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Poemas, frases e mensagens de johnmaker

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de johnmaker

A paz

 
Vou percorrendo a distancia do caminho,
Com os dedos,
A rebelar-te em verso, desde que a tenho escrito.
Devo soltá-la no reverso das ondas ,
Ou cavalgar nas tuas costas de embarcação pacífica,
Como se tu fosses um corcel proscrito,
Branco como é o rastro da tua espuma,
Até romper horizonte na ausência da minha chama...

Devo sorvê-la ou lhe recordar,
Em verso que escrevo deitado em minha cama?
Somos trilhas de rabiscos humanos em pergaminhos,
Devo segui-la entre o alvoroço
E o torvelinho das tempestades,
Com a lembrança compartilhada das pedras pelo caminho,
No encontro das tuas costas nuas,
Que me servem de inspiração.

Faço-te carinho,
hibrido ser, que pernoita em minhas profundezas,
Com poesias de papéis trocados, sozinhos, nus,
Versos que dão a mim
o prazer de lhe abrigar na minha tristeza,
E almejar a saudade, enquanto muda e calada,
Encontra em meus dedos parcos,
Os sombreados da lua,
Como barcos tristes delineados,
a percorrer o traçado na tua pele...

Entre o mar revolto e barracudas famintas,
Um peixe-lua vem brilhar no teu pensamento tatuado,
Tua tez de marinheiro embarcado balança frente a baía,
Tomando o rumo dos cabelos que voam,
Lambendo a brisa morna e tardia,
Enquanto o oceano dorme,
Na transparência turquesa dos mares,
Envolvendo-se como ondas no sopro de tua beleza,
Devolvendo à vela uma sedenta paixão de navegar,
Trazendo-te para dentro de mim...

É chegado o dia, enfim, de me soltar,
Vou deixar me levar na plenitude de seus ensejos,
Beijar os picos dos teus seios,
O umbigo do seu mar,
E a alma que tivesse piedade de me libertar do voo...

Sou uma serpente marinha,
Ou um albatroz,
A cruzar o oceano trazendo nas asas
a poeira pisada nas tábuas do cais,
Onde a areia soprada em teu vento feriu meus olhos,
E a mágoa, é a vela soprada ao vento,
Enxaguando o mar, tirando do pranto o doce da água,
Que tu vem marejar, pura, no meu peito,
Como se fosse a jura de amor do teu sal depois de colhido,
Posto a secar perdido na exultação,
De que hoje, tolhido em meu coração, sempre fostes o mar,
Junto da tempestade que me tem vencido.


https://www.youtube.com/watch?v=zMiTJo5PJ3k

Perceba... Nascemos sozinhos, vivemos sozinhos e morremos sozinhos. Solitude é nossa própria natureza, mas não estamos conscientes disso. E por não estarmos conscientes disso, em lugar de ver nossa solitude como uma tremenda beleza e êxtase, silêncio e paz; um estar à vontade com a existência... Nós a confundimos com solidão.
A solitude é uma presença, uma presença transbordante. Você está tão pleno de presença que você pode preencher todo o universo com ela, e não há necessidade de alguém mais. O que é necessário não é algo para que você possa esquecer sua solidão. O que é necessário é que você se torne consciente de sua solitude – a qual é uma realidade.
Você não ama sua mulher, está simplesmente usando-a para não estar só. Nem ela também o ama, pois está sob a mesma paranoia; ela está lhe usando para não se sentir sozinha. Tudo em nome do amor.
Todo mundo foge correndo da solidão. Ela é como uma ferida, dói.
Originalmente as pessoas não ficam felizes quando sozinhas. Elas se sentem muito vazias, acham que alguma coisa está faltando. Não podem viver sozinhas por muito tempo – elas buscam um relacionamento. Dessa forma o relacionamento é somente uma fuga de si mesmo.
Existem apenas dois tipos de pessoas: aquelas que fogem de sua solidão – a maioria, 99,99% das pessoas fogem de si mesmas; e o restante – 0,01% são os meditadores, que dizem: “Se a solidão é uma verdade, então é uma verdade; portanto não faz sentido fugir dela. É melhor penetrar nela, encontra-la, encará-la como ela é”.

