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    <title>Luso-Poemas</title>
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    <description>Poemas, frases e mensagens</description>
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      <title>Luso-Poemas</title>
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      <title>o não barulho. </title>
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      <description>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;todas as palavras não as sabendo, se as pronunciasse, eram como chamar-te pelo segundo nome que só eu sabia. e se eu soubesse o nome que te deram as palavras, não as dizia. nem tão pouco as inventava quando me sentisse só, sem ti. e todos os silêncios seriam como lembrar-me dessas outras, as palavras, que ao teu nome levaria. e tudo isto me faria acreditar que quanto mais te esqueço mais te lembro. e lembrar e esquecer são o mesmo, quando choro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Fri, 05 Nov 2010 11:42:52 +0000</pubDate>
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      <title>a que dói. </title>
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      <description>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não posso, sei-o, esquecer-te. esquecer a noite azul em que partiste com as estrelas azuis ao colo. que manto cobrirá agora as noites. se ao menos as tivesses levado todas. se ao menos me tivesses levado como a uma estrela. podia agora chorar no teu colo, deixar-me cegar por uma nesga do teu cabelo. não posso não lembrar-te, sei-o. todas as palavras depois de ditas desaparecem, vão para as noites que levaste, decerto. não posso não lembrar as noites no teu rosto, sempre azuis. e as estrelas amarradas à pele da tua barriga, tão de força. tinha inventado para nós um lugar onde não houvessem dias. que a escuridão vivesse para sempre nos teus olhos. talvez aí entendesses quando eu te dizia que é difícil encontrar estrelas. talvez então percebesses que as estrelas vivem por dentro da película transparente que segura os olhos. não posso. nunca mais. não voltes. não saberia como abraçar-te agora que já sei da falta que me fazes. e se partisses de novo, quem me promete que não levarias todas as estrelas azuis. porquê. sei-o. todas as noites são tuas, mesmo depois de partires, ainda cá vivem para te esperar. se tu soubesses do que conto às noites, que a escuridão é leve afinal e breve é o choro. que já não sei chorar sem as tuas mãos na minha cara. que já não sei cair sem o teu corpo. desculpa não ter chamado pelo teu nome todos os dias. não sei como dizer silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Sun, 24 Oct 2010 21:15:33 +0000</pubDate>
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      <title>a segunda. </title>
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      <description>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pela segunda. manhã ou tarde, não estou certa. deitou as mãos à cabeça, o homem. mais à frente penso que pensou em mim, a pequena com o rosto deitado na corrente. o olhar desperto e ao largo os sapos. era a segunda, a pequena, de manhã ou de tarde. e no sorriso faltava-lhe os dentes, ao homem, estava deserto. com as mãos deitadas na cabeça desceu a rua. os pés correm-lhe à frente do corpo até ao rio. pela segunda a pele não volta. não há regressos quando o corpo parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; </description>
      <pubDate>Sat, 23 Oct 2010 13:30:21 +0000</pubDate>
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      <title>a pequena. </title>
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      <description>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tomada por assombro ou paz, corria. a pequena levava o rosto ao colo calçada abaixo, até ao rio. um sorriso enorme e aberto dentro da boca, à espera. nenhuns braços a abraçam, nem hoje, que morreu alguém e os sinos batem. a mãe, que não sabe, ainda, a mãe, que nunca soube, não chora. não. a pequena não tem idade de ver morrer alguém. e a pequena chora calçada abaixo até ao rio, sob a dobra do vestido uma pequena erva presa. e a água, ao fundo, os sapos na beira. a pequena tira os sapatos, depressa. os pés estão-lhe frios. e o rio chama por ela e ela vai até ao rio, a água nos olhos e nos pés, nas pernas e no colo, no rosto e no cabelo. a água. e os sinos batem e o coração bate. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Fri, 22 Oct 2010 13:33:29 +0000</pubDate>
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      <title>arma dura </title>
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      <description>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que fazer quando tudo arde. com a sala inacabada. o corpo às voltas e a aflição. não perguntar à consciência quais são os limites da fuga. ir, sem olhar para trás. o destino é morrer. é quando a porta se abre que a cabeça se fecha. já nada pensa, nem a sombra. uma mulher vê-o cruzar a rua, a barriga apertada junto ao cinto das calças. está nua, camisola curta. a mulher respira e chama o filho que conhece então o rosto do pânico e chora. a mulher corre.ele de braços abertos.sempre de braços abertos. descalço.que fazer quando tudo arde. fechar os olhos é subitamente encontrar o teu rosto. deixo cair o corpo no passeio. um pássaro pequeno, vejo, vem ao meu encontro. é o lugar de ver o corpo imóvel. mas onde encontrar a raiz do medo quando o corpo volta por onde fugiu. assim cresce  uma árvore ininterrupta. não haver grades no céu nem se ouvir sequer o tempo, talvez a não existência de pequenos pássaros. como vês maior é o precipício e a queda quando o corpo não sabe fugir. se o rosto o dissesse quando regressa, corpo ao colo, pânico no ventre. talvez depois crescesse menos.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Wed, 01 Sep 2010 21:40:59 +0000</pubDate>
