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    <title>Luso-Poemas</title>
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    <description>Poemas, frases e mensagens</description>
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      <title>Luso-Poemas</title>
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      <title>Estação Central das Almas Vazias</title>
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      <description>O asfalto bebeu a chuva que caiu no início da noite&lt;br /&gt;e agora brilha como um espelho sujo,&lt;br /&gt;refletindo um céu sem estrelas, opaco como o chumbo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou nada.&lt;br /&gt;Nunca serei nada.&lt;br /&gt;Não posso querer ser nada.&lt;br /&gt;À parte isso, trago em mim todos os desvios de rota,&lt;br /&gt;as garrafas quebradas no meio-fio&lt;br /&gt;e a certeza de que o amanhã é só mais um balcão manchado de café.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho para os transeuntes que cruzam a avenida.&lt;br /&gt;Eles andam depressa, fingindo que têm para onde ir,&lt;br /&gt;como se o destino não fosse o mesmo beco sem saída para todos nós.&lt;br /&gt;Sinto-me múltiplo e, ao mesmo tempo, perfeitamente deserto.&lt;br /&gt;Cada sombra que passa carrega um pedaço do que deixei de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há metafísica nesta esquina que não seja a contagem dos postes.&lt;br /&gt;A beleza daqui é feita de ferro gusa e lâmpadas que piscam,&lt;br /&gt;um monumento à nossa própria ruína.&lt;br /&gt;Finjo que sou o poeta que observa a noite,&lt;br /&gt;quando na verdade sou apenas a própria noite,&lt;br /&gt;olhando para si mesma através de uma vidraça trincada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou cansado, não do que fiz,&lt;br /&gt;mas do que a realidade insiste em me lembrar a cada esquina:&lt;br /&gt;que existimos, apesar de tudo,&lt;br /&gt;com a crueza de um dente quebrado e a lucidez de um teto que desaba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autor dos E-books. Disponiveis na amazon.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atlas do Abismo&lt;br /&gt;&quot;poesia urbana&quot;</description>
      <pubDate>Tue, 26 May 2026 12:00:17 +0000</pubDate>
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      <title>O que Fica no Silêncio</title>
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      <description>A dor não nasce das páginas lidas,&lt;br /&gt;nem do tempo gasto nos dias que passaram,&lt;br /&gt;mas dos sonhos em suspensão,&lt;br /&gt;do vazio que não encontrou caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma estrada sem pegadas,&lt;br /&gt;uma ausência que ecoa sem palavras,&lt;br /&gt;um abraço que nunca encontrou forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O peso mora na promessa não dita,&lt;br /&gt;na curva onde a esperança hesitou,&lt;br /&gt;na imagem que paira no invisível,&lt;br /&gt;no silêncio entre o desejo e a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada passo é uma sombra de possibilidades,&lt;br /&gt;o rastro de um amanhã que não chegou,&lt;br /&gt;uma lembrança do que não pôde ser,&lt;br /&gt;daquilo que se perdeu no espaço da espera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica o intervalo de um suspiro,&lt;br /&gt;o murmúrio dos sonhos deixados ao acaso,&lt;br /&gt;pedaços de luz que nunca tocaram o chão.&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Sun, 12 Apr 2026 12:37:30 +0000</pubDate>
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      <title>Elegia ao Luar Enforcado</title>
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      <description>Sob a torre onde o vento lamenta solitário,&lt;br /&gt;ergue-se a lua pálida, forca num céu partido.&lt;br /&gt;Os sinos soam como se enterrassem o tempo,&lt;br /&gt;e cada badalada rasga mais fundo o manto da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Ó morte, minha amante de véus intermináveis,&lt;br /&gt;beija-me nos olhos antes que o sono me tome.&lt;br /&gt;Pois já não temo teus dedos frios,&lt;br /&gt;mas o rumor do silêncio que deixas atrás de ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi no espelho um vulto que não era meu reflexo,&lt;br /&gt;e ele me falou na língua dos afogados:&lt;br /&gt;— Tudo o que amas é já ruína,&lt;br /&gt;e todo juramento é apenas cinza disfarçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então caminhei pelo corredor dos quadros antigos,&lt;br /&gt;onde rostos sem nome seguiam meus passos.&lt;br /&gt;Ali, o poeta sombrio teria chorado sua última tragédia,&lt;br /&gt;e Eu encontrei mais um corvo sem asas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu coração, esse relicário de tempestades,&lt;br /&gt;bate como porta trancada em casa vazia.&lt;br /&gt;Não peço clemência, não peço auroras&lt;br /&gt;apenas que a escuridão me trate como filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o amor vier, que venha em luto,&lt;br /&gt;trazendo nas mãos um cálice de veneno e vinho.&lt;br /&gt;Pois beberei ambos, sorrindo,&lt;br /&gt;como quem brinda ao próprio epitáfio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando o último suspiro se vestir de sombra,&lt;br /&gt;que minha voz se dissolva no vento,&lt;br /&gt;para que alguém, um dia, a confunda com prece&lt;br /&gt;e descubra tarde demais que era maldição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no E-Book - Atlas do Abismo.&lt;br /&gt;Amazon.</description>
      <pubDate>Fri, 27 Mar 2026 11:49:59 +0000</pubDate>
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      <title>Eclipse do Coração Noturno</title>
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      <description>No domo sombrio do tempo suspenso,&lt;br /&gt;teu vulto é farol que nunca se acende.&lt;br /&gt;Espero-te como quem aguarda séculos,&lt;br /&gt;sentinela de ruínas,&lt;br /&gt;erguido apenas pela febre de teu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No silêncio das catedrais desertas,&lt;br /&gt;teu eco rasga as paredes da minha alma.&lt;br /&gt;És ausência que me envolve como véu,&lt;br /&gt;és sombra que se deita no meu peito&lt;br /&gt;como amante que nunca chega,&lt;br /&gt;mas sempre permanece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor, punhal oculto no nevoeiro,&lt;br /&gt;coroa-me com cinzas e abismos.&lt;br /&gt;Quero-te como quem deseja o impossível,&lt;br /&gt;um toque entre estrelas mortas,&lt;br /&gt;um beijo que se dissolve no ar noturno,&lt;br /&gt;mas ainda assim fere como bênção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando a noite se curva sobre mim,&lt;br /&gt;quando todo o mundo é apenas eclipse,&lt;br /&gt;meu coração, faminto de tua escuridão,&lt;br /&gt;arde em vigília eterna.&lt;br /&gt;Pois amar-te é perder-se,&lt;br /&gt;e perder-se é a única forma&lt;br /&gt;de existir em ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no E-Book: Atlas do Abismo&lt;br /&gt;Amazon. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brasil, março de 2026</description>
      <pubDate>Thu, 26 Mar 2026 13:42:23 +0000</pubDate>
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