Osho diz:
Milhões de pessoas continuam mantendo seus relacionamentos mesmo que sejam simplesmente um inferno! Apenas devido ao medo de que serão abandonadas sozinhas; eles continuam apegados.
É uma miséria, um grande sofrimento, é uma tortura, mas ao menos alguém lhe faz companhia. Em comparação com ser deixado só, é melhor ser miserável, mas estar com alguém.
Essa é uma das razões porque milhões de pessoas prosseguem sofrendo e ainda assim se apegam aos mesmos relacionamentos - os quais não dão a eles nenhum conforto. Mas que são simplesmente destrutivos.
Somente o homem ou mulher que seja capaz de estar sozinho, também é capaz de se relacionar sem ser destruído por isso, pois estar sozinho não é mais um medo. Se algum relacionamento gera miséria, você simplesmente sai fora dele - ninguém pode lhe impedir.
É uma situação bem patética que milhões de pessoas estejam apegadas uns aos outros, simplesmente devido ao medo de que sejam abandonados e deixados sozinhos.
E estar só é a nossa natureza; não há nada a temer, você só precisa experienciar isso.

Uma vez que você experiencia no seu profundo silêncio do coração a beleza de sua solitude, o êxtase de sua solitude, todo medo desaparece, e você rirá de seu passado, de quão estúpido você foi e o que você tem feito consigo mesmo.
 
A paz

Perfumados azuis

 
 
... encontrei a calma do sereno,
Numa palavra cheia de amor,
Que em ti “derramo”,
E ela se repete e vai ecoando
Te amo,
Amo, amo, amo...
Resvalando na ponta mais azul do céu,
Desenhando seus olhos no papel,
Como um açude,
enchendo de nuvens,
As águas chamejantes da fonte,
Caiando de branco o riso translucido das estrelas
com o brilho de suas metáforas...

sei que tu vieste do mesmo azul oceano,
Com a espuma se desmanchando,
no brilho Perolando o eterno lunar,
de algum outro plano,
e, talvez,
manchando o infinito celeste,
Se Misturando
a tudo que me tornou insano,
Como o pavor do crepúsculo amedrontado,
Recortando o sombreado
Onde o ar derrotado e solitário fez amor
E aguardou chegar o teu sorriso,
Deitado à fresca sombra
do narciso picotado,
Impreciso e dedicado ao ascender da tua luz,
Rodando o desenho animado
Onde os quadros floresceram em suas Pétalas ,
E as pétalas tornaram-se asas,
e poesias,
de perfumados azuis...

“Os seus lábios encontraram os lábios dele e ai se ficaram, quentes, como quem regressa casa depois de emigrado cem anos e acende a lareira; um fogo doce onde ardem todas as agruras esquecidas do caminho e se festeja a júbilo da chegada. Foi o beijo mais doce de todos os beijos.”

João Morgado
 
Perfumados azuis

Acorda Amor

 
 
Chame o florista!
Quero alinhar a poesia sobre a mesa,
Devo receitá-la com certeza,
Quero comê-la,
Confidenciar meu pranto e envolvê-la,

Depois, num ânimo apreciador,
Regurgitá-la em teu ninho,
E num ato carinhoso de felicidade,
Alimentar seu coraçãozinho,

Em seguida abrir a porta,
Deixar entrar meus devaneios,
Desocupá-la de seus medos e receios,
Para tê-la sempre como a dançarina,

Na estante da sala, numa caixa pequenina,
Rodopiando solta no ar,
na ponta dos pés,
Quando mesmo sem lhe dar corda,
Continuas suavemente a me embalar...

"Relacionamento significa algo completo, acabado, fechado. O amor nunca é um relacionamento: amor é relacionar-se - é sempre um rio fluindo, interminável."

