Poemas : 

Não tragas flores garridas

 
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 Não tragas flores garridas
 





Não tragas flores garridas


Não tragas flores garridas,
Sabes que eu espero colado
Ao dia de acontecer, vestido
De negro, fiel ao gesto largo

De cego que sentindo-o, sou.
Tud'o que vejo ou são arestas
Ou o que me resta é ninguém,
Verdadeiramente omisso, fútil

Rotundo lago, ave sem voo,
Prevaleço vago, enviesado, velado
Selado, hostil órgão sem brasão,
Dor esperança, sei lá, tudo.

Contento magr'o desejo vago,
Parado à porta de uma capela
Que nada rende, alt'o preço
Ou vulgar que seja, tosco falso,

Malfeito e sem ombros, põe
Flores modestas no altar ou
Num simples copo de barro,
Sinto neste dia que já morri

Anteontem bebendo desse
Mesmo dúctil vaso, amargo
E amarelo poeira, dá-me o
Privilégio d'coisa alguma

E eu recolherei pobr'à casa
Feita da caruma do pinheiro,
Pudesse eu aí viver, pudesse
Eu ser eu mesmo, fim de dia,

Não tragas flores garridas
No teu cabelo negro visgo...



Joel Matos (05 Junho de 2024)




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santosjorge
 
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