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    <title>Luso-Poemas</title>
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    <description>Poemas, frases e mensagens</description>
    <lastBuildDate>Sun, 19 Jul 2026 16:16:56 +0000</lastBuildDate>
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      <title>Luso-Poemas</title>
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      <title>Encontro</title>
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      <description>Sente.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não disse à vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fale.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou minta.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá no mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou parede de confessionário.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O choro mancha a folha  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e eu preciso dela seca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tire.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A blusa.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devagar.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora o resto.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixe a vergonha em cima da cadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou olhar.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou anotar.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você ficar ou sumir pela porta  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu continuo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo com a mesma mão  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que te despiu.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda suja de sexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elias dos Santos&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Fri, 15 May 2026 16:30:40 +0000</pubDate>
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      <title>Estômago </title>
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      <description>Estômago&lt;br /&gt;Prefácio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este poema integra um estilo literário experimental que estou desenvolvendo, baseado na construção narrativa reduzida a substantivos, verbos e pontuação. A ausência proposital de adjetivos e advérbios convida o leitor a preencher as lacunas emocionais e sensoriais, completando o texto com suas próprias impressões, valores e filtros pessoais. Assim, a história torna-se aberta, permitindo múltiplas interpretações subjetivas, sem descrições fechadas ou julgamentos prévios. Trata-se de uma proposta que busca aprofundar a participação ativa do leitor na construção do sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prato. Garfo. Armário. Porta. Abrir... Nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheiro. Boca. Saliva. Amarga. Mãos. Dedos. Rosto. Joelho. Busca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raspar. Raspar. Raspar. Lata. Parede. Som. Corpo. Corpo treme! Corpo grita! Corpo... cala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fome. Fome dobra tempo. Dobra rua. Dobra sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fila. Passo. Passo... Espera. Promessa? Mentira? Mentira. Mentira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Papel. Nome. Carimbo. “Amanhã.” Olhos. Olhos da criança. Pele. Osso. Rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio... Pressa! Roubar? Não. Sim? Dúvida. Dente. Boca. Fome — grito. Mudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mãe... pensa. some. volta. Saco. Bolsa. Cabeça baixa. Vergonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esconder — a fome. a vergonha. Olho no chão. Fuga. Pesa. Tremor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tonteira. Vista... escurece. Sonho: sabor! Caldo. Arroz. Carne!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Garfo. Gole. Riso — grito! Acordar... Boca. Saliva. Amarga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estômago. Dói. De novo. Sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elias dos Santos</description>
      <pubDate>Sat, 12 Jul 2025 18:14:18 +0000</pubDate>
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      <title>Tempo sem tempo </title>
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      <description>I. Olhar filosófico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Se é preciso tempo para viver, por que vivemos como se o tempo fosse coisa alheia?&lt;br /&gt;Medimos a existência em relógios, mas esquecemos que o tempo não se mede: se esculpe.&lt;br /&gt;E na pressa de chegar, perdemos o único lugar que tínhamos: o agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II. Olhar psicológico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivemos ocupados, ansiosos, cheios de metas,&lt;br /&gt;mas vazios.&lt;br /&gt;O tempo nos escorre pelo afeto não dito, pela presença ausente, pelo abraço que virou notificação.&lt;br /&gt;Ter tempo virou luxo, mas o luxo é poder parar e respirar sem culpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III. Olhar estético-existencial&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há beleza em uma tarde sem urgência.&lt;br /&gt;Há arte em ouvir o silêncio de si mesmo.&lt;br /&gt;Mas fomos ensinados que só vale o que produz.&lt;br /&gt;E agora caminhamos entre obras inacabadas,&lt;br /&gt;nós mesmos inacabados, cansados de tentar completar calendários que nos devoram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV. Olhar espiritual&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Deus, se é que ainda sussurra, não está no futuro que corre, mas no instante que pousa.&lt;br /&gt;Amar é dar tempo, rezar é silenciar as tarefas.&lt;br /&gt;A eternidade não está depois da vida: talvez esteja no intervalo entre dois pensamentos&lt;br /&gt;sem cobrança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V. Olhar poético&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo, menino traquina,&lt;br /&gt;esconde-se debaixo da cama&lt;br /&gt;sempre que queremos brincar.&lt;br /&gt;Mas às vezes, ele volta &lt;br /&gt;entre um café e um pôr do sol.&lt;br /&gt;E se ri com a gente,&lt;br /&gt;é porque sabe que viver&lt;br /&gt;é também saber parar para dançar&lt;br /&gt;com o que nos falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Síntese atemporal &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem vive sem tempo, morre em partes.&lt;br /&gt;E quem descobre o tempo dentro do peito,&lt;br /&gt;descobre o coração como relógio:&lt;br /&gt;não para medir, mas para pulsar</description>
      <pubDate>Sun, 29 Jun 2025 20:16:07 +0000</pubDate>
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      <title>Amor?</title>