Chandra
 
 Acorda Amor

Cinderela

 
 
...o amor me diz que há uma rosa branca
no teu peito,
uma flor glamorosa em cada manhã,
onde os frisos de nuvens
são filetes devidamente colocados no céu,
como nuvens primorosas;

São portas sinceras, incondicionais,
a minha espera,
Quando troco meu olhar de horizonte
pelo riso frágil do teu céu...

Teus olhos tocam minha pele
como água de mananciais acariciando os vales,,
Somos então a rebeldia negra da noite
a convidar estrelas a passear
no palco de nossos olhares coesos,
Com suas faíscas e brilhos presos,
A coriscar o céu na fluidez dessa prisão,

Meus sonhos invadem as carícias da noite,
Rolo em açúcar e algodão doce,
Como são os teus beijos,
E o café da manhã traduz-me em vigília,
Onde riscas a fresta amada
que a tua tez avista;
Sonho acordado, pois traduz-me
e acalentsa meu peito
em alma perdida, que ainda é folha
esperando um poema...

Tal qual o o tempo que dobra o tecido,
é o relógio retorcido pelas horas,
regando o momento eterno de nossas vidas,
nas paredes do vento,
colhido no campo, onde, outrora era flor...

Deixa-me assim a deitar em seus cabelos,
E anoitecerei num campo fértil de estrelas,
para te contemplar;
Serão teus os meus primeiros raios de sol,
E os seus braços o lugar a que pertence meu abraço,
Na paz que tira o meu cansaço,
Com a voz que anuncia o teu sabor de saudade...

Te encontro no balanço das ondas,
Te sinto no salgado do mar,
Onde meus olhos se fecham como janelas,
Que adentram o coração para sonhar contigo,
e mesmo sendo o ocaso esse oceano,
Tua candura me faz chorar,
Há doçura em nosso caminhar,
e na ponta do seu dedo que sela meus lábios,
Nele, acordo cedo, como as manhãs ,
Só para encontrar o sossego do teu corpo,
Onde viajo como a pétala que se abre,
e vai ao chão,
em comunhão com todas as coisas...

A felicidade é a experiência suprema do seu regresso a casa, do sentir-se tranquilo e em paz com a existência, numa completa unidade e harmonia.
Osho

Tao Te Ching

Capítulo 47 – Caminho do céu

Não é necessário sair de casa
para conhecer o universo;
Não é preciso procurar ver
para enxergar o verdadeiro caminho.
E, quanto mais longe se vai, menos se pode enxergar, menos se pode conhecer.
O verdadeiro caminho está dentro de nós e não no mundo exterior.
Aprendemos que com a prática da meditação e treino de energia, somados aos sentimentos de humildade, sinceridade e amor no coração podemos encontrar o verdadeiro caminho.
Aprendemos que o conhecimento é importante, mas as nossas ações devem superar os nossos pensamentos e as nossas palavras para podemos trilhar o verdadeiro caminho do Tao.
 
Cinderela

ταχυόνιον ( táquion )

 
 
Há uma indecência nua povoando o ar;
A mesma que entorna o dia,
Compõe a tiara de labaredas
na alma vermelha do crepúsculo.
Como o raio incendeia a floresta
Tu queimas o broto de sua fragrância,
Ri do fogo inocente,
Torcendo as pestanas de ouro do amanhecer...

Bebo Licor de seus lábios
com gosto de chuva e pelos de pêssego,
Como se tomasse das nuvens cinzentas
o frescor um beijo;

Rapidamente algo Ilumina o céu,
Trovejando em suas patas céleres
como cavalos selvagens,
É o amor pisoteado sob os cascos de um fauno,
Cavalgado pela dolce vitta que o negligencia
nos olhares prontos da primavera,
Desejando um cupido ...

