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Poemas, frases e mensagens de Miana

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Miana

Era uma vez

 
O pensamento desvanece,
líquido sublime da coroa,
o que vai não volta.
O negro é negro
e a passagem do tempo
vem silenciosa
perturbar a essência.
Tinha dito que tudo
era nada. Exato.

Mais drogas no corpo,
menos vida na alma.
Jurei que o meu chi
é agora um túnel escuro,
jurei mal o vi.
Mas não o jurei a ninguém
se não a mim.

Queria calma.
Queria plenitude.
Equilíbrio.
Não sei se volto
a contar até três.
Quando estudei o ser,
tudo o que vi
estava a apodrecer.
Agora,
era uma vez.
 
Era uma vez

Não mais

 
Não quero ir a lado algum hoje.
Não quero desistir de novo também.
Não quero deixar de ver lua e estrelas
como aconteceu tanto no passado.
Não quero ver o amanhã.
Estou tão só
quando tantas pessoas me rodeiam,
mais do que só.
Na morte,
só somos todos.
E não há espírito para sucumbir.
Cessa o corpo,
último fôlego.
Não tenho medo
e esse é o problema.
Ter medo é querer viver.
 
Não mais

Conversa fiada (de resto...)

 
Queria dizer-te o que não digo
No silêncio desta conversa fiada
- nem a ninguém, na verdade.
Queria abraçar-te o mundo
e mostrar-te o quão desnuda
Me sinto e quero
A teu lado.

Queria voltar a saber usar as palavras,
Como tão bem o sabes tu,
Para dizer-te como te quero,
Te sinto, te amo.

Já o disse antes:
O amor é tudo.
E nesse tudo te quero encontrar,
Nesse tudo quero ficar contigo
E dizer-te tudo o que ficou por dizer.

Agora, estás aqui.
E por enquanto neste abraço
Me derreto e te espero mais.
O desejo cresce,
O querer renasce e se elabora
Em formas carnais e íntimas.

Hoje, o meu mundo é teu.
O será até mais ver.
Assim o quero,
Assim te desejo e te amo.

Dá-me a mão
E deixa-me ver
Quem és por dentro.

Deixa-me deitar-me a teu lado
E mais não ser do que tua.
Deixa-me crescer,
Para que não sofras
Com as minhas falhas,
defeitos, deturpações.

Amo-te: isso é certo.
O resto é conversa fiada.
 
Conversa fiada (de resto...)

Tristeza

 
Baloiço sem sentido,
navego na tristeza de novo,
como sempre.

Uma palavra não chega,
mas esta jornada já foi mais...
hoje não é nada.

Canso-me de estar cansada,
iludo-me outra vez
com a epidemia parva da esperança.

A luz que existe
apaga-se quando escurece,
ainda há a noite de que tanto gosto.

Reflito sobre mais uma perda,
ainda que inventada pela minha mente,
ainda que irreal sendo verdadeira.

Espero de novo que possa acabar,
sem êxito nos desejos
- o fim não me está nas mãos.

Se a força está na vida,
a saída não é esta,
mas qual é então?

Trazer mais dicotomias,
mais dores e ilusões,
sobreviver apenas.

Então digam-me como é bom viver.
mais uma vez não acredito,
mais uma vez não o vejo.
 
Tristeza

No barco

 
Estou sozinha neste barco sem destino,
Rumo ao mar da realização sem o alcançar,
Perco a conta aos dias, às vezes,
Perco a conta às vezes em que perco o rumo,
Perco os dias a contar o que não alcanço...

Quando vira a maré,
Vira o barco:
Afundo-me na água -
- ainda não aprendi a nadar.

Lanças-me uma bóia,
não a alcanço.
Dás-me a mão,
mas já não respiro...

A maré volta a baixar,
Volto a navegar
(mas já não respiro ...),
A algum lado hei de chegar.
 
No barco

Memórias do agora III

 
Se era para viver,
Ensinar me ia o vento.
Na falta de melhor mestre,
Quem mais poderia querer?
 
Memórias do agora III

Pendente

 
O sorriso grande, grande.
Por dentro,
um pânico tal
que os olhos quase,
quase chovem.

Saber a existência
como ela própria
- só saber,
porque já nada é real.

Mais uma lua
como de dia.
Ouvir e não escutar.

Tão pequeno o mundo,
sendo nada.
É real o real
ou a mente
num canto fechado?
Só se quer,
mas tão mais do que não há
pode ainda estar.

E depois?
Onde fica
o ficar?
Por fora é ilusão,
o interior quebra
não podendo sair.

Só no sítio escuro.
 
Pendente

Demónio (em mim)

 
Agarro-me às pétalas vermelhas
que levam a dor com elas;
alguma dor sem pétalas, da vida.
Tenho o corpo cansado,
de tanto cansaço no peito
que transbordou.
A lua não mais veio,
é uma noite cerrada de nada,
desfalece a Vontade.
Não quero ficar.

