante
Cor de sangue, excepto

O que não nos deram,
Me revela um absurdo que não sei explicar,
E uma maneira especial, invertida de
Mágoa, mudas criaturas me velam,

Ilógicas janelas estendem-se em silêncio
Sobre campos, enterrados
Órgãos humanos, fálicos olhos, órfãos
De mãe e pai, naturais os sonhos,

A razão e o conhecimento, o instinto
Não morrem, de modo algum se enterram,
Deixem meu corpo descer à vala, comum
Como os simples, donde jamais me erguerei

Vão …







Jorge Santos (03 Fevereiro 2021)

https://namastibet.wordpress.com
http://namastibetpoems.blogspot.com





Enviado por Tópico
(Namastibet)
Publicado: 08/02/2021 19:55  Atualizado: 08/02/2021 20:37
Subscritor
Usuário desde: 03/12/2020
Localidade: Azeitão/Setúbal
Mensagens: 484
 É proibido proibir !




Uma parte de mim
é todo mundo








(Ferreira Gular, um dos 43 autores censurados no Brasil das seitas, das trevas, pelo homem de negro, que tem medo do escuro, Jair Bolsonaro)


Machado de Assis, Euclides da Cunha, Mário de Andrade, Nelson Rodrigues, ou ainda Rubem Fonseca, o mais importante escritor brasileiro da segunda metade do século XX, vencedor dos Prémios Pessoa e Camões em 2003, foi entre dezenas de outros brilhantes escritores pensadores e ensaístas, não só do Brasil, proibidos de serem estudados e lecionados nas escolas do Brasil, por um funesto e mau presidente, representante de dos mais retrógrados movimentos fascistas e obscurantistas que há memoria no mundo moderno.


Open in new window





















Traduzir-se (Ferreira Gular)







Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?



























Enviado por Tópico
(Namastibet)
Publicado: 09/02/2021 08:53  Atualizado: 09/02/2021 08:53
Subscritor
Usuário desde: 03/12/2020
Localidade: Azeitão/Setúbal
Mensagens: 484
 Erro imenso (...)



























"Cada um é muita gente,
Para mim sou quem me penso,
Para outros, cada um sente
O que julga, e é um erro imenso."



F.P.


























Enviado por Tópico
(Namastibet)
Publicado: 10/02/2021 10:15  Atualizado: 10/02/2021 10:15
Subscritor
Usuário desde: 03/12/2020
Localidade: Azeitão/Setúbal
Mensagens: 484
 Em Flagrante Delitro
Open in new window