Se já não pudesse mais sonhar
Nem encontrar na felicidade
a moradia tecelã de um bicho da seda
Aninhado em seu coração,
E esse azul, raro e clarificado,
Brotaria da região mais pura e insana,
Do arco em minha janela,
Translucido e triste
como uma flecha,
E, seria a voz do lamento, latente, em meu peito,
Desarrolhado em perfume
de vinho nobre
Encontrado na adega do teu sorriso;

Daqui , do meu pequeno momento,
Vejo-te, a coroar de branco e negro,
Os arroubos do vento;
Turvas o gris assoprado em tuas orelhas
Fazendo-lhe carícias,
Trazendo esse gosto de ameixa,
Sua delicia, para minha canção;
És o entardecer da poesia,
Mesmo quando se deleita no horizonte
Afrontando a água turquesa e transparente,
Pondo seus pés na areia fina e salgada...
É quando encaras a face lenta do sol
Trazendo-me, como se eu fosse vaga do teu amor,
Para o olhar enternecido da felicidade...

Desde os tempos mais remotos, o homem ter perguntado inúmeras vezes por que há sofrimento na vida. Se Deus é o Pai, porque há tanto sofrimento? Se Deus é amor e compaixão, por que a existência sofre?

Não há uma resposta satisfatória para isso. Mas se você entender Jesus, entenderá a resposta. O homem sofre porque não existe outra maneira de amadurecer, de crescer. O homem sofre porque apenas através do sofrimento consegue tornar-se mais consciente. A consciência é a chave.

Observe sua própria vida: sempre que está confortável, tranquilo, feliz, a consciência é perdida. Sua vida é uma espécie de sono, você vive como se estivesse hipnotizado, como se estivesse sonambulando; você se movimenta, faz coisas - mas como um sonâmbulo.

É por isso que quando não está sofrendo a religião desaparece da sua vida. Você não vai a templos, isso não faz sentido; você não reza a Deus, para quê? Parece não haver nenhum motivo.

Sempre que está sofrendo, você vai à igreja, seus olhos se movem em direção a Deus, seu coração se move para a oração. Existe alguma coisa oculta no sofrimento que o torna mais consciente de quem é, de por que existe, de para onde está indo. Sua consciência é intensa num momento de sofrimento.

Nada pode ser insignificante neste mundo. Ele é um cosmos, não um caos. É possível que você não o compreenda - isto é outra coisa - porque só conhece os fragmentos, não conhece o todo. Sua experiência de vida é como uma página solta de uma novela: você a lê, mas não faz sentido, porque é apenas um pequeno fragmento, você não conhece a estória toda. Se a conhecesse, essa página seria compreensível, coerente, significativa.

O que é significativo? É o conhecimento do fragmento em relação ao todo; é o relacionamento do fragmento com o Todo. Um louco falando na rua não é significativo. Por quê? Porque é impossível relacionar o que ele fala com alguma outra coisa; sua fala é um fragmento apenas. Mas ele não está falando com ninguém, não tem necessidade, não há ninguém lá com quem falar. Sua fala é fragmentária, faz parte de um grande todo, e é por isso que é incoerente.

As mesmas palavras - exatamente as mesmas palavras - ao serem usadas por um outro homem, têm significado se ele estiver falando com alguém. Por quê? As palavras são as mesmas, as sentenças, os gestos são os mesmos e a um homem você chama de louco e ao outro não. Por quê? Porque há alguém para ouvir; o fragmento não é fragmentário, faz parte de um todo maior - é repleto de significado.

Corte um pedaço de uma tela de Picasso: ela não faz sentido; é só um fragmento e um fragmento é algo morto. Cole-o outra vez à tela e, de repente, o significado aparece. Torna-se coerente, porque agora faz parte de um todo, significa algo para você. Se o homem moderno se sente constantemente sem significado, isto acontece porque Deus tem sido negado- ou esquecido.

Sem Deus, o homem não pode ter significado, porque Deus quer dizer o Todo; o homem é apenas um fragmento. Você é apenas um verso da poesia - sozinho, é apenas um rabisco. No poema completo, seu significado aparece, porque está relacionado com o todo. Lembre-se sempre disso.

Lembro-me de um sonho de Bertrand Russell. Ele era ateu, nunca acreditou em Deus, nunca foi capaz de ver qualquer significado mais amplo que pudesse compreender o Todo. Ele contou o seguinte sonho: uma noite, durante o sono, ouviu alguém que batia à porta. Foi abri-la e viu o velho Deus ali parado.

