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Poemas : 

Meu mar eu sou

 
Tags:  Namastibet    Jorge Santos  
 
Meu mar eu sou
 








Teu mar eu sou, igual a ti
Jogo em bruto parábolas dentro, no fundo
Dou ao mar a dor a meias, sou/nasci
Da solidão q'vem em rocha e cisão

Dentro dele, no cais das
Redes de há-de-mar-sem-rumo
De-haver mar, vou ou fujo sério
Se mar cão houver, não vou.

Sou quem de mar sujo
Se veste, cego eu jogo e afundo
Palavras nele, o voo
Me devolve ao mar, fuga

Ou paixão ou só mar, em volta
Mar sou, blindado peixe morto
Do mais profundo e negro/gordo
Que ianque vão/ingrato, porco

E desse outro modo que não eu,
Eu meu mar sou e a falta
Me sabe a sal a meu o mundo,
Mal é ter gaivotas algas pretas, gosto

Na língua de orar, ciumenta a
Areia quando me peso de ideias cheio
Do que do mar é mar caiado
E meu, me falta murar o que penso

A mar e em volta e eu cayac, infame a
Perca de mar lavado, impresso
Meu berço a sal embalado ... exilado
Embala-o as ondas vagas largas,

Meu medo a ser lavado em falso,
Hoje amanhã cedo, trovão galgo
Quando do mar, grego o fogo,
O cenário da guerra, óleo sujo e a terra,

Vermelho azul "inhaque", cimento
Ou o branco escorço da proa
Lança, "bivoac" ou chapéu canário
De palha aceso e eu ingrato, inchado

Descanso no mar que aqueceu, acendeu
Inflamado o mar Egeu, amargo de
Cianeto, castrado o Santo, o Sapo
E os Infantes prisioneiros das balsas

Dos servis, jangadas de Pedra e ossos…









Jorge Santos (Março 2022)















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Jorge Santos/Joel Matos

 
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(Namastibet)
 
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Enviado por Tópico
(Namastibet)
Publicado: 15/03/2022 16:26  Atualizado: 16/03/2022 09:00
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Usuário desde: 18/08/2021
Localidade: Azeitão, Setúbal, Portugal
Mensagens: 1549
 o bom cidadão ocidental não chora igual por todos






















































(....)O humanismo genérico serve para qualquer um em qualquer parte do mundo - o humanismo ocidental é especial, o humanismo ocidental é único, o humanismo ocidental é original, o humanismo ocidental exige mais de mim...
O humanismo ocidental é seletivo: ignorou os 12 mil haitianos enviados pelos Estados Unidos para a prisão de Guantánamo e a invasão do país em 1994; ignorou a instigação e a participação da NATO nas guerras da Jugoslávia e os seus 150 mil mortos; ignorou as duas Guerras do Golfo, a mentira que desculpou uma delas e os 100 mil mortos diretos que os combates provocaram; ignorou mais 100 mil mortos que o Iraque "protegido" pela coligação internacional lá instalada provocou; ignorou a presença norte-americana durante 20 anos no Afeganistão e os 65 mil mortes que ali ocorreram; ignorou os envolvimentos, desde 2001, diretos ou indiretos, de forças ocidentais na Síria (estimam-se 400 mil mortes); ignora o que se passa na Somália e no Iémen; ignora a ocupação da Palestina por Israel e, nos últimos anos, os 21 500 mortos desse conflito.

O humanismo ocidental tem coração mole para um lado e coração de pedra para o outro.
As guerras espalhadas pelo mundo com envolvimento do Ocidente somam, em 30 anos, quase um milhão de mortos, a grande maioria civis, mas o bom cidadão ocidental não chora por eles.
O humanismo ocidental é dúbio. Condena vigorosamente a prisão do opositor de Putin, Alexei Navalny, mas deixa apodrecer na cadeia o denunciador das brutalidades das tropas americanas e da NATO, Julian Assange.

O humanismo ocidental é criterioso. Manifesta-se quando críticos de Putin são envenenados no estrangeiro mas arquiva no esquecimento o cientista inglês David Kelly que, misteriosamente, suicidou-se dois dias depois de depor no parlamento sobre a falsificação de provas da existência de armas de destruição maciça no Iraque. E o jornalista que deu essa notícia em primeira mão foi despedido.

O humanismo ocidental é esclarecido. Classifica a imprensa estatal russa de instrumento de propaganda "tóxica" mas glorifica o World Service da BBC, pago pelo Ministério dos Estrangeiros britânico e onde muitos jornalistas portugueses que lá trabalharam foram obrigados, durante décadas, a pedir autorização superior para fazer qualquer tipo de entrevista... e essa autorização só vinha depois de lida a lista de perguntinhas a fazer!

O humanismo ocidental é dinâmico. Indigna-se aos gritos com a censura de Putin ao jornalismo independente, mas refila baixinho quando proíbem a Russia Today de emitir no Ocidente ou quando os potentados das redes sociais, que ninguém controla, filtram o que o povo pode ou não pode dizer.
O humanismo ocidental enerva-se com a brutalidade policial contra manifestações políticas em países longínquos e contra as prisões indiscriminadas de gente comum, mas cala-se, conformado, quando isso é feito nos seus países contra os que recusam vacinar-se, contra os que exigem direitos para os negros, contra os sindicalistas, contra os imigrantes pobres e de pele escura. O humanismo ocidental já nem se lembra de George Floyd.

O humanismo ocidental é espertalhão. Explica todas as intervenções militares do Ocidente no resto do mundo com a necessidade de defender a democracia, o contexto histórico e sociológico das regiões, as tensões estruturais das economias locais, as rivalidades das religiões, as divisões tribais, as fronteiras mal definidas, a selvajaria dos ditadores locais. Mas para comentar a guerra ucraniana só aceita começar a análise por um facto:
Putin invadiu no dia 24 de fevereiro o país de Zelensky. Falar do que está para trás, dos 13 mil mortos do Donbass, do crescimento da NATO para leste, por exemplo, é trair a Ucrânia, é trair o Ocidente, é trair a humanidade - e se o fazes, és mesmo má pessoa!

O humanismo ocidental é ingrato. Garante que a Rússia não é do Ocidente, exige que ignoremos 2 mil anos de cristandade partilhada, as leituras de Dostoiévski, Tolstoi, Tchekhov, Gorki; as músicas de Tchaikovsky, Stravinsky, Shostakovich, Prokofiev; os filmes de Eisenstein, Tarkovsky; os pensamentos de Bakunine, Lenine ou Trotsky.
O humanismo ocidental acredita que nada deve do que é à Rússia.
Eu adoro os valores teóricos do humanismo ocidental, são um exemplo para o mundo, a sério, mas não aguento a constante prática violenta do humanismo ocidental, uma vergonha neste mundo, a sério.



Jornalista Abdul Cadre



















































































Enviado por Tópico
(Namastibet)
Publicado: 16/03/2022 11:04  Atualizado: 16/03/2022 11:12
Subscritor
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 Acabei finalmente
eu penso ... (mas doeu)