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      <description>Sua carne palpita. Seu coração acelera. Seu corpo quer amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas seu amor não é feito de flores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu amor solicita, ordena um arco-íris de sensações, todas moldadas por você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, sua face se avermelha, quente, dominada por seus desejos mais instintivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu corpo agora recende ao querer, seu sexo está pronto para acasalar, para se dar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua entrega nunca é dócil, nem mansa, é guerreira, tanto quanto a dureza de que usa para me submeter. Seu mais íntimo e recôndito fragmento está entumescido, seus seios são desafiadores .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo me convida à fome, a fazer o que te prende a mim, te ver suspirando em chamas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você, então, sorri baixinho, plena e realizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É inevitável voltar-me para meu desejo, meu medo, minha ambiguidade sobre você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odeio amar seu corpo, me sentir usado, ultrajado, mas me revolto, manipulando seu desejo até vencê-la. Você só se distancia de mim até que eu a toque. Sua altivez, sua soberba, sua independência acerbam minha vontade de domínio, mas, por que, diabos, me vejo como a vítima de um predador implacável? Vou me insurgir, vou exercitar o poder que sempre me acompanhou em tantas camas. Não posso te controlar, mas posso te fazer entrar em um transe no qual seu corpo é fugazmente meu, porém, tomando posse do meu. Posso não te vencer nunca, ainda assim não permitirei que se aposse do meu ser de modo tão avassalador. Não serei seu súdito, seu objeto de prazer tão somente, quero usufruir do seu corpo, do seu sexo flamejante, numa entrega que também furta, fere e subjuga. Você não me cumprimenta quando a encontro casualmente na rua, me ignora de um modo que machuca. Eu não a convido para um jantar. Por que somos assim? Não poderia ser diferente, nesse amor ancestral pré-histórico:  a  mulher com as pernas abertas não convida apenas ao amor, convida à uma forma de posse, que a atinge em seu âmago de fêmea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que, então, sinto que sou eu o possuído?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou despertar seu desejo mais uma vez, bolinar em seu ego, morder delicadamente, submisso, seu sexo misterioso e tentador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nesse momento saberei que você, enfim, tornou-se brutalmente mulher, está em paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma paz breve, que durará até nosso próximo encontro, fugaz e avassalador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazendo aflorar meu prazer de macho alfa e sua volúpia dominadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos amantes de um momento de dor emocional extrema, mas de um prazer refinado e obsessivo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descanse agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durma em paz com seu corpo provisoriamente repleto de amenidade e seu amor insondável satisfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você sabe, e eu também, que amanhã estarei de volta. Ainda tremo só de pensar em dizer que te amo...</description>
      <pubDate>Sun, 01 Jun 2025 21:50:57 +0000</pubDate>
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      <title>Da insuportável bondade </title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=378278</link>
      <description>Da insuportável bondade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bondade... palavra mole, palavra viscosa,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que me escorre pelos dedos quando tento segurá-la!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pior do que a maldade crua, brutal, honesta,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É essa bondade doce e adocicada,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que cheira a perfume barato e a desculpa ensaiada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bondade é o teatro dos fracos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bengala moral dos que não têm coragem de ser monstros!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preferia mil vezes um inimigo sincero&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do que um amigo bondoso que sorri enquanto me apunhala com ternura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantos atos de bondade são apenas gestos de culpa enfeitada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantos abraços caridosos escondem nojo e piedade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas esmolas são cuspidas com luvas de veludo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não quero a tua bondade,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero essa necessidade urgente de te sentires puro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz o mal, se tens de fazer — mas sê grande nisso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não mintas para ti mesmo com esse sorriso de papelão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bondade verdadeira (se existe...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deveria ser um relâmpago frio, sem vanglória,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um gesto que se desfaz no próprio ato,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como uma lágrima que ninguém vê cair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nós, humanos, precisamos tanto de nos iludir,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que inventamos a bondade como quem inventa um céu de papel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para cobrir o lixo onde nos deitamos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim seguimos — puros, bondosos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto apodrecemos lentamente por dentro,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheios de boas intenções.</description>
      <pubDate>Tue, 27 May 2025 14:03:07 +0000</pubDate>
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      <title>Enquanto te inventava</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=378268</link>