Fui a outros mundos:
não pude continuar.
Levei o veneno, a droga e o punhal:
nenhum foi o herói.
Querem que fique:
não quero ficar.

Sufoco por não poder decidir a vida
- ou o fim dela.
Não quero ficar, já disse!

Deixem-me ir para o diabo.
 
Demónio (em mim)

Infinitamente

 
Em parte, queria ser tua.
Meu amor.
Não mais vejo a luz dos meus olhos,
Nem quero olhar no espelho
E não saber o porquê
De te amar.
Ama-me, por favor.
Consola-me só mais uma vez
E diz-me que voltas
Para não regressares nunca.
Não sou hipócrita.
Se tu não vens,
Bem podia ir eu, mas não deixas.
Pedes: vem;
Depois, passam as águas,
Correntes fortes
E silêncio.
És isto: .
Um ponto.
Mas no fim não,
Não há final
 
Infinitamente

Bom dia, manhã!

 
Manhã 1:
Abro os olhos
e a janela, ainda escura,
sem a luz do nascer do sol,
volta a fechar.
(não) Acordar,
conforme os dias.
Sempre, sempre...
trovões.

Manhã 2:
Sair da cama
(ainda sem silêncio,
trovoada...)
porque tem que ser.
Tudo ainda em aberto,
mas é a tentar ter um pouco
que me perco do trilho.
Não dizer
que sou isto ou aquilo.
Perguntar de novo
se hoje sigo um bom rumo.
Ainda não.

(manhã) 3:
Recomeçar...
bem, desta vez?

(...)
Manhã... 20:
Ainda não é desta.
Desisto de um bom dia?
Que comece,
ao menos!
Fazer o que
é preciso.

Longa manhã: bom dia.

.O outro lado da moeda aqui:
http://abrisaquemelevou.blogspot.pt/2015/05/bom-dia.html
 
Bom dia, manhã!

Onde está (escrita automática IV)

 
A minha mente corre,
O que vais fazer?
Adoro o sol, adoro as nuvens,
Odeio-me em todas as peças.

Nada.

Se um dia quiseres visitar as minhas entranhas mais profundas,
Se te quiseres envolver em fantasmas e alucinações,
És bem-vindo.
Só não me deixes adormecer...

E eu amo todos os deuses e santos em que não acredito,
Preocupo-me tanto contigo mas não vale a pena.
Encontrei inspiração na dor!
 
Onde está (escrita automática IV)

Dissolver a lua

 
Ninguém me falou do rubi
quando era criança.

Ninguém falou dos momentos
que passaria nele,
presa em delírios mutilantes
ou "ser'es" da memória.

Mas não eram eles.

Era supre... macia.

Não sabia, portanto,
O que era a folha,
Nem a de papel
(embora tenha vindo
a sabê-las todas).

Não falaram nas horas
passadas a querê-lo,
nem nas horas
passadas a tê-lo
nas mãos,
ou no chão.

Descobri mais que isso!

Falem-me agora
do outro lado do rio.
 
Dissolver a lua

Saber sem acreditar

 
Sei que não sabes,
Mas sei.
Sei que não podes estar,
Quando a distância não permite.
Quem não sabe é o meu coração.

Então sei,
Sei bem,
Mas não acredito.

O meu sentir não me permite acreditar,
Este fogo queima por dentro
E grita "Fica!",
Mas não podes estar.

Eu, assim, não me sinto a ser.
Desculpa-me pelas dúvidas que te imponho
Como se não soubesse,
Mas não posso acreditar,
Porque não posso sentir.
Este quasi-delírio extermina a possibilidade de estabilidade,
Extermina a felicidade tão grande de estarmos,
Extermina qualquer réstia de bem estar.

Nada podes fazer.
A cabeça não segue a mesma direção,
Ainda que me possas dizer tudo.

Sei ouvir.
Só não sei acreditar.
 
Saber sem acreditar

Não sou

 
Hoje, sou eu a ver e ficar.
Hoje, sou eu a hipócrita
Que conhece a realidade
E não a confronta
Porque é demasiado dura.
Como se me esquecesse
De quem está por trás,
Como se não soubesse
Que o tempo não muda tudo,
Como se fosse menina outra vez.

Não sou.

Pedir desculpa de nada serve,
Lamentos não concretizam verdades.
Não quero aceitar que sou igual,
Não quero não assumir a culpa que me cabe,
Quero ser forte e dizer a verdade.

Não sou.

E não é a vida a fazer as coisas,
Somos nós que escolhemos.
Escolhi ser fraca.
Escolhi o mais fácil.
Escolhi nada. Não fazer.
Devia ser guerreira.

Não sou.

Se o mundo cair,
Não posso dizer que o tentei impedir;
Se não cair,
Provavelmente é o silêncio.
Também estive aí:
Envolvida na negação,
O segredo.

Isso sou.

Falo como se importasse...
Talvez não haja nada a fazer.
Talvez não me caiba isso. Talvez...
Que importa?

Afinal de contas,
Não sou nada.
 
