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Poemas : 

sonho de pó

 
Tags:  sem princípio.  
 



era de pó o tempo do sonho.

colado à pele, jurou-se aconchego, amornou a Alma, iludido que conquistava o corpo.

mas o vento norte passou
pelo deserto da maresia
e cimentou a possibilidade



... também Palas. Antes.

 
Autor
Almamater
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Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 09/05/2021 03:14  Atualizado: 09/05/2021 03:14
 Re: sonho de pó para Almamater
E em a carga inicial, a água, que cimenta a alma, logo cria seus castelos, cheios de incertezas..




Um memorável ato de perfazer a palavra e cria-la, assim






Enviado por Tópico
Jmattos
Publicado: 10/05/2021 17:30  Atualizado: 10/05/2021 17:30
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 Re: sonho de pó
Alma
Quando li imaginei alguém convicto que a outra pessoa estava refém de sua paixão, no entanto como num passe de mágica o encanto havia passado e a pessoa se libertado! Lindo e libertador!
Desculpe se divaguei! Só sei que adorei!
Obrigada pela partilha!
Abraço!
Janna


Enviado por Tópico
Jmattos
Publicado: 15/05/2021 01:08  Atualizado: 15/05/2021 01:08
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 Re: sonho de pó
Alma
Verdade! Por isso usei a palavra paixão!
Beijos!
Janna

Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 19/05/2021 09:52  Atualizado: 19/05/2021 12:39
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 Re: sonho de pó
O pó tem uma certa dispersão. É um granulado tão fino que quase chega ao atómico. Inferior à areia...
Depois, qualquer coisa em pó sugere a ideia que pode ser altamente funcional, é só adicionar água...
O que é o sonho em pó?
Terá sido desfeito? Reduzido a pó? Ou à espera de água.
Este primeiro verso tirou-me um bocado do sério...
O tempo ser pó, mesmo sendo o do sonho, retoma a metáfora da fracção.

O sonho conquista o corpo sempre, já que a carne dele é fraca, segundo reza a história.
O segundo verso mantém o poema na forma delirante.
Reparem: O tempo do sonho era de pó e estava colado à pele. Outra característica do dito. Colar-se. Quase me dá vontade de tomar um banho!
"...jurou-se aconchego..." Há um misto de sagrado do juramento, da palavra de honra dada, com a palavra aconchego que me deixou um conforto inefável.
"...amornou a Alma..." já nem falo do nome que relaciono inevitavelmente com o autor, mas o verbo é duma ambiguidade assinalável porque amornar tanto pode ser tornar mais frio (se o objecto estiver quente) ou mais quente (estando frio) e o leitor vê-se obrigado a escolher.
No fim do verso é que se percebe que o sonho pode não conquistar o corpo, tem contudo essa ilusão. Basta o corpo querer.

A última estrofe tira um pouco de fogo ao poema, mas mantém um aura de incerteza.
Gosto da maresia. É um dos ares mais gostosos que conheço. Ao nivel da metáfora tem "pano para mangas" porque é a conjugação da matéria que respiramos (sem ar e água não há vida) com o sal, matéria que tempera os alimentos (pelo menos). E como vem do mar tem a particularidade de ser bastante húmido, logo o sonho em pó misturado com a dita "...maresia..." fez um cimento que me "...cimentou..." e muito.
Com ou sem deserto.

Favoritei.

Obrigado Fernanda pela tua permanência e pela bela poesia que nos dás, assim, gratuita.

Abraço irmã

Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 19/05/2021 10:47  Atualizado: 19/05/2021 14:59
 Sonhos são pó, nem pó eu sou …
Num dos meus sotaques preferidos










É de sonho e de pó
O destino de um só
Feito eu perdido em pensamentos
Sobre o meu cavalo
É de laço e de nó
De gibeira o jiló
Dessa vida cumprida a sol



Sendo o jiló um fruto amargo e que não agrada à maioria das pessoas, "o jiló dessa vida" é a metáfora para "o sofrimento, o amargo, a amargura". e, trabalhando no campo, de sol a sol, a vida desse camponês a isso se resume: laços, nós, gibeira/bolso (onde possivelmente se estabeleceu o jiló)