      <description>Amei-te primeiro na ausência —&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;porque lá, onde não estavas,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pude pintar-te sem que protestasses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinhas a delicadeza que eu precisava,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e nunca interrompias meus silêncios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criei-te perfeita&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;para não ter que lidar com teus limites&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou os meus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vieste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com tua pressa, tuas dores mal contidas,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tuas palavras tortas ao fim do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieste e foste ficando,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sem promessas,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sem enredos líricos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu, que sempre preferi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o brilho ao toque,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;precisei aprender que o amor também pesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teus gestos, por vezes, me confundem —&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas percebo que também me observas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sem saber se devo caber em teu sonho antigo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou apenas na tua cama desarrumada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então compreendo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não sou só eu que projeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu também me tens num esboço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;rasurado pelas manhãs difíceis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e pelas ausências que não confessei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É estranho amar-te sem controle,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sem sabedoria estética,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com a dúvida nua entre nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é aqui —&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;justamente aqui —&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que talvez o amor recomece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escolho-te.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não como ideal,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas como risco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não por aquilo que te falta,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas por aquilo que tentas esconder&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e mesmo assim me deixas ver.</description>
      <pubDate>Mon, 26 May 2025 22:13:00 +0000</pubDate>
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      <title>Olhos de mulher </title>
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      <description>É presença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ela olha, não suplica — incide.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não invade, não pede: decide.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém passa,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ninguém é permitido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendeu a ver&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no escuro dos dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;seus olhos cresceram antes do corpo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;caíram do colo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;caminharam sós pelas frestas dos silêncios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A infância não teve onde se esconder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperava —&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas já sem esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde havia sonho,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ficaram cicatrizes que agora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;medem distâncias com precisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amou demais —&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas fora do campo de visão do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, não pergunta por piedade,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pergunta por verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quem ousa encará-la&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não volta o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu olhar mostra tudo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;porque vê inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que é visto assim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não se desfaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela mora nas brechas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;entre o que nunca foi dito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e o que se cala por sabedoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali, o silêncio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é arte antiga —&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;feito fio tenso de bordado interrompido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que diz mais que o pano concluído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sabe calar com elegância crua,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como quem dança no limiar do som.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se molham os olhos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não é só dor:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é cansaço,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é raiva,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é o riso que sangra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no exato instante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em que o mundo perdeu o juízo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela viu um brilho —&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas guardou a luz,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com medo da cegueira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque sabe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o que brilha demais,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;às vezes cega antes de aquecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fecha os olhos como quem vira a página&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de um livro que se entendeu demais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e já não quer ser relido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é enigma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É inteireza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pede que a decifrem —&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quer quem a sustente,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mesmo muda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que permaneça,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mesmo sem legenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém que saiba&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que seu nome também se escreve&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no intervalo entre uma palavra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e o silêncio.</description>
      <pubDate>Sun, 25 May 2025 17:25:57 +0000</pubDate>
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