Não pôde acreditar em seus olhos, porque nunca acreditara em Deus - até mesmo em sonhos, ele lembrava-se disto: "Não acredito em Deus." Mas o Velho parecia ter sido esquecido por todos, abandonado por todos; suas roupas estavam rasgadas, a sujeira havia se juntado em seu rosto e em seu corpo; Ele parecia tão fora de moda - quase como um desenho descolorido, no qual não se consegue ver claramente o que está acontecendo - Russell sentiu muita pena Dele. Então, só para animá-lo, disse: "Entre!" Bateu em suas costas como um amigo e disse: "Anime-se!" Neste momento, Russell acordou e o sonho desapareceu!

Esse é o estado do homem moderno, da mente moderna: Deus está fora de moda. Ou você está contra Ele ou, no máximo, está com pena Dele. Por sentir pena, tenta fazer com que Ele fique alegre, mas não porque Ele seja significativo para você - é apenas um quadro fora de moda, descolorido, inútil, um refugo do passado. Ou Ele está morto, ou mortalmente doente em Seu leito de morte.

Mas se o Todo está morto, como o fragmento pode ter significado? Se o Todo está fora de moda, como a parte pode ser nova, fresca e jovem? Se a árvore está morta como a folha pode achar que está viva? Se ela pensar isso, será simplesmente estúpida. Poderá levar um pouco mais de tempo para a folha morrer, mas se a árvore estiver morta, a folha terá de morrer - já está morrendo.

Se Deus está morto, então o homem não pode viver. E o homem está mortalmente doente, porque sem o Todo o fragmento não nenhum significado - quando tem lampejos de felicidade e não a felicidade de fato - sempre que se sente confortável, à vontade, quando nada o perturba,
você pensa que é o todo.
Isso é uma ilusão.

Quando está sofrendo, de repente, percebe que não é o Todo. Quando está sofrendo, de repente, percebe que não é o que deveria ser, algo está errado, os sapatos apertam. Alguma coisa está errada e alguma transformação é necessária. Daí o valor do sofrimento.
O sofrimento lhe dá consciência, lhe dá o sentimento de que precisa mudar, de que tem de se renovar, renascer. Assim como você é, está sofrendo, por isso alguma coisa tem de ser feita.

Jesus disse:
'Abençoado é o homem que sofreu,
pois ele encontrou a Vida.'

Jesus disse:
'Olhe para o Eterno enquanto viver,
para que não morra; procure até encontrá-Lo,
pois será incapaz até ver.'

Eles viram um samaritano,
carregando uma ovelha, a caminho da Judéia.

Jesus perguntou a seus discípulos:
'Por que aquele homem leva consigo uma ovelha?'

Eles responderam:
'Para matá-la e depois comê-la.'

Jesus lhes disse:
'Enquanto a ovelha estiver viva,
ele não a comerá.
Apenas quando a matar
e ela tornar-se um cadáver
é que poderá comê-la.'

Os discípulos disseram:
'Do contrário, ele não será capaz de comê-la.'

Jesus lhes disse:
'Procurem em si mesmos um lugar de repouso,
a fim de que não se tornem cadáveres e sejam comidos.'

Jesus disse:
'Dois repousarão numa cama:
um morrerá
e o outro viverá.'

Osho, em "A Semente de Mostarda"

RIP All Jarreau thanks for your songs
 
 ταχυόνιον ( táquion )

Nuance feminina

 
 
Por um instante,
A chuva trouxe uma nuance feminina
ao meu dia,
Compreendi a palidez dos seus olhos,
Que precisam da sombra das nuvens cinzentas,
E os lábios, vestindo carmim,
Vem a mim com a brisa solitária
do pulso abatido das auroras,
De onde nasce o róseo sabor do seio doce
pois, escondes teus sonhos,
Num coração plantado em jardim de rosas,

Quando reza a promessa de um breve estio,
Teus cabelos precisam de cuidados
Faço-os assim, por meus dedos seduzidos
e acarinhados
Em alma nua crescendo nos versos a cada dia,

Pudera discernir meu desejo
de amamentar tu corpo nu,
ou ser de ti a dor ou a cura,
Ao beijar teus pés numa loucura
de invasiva percepção,
Comer tua fome insegura
com o meu choro,
Quando minto que não sei,
Mas no eterno, hei de conquistar sua primavera,
Na paisagem otimista de um olhar,
Tingido em compromissos de um dia saudoso
De onde as cigarras cantam até o raiar,
E os pássaros soltos na poesia
Cobrem de trinados nosso glorioso passeio,
Pois a porta do amor se abre
quando beijo a tua nuca, sem receio de te amar...

Um garoto que vive no Nepal resolveu desafiar a ciência fazendo um experimento bizarro. Segundo os moradores da região, o menino pode passar longos períodos meditando, assim como fazia Buda. O problema todo desse relato é que segundo a ciência uma pessoa pode ficar várias semanas sem comer nada, porém apenas alguns dias sem água. Ele ficou 10 meses.

O garoto permaneceu imóvel nessa posição durante 10 meses.
Pessoas intrigadas começaram a viajar até o local para conhecê-lo, sendo que o canal Discovery Channel fez a ele um desafio: passar os 5 dias sem beber água durante o qual ele seria filmado. Assim foi feito, após os 5 dias de filmagem da meditação o canal fez uma análise completa do ambiente onde o garoto se encontrava para verificar possível fraude e nada foi encontrado.

Ficou provado que um ser humano treinado e com ampla prática da meditação é capaz de renunciar a todas as formas de sustento. A equipe ficou com as câmeras ligadas 24 horas por dia sem intervalo, sendo que ao todo foram 96 horas de filmagem. O garoto permaneceu parado, imóvel, em profundo estado de meditação. Segundo os cientistas, esse caso até o momento era considerado impossível.

O nome do garoto é Ram Bahadur Bomjon e ele pratica a meditação desde criança. Os pesquisadores disseram que qualquer outra pessoa que realizasse o experimento não sairia viva. O mais engraçado é que um ser humano normal após as primeiras 48 horas de privação calórica começaria a demonstrar sinais de desidratação, resultando em dores de cabeça, tontura, quedas de pressão e até convulsões. Entretanto, Ram continuou com toda saúde e seus órgãos funcionando perfeitamente.

reportagem do Discovery Science
https://www.youtube.com/watch?v=4LXgZ1JrhUc
 
Nuance feminina

Uma Rosa no Caminho de Santiago

 
 
... amo a rosa,
Como sendo a flor que se incinera
em presença do amor,
No aconchego de sua luz,
Desprendendo-se suntuosa,
Enaltecida com poesias,
Brindando o meu mundo.
Me sinto presentado com sua alegria,
Em gesto,
Formado no ser vivente
Comovido docemente e emocionado...

És feita de sal e doce,
como se fosse a minha lágrima,
Ou uma nata preciosa de topázio,
Brilhando calorosa.

Não tenho dúvida,
Como se amam determinadas procuras,
Que o céu onde se abria,
Aparentemente,
Apenas desvendou um mistério,
E a fez durante uma brisa
que percorreu a terra,
Elevando o véu que a encobria.

Não te amo senão,
pelo cerne, pela cor de sua densidade,
E digo,
Resgata esse perfume
que vem da sua alma,
vive abertamente pura e nua,
Como se não houvesse no mundo
essa maldade,
Que segreda dentro de ti
a clausura de um amor;
Como a pureza da auréola de uma flor,
ou de uma ostra,
Sentindo-se invadida pelo grão de areia,
se fecha molestada,
e, comovida, em vez de queixar-se,
transforma-o em pérola.

...quando nas horas de íntimo desgosto o desalento te invadir a alma, e as lágrimas te aflorarem aos olhos, Busca-me! Eu sou Aquele que sabe sufocar o pranto e estancar as lágrimas. Quando te julgares incompreendido dos que te circundam, e vires que em torno de ti há indiferença, Aproxima-te de Mim. Eu sou a Luz sob cujos raios se aclaram a pureza