Não sou

Memórias do agora II

 
Chegue-se quem ouve o tempo!
(e)Sentemo-nos na minha cama de penas.
Haverão visto antes asas nuas?
 
Memórias do agora II

Memórias do agora IV

 
Se sempre disse que morria,
morri da primeira vez sem o saber.
Nunca mais soube quem era antes
e nunca mais fui eu no espelho.

Agora,
que te sei perdido (de vez),
não quero nem acreditar;
ainda que sinta um embate monumental
no coração e no corpo,
em tentativa de me partir a mim (de vez).
Se a respiração dolorosa ainda acontece,
é por descrença
e negação ao fim.
Não acredito que não brilhe mais o sol,
ou brilhe lá tão longe
que aqui não haja réstia de luz.
Não posso.
Não seria verídica tal declaração
se não passa de um (e só um) coração.

O mar teu,
só um como ninguém,
escurece sozinho.
Há luz.
Só eu ceguei
(da primeira vez que partiste,
deixei de ser, sentir;
não existo).
Mas não acredito que não brilhe mais o sol.
Sol em qualquer lugar.

Se não soube dizer as verdades todas quando pude,
ninguém mais a quem culpar se não eu.
Daí,
não posso exigir factos
nem proferir reclamações.
Não quer dizer que lamente qualquer momento de luz
- não os lamento em nada.
A simples culpa já é comum
e de errado sei-o fazer sempre.
Não quer dizer que não deseje voltar a ver,
não quer dizer que só o precise.

Morrer,
já morri.

Ao menos risco já não o há!
Só me cansa ser morta-viva.
Porém,
não acredito que não brilhe mais o sol.
Acredito sim na evaporação do mar...
Quais ondas?
Hoje nem réstia de espuma,
ou trago salgado na areia.
Só espero que tantas nuvens no céu
não te impeçam de ver a luz (tua).

Que chova,
então.

Água (só)
já não é mar de qualquer forma.
Talvez o sal se encontre
em mais uma ou duas lágrimas
(espero que não tuas),
e depois acabou.
E eu sei que tenho razão
quando não acredito que não brilhe mais o sol.
 
Memórias do agora IV

Lugar vago

 
Era a loucura que frisava os meus cabelos
quando caía no chão sem ar.
Quando voava para lado nenhum,
sem céu para ficar,
não era a tua voz a prender-me,
nem nenhuma outra.

Os lamentos calavam-se,
mas a boca não sabia cessar.
Todo o tempo do mundo
era o tempo parado
que não pertencia à vida.
Se eu pudesse voltar,
talvez houvesse nova essência.
 
Lugar vago

Dor oca

 
Quando era frio, e se o é agora, sempre o sentia ao revés. Nos extremos, os estímulos transformam-se no seu oposto, e só um pólo negativo atrai um positivo. Mas é preciso lutar. Uma luta persistente e exaustiva, não pensem que é água de rosas!
Não conheço bem a felicidade. Deparei-me com ela, por muito pouco tempo, algures na vida. Sei estar contente. Aliás, sei irradiar alegria também. Por vezes. Mas é a diferença entre humor e emoção. O humor oscila tanto e tão rápido que nunca conseguiria registar todas as suas mudanças, mesmo que tentasse. Mas a emoção...é algo que perdura mais tempo - vejamos o caso do amor. Esse eu sinto, e de forma implacável. Mas há uma dorzinha intrínseca que que parece nunca desaparecer realmente e me acompanha ao longo da vida. Esta, tenho-a já de estimação. Não porque goste, mas porque não consigo que desapareça de mim. Era aqui que devia pedir ajuda, mas isso não sei fazer. Quem me tenta ajudar, falha, porque nada chega a essa dor de vazio. Porque sim, é profundamente vazia. Em vezes, cresce como colossal mas nunca deixa de ser oca. Já tentei desistir, mas agora não.
Dor, vivo contigo.
 
Dor oca

Leva o que não deixaste (escrita automática I)

 
E quando as horas passaram em mim como quem não pode ver a luz?
Decido tão freneticamente
novo impulso:
dar ideia ao sangue;
ao pó;
ao nada...
Sem forças já nem para segurar a arma,
só, só, só...
E quantos mais vêm,
mais os que não entendem,
mais só...
Destruíste o caos que restava.
Agora, onde está a força para voltar?
Não soubeste onde começava a tempestade,
mas como podes exterminar o ar?
Sufoco de novo na falta de existência,
e o vazio é mais uma vez o vácuo,
e não consigo ver o branco,
não existe cinza...
Tão nada,
o fogo queima mas não arde;
a garganta dói de gritos contidos,
ODEIO AMAR-TE!
Buraco negro...
Neste puro esquecimento,
onde está o fim?
 
Leva o que não deixaste (escrita automática I)

Alteza

 
O nobre dançarino da corte
Deu às servas lições de amor,
Retomadas em balanços leais
De esquecimento da dor.
Obediência ao rei
Foi esquecida entre pranto,
Bandejas e sabão
Eram tanto, tanto, tanto.
 
Alteza