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      <title>cento e vinte e um. </title>
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      <description>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;falso é o lugar ocupado por uma nuvem estrategicamente posicionada para tapar o sol. falsas são as mãos que inventaram esta solução periódica para aumentar a dor. falso o coração quando chora a nuvem assim posta. falsa a cabeça quando não consegue ver o céu sem nuvens. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; </description>
      <pubDate>Sat, 28 Aug 2010 21:53:44 +0000</pubDate>
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      <title>o senhor Éme abraçou-me. </title>
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      <description>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;encontrei o senhor Éme esta manhã, estava sentado num poste de electricidade. perguntei-lhe onde tinha passado a noite, disse-me que estavam cheias as nuvens, ia chover. que a terra húmida é mais bonita. sorri. reparei que tinha ao colo meia dúzia de paisagens. disse-me que eram memórias que guardava, de lugares onde tinha ido, de pessoas que tinha abraçado. perguntei-lhe se o podia abraçar. já no chão arrancou-me os braços, meteu-os no corpo, bem agarrados ao pescoço. depois voltou para o poste. eu sem braços fui rua acima até casa.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  </description>
      <pubDate>Mon, 23 Aug 2010 08:32:38 +0000</pubDate>
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      <title>dor de r. </title>
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      <description>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tens razão r. a morfina não chega. é o corpo um sarcófago de memórias. hoje mesmo, quando te esperava, uma voz chamava o teu nome de dentro da minha boca, outra voz pequena chorava no meu ouvido. todas estas vozes agora se levantam. dizem adeus. queria ir com elas r. para longe, onde as memórias não me encontrassem. há uma boca que fica, passa-me os lábios na pele, diz-me bom dia. só queria um pouco mais de paz aos meus ouvidos. tens razão r. amanhã parto. mais cedo não pude que os olhos não deixavam e o coração nunca soube, o coração nunca soube que as pernas queriam ir por onde o corpo não ia. tudo isto te digo como se  chorasse. eu choro como as nuvens chovem. talvez as mãos por dentro da pele procurem por carinho. talvez. até lá saberei onde esperar com os braços ao pescoço. este mundo, estas pessoas, isto, não me pertencem. nada disto. vivo como se o não soubesse. quando tive a corda a árvore fugiu. quando dei com a árvore não sabia da corda. até sempre, digo-te. hoje mesmo grito que amanhã não me chega. hei-de espernear até as pernas me caírem. dir-te-ei que gosto de ti. esta noite, r., está fora. não é outra noite como as outras. se ao menos estas vozes me deixassem, se a corda e a árvore aqui estivessem, se a boca me dissesse bom dia, se eu, se tu, se nos encontrássemos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Sun, 22 Aug 2010 21:15:55 +0000</pubDate>
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      <title>o senhor Éme perdeu o tempo. </title>
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      <description>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ao descer a rua, estava o senhor Éme sentado numa árvore. perguntei-lhe pelo relógio, disse-me que adormecera com ele ao colo mas que de manhã ele já lá não estava. depois levou as mãos à cara, tirou-lhe o olho esquerdo e disse-me: se vais à procura dele leva o meu olho contigo, é o que vê melhor. fiquei a olhá-lo num intervalo de tempo, foi quando a minha boca sorriu e a dele também. com o olho na mão corri rua abaixo. quase ao fundo olhei para trás. vinha o senhor Éme a assobiar com o coração à cabeça. contei-lhe da minha preocupação. deu-me a mão esquerda e seguiu comigo rua abaixo em passo lento. já ao fundo disse-me que o tempo perde-se quando chega o amor.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  </description>
      <pubDate>Sun, 22 Aug 2010 02:44:00 +0000</pubDate>
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      <title>o senhor Éme partiu. </title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=147220</link>
      <description>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o senhor Éme partiu esta tarde com o coração à cabeça. estava a observá-lo quando o relógio de parede desatou a correr atrás dele. fiquei sem tempo. sentei-me e vi-o correr. já ao fundo da rua disse-me adeus. pouco depois parecera-me que dera um passo atrás. ainda virado para mim chamou pelo nome todos os pássaros que logo pousaram na sua camisa azul, muito azul. disse-me: eu amo-te. disse-me adeus com a mão direita faltava-lhe a esquerda. as nuvens, àquela hora, passavam tão baixo que ao virar a esquina o coração bateu numa. choveu o resto da tarde. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Fri, 20 Aug 2010 21:49:05 +0000</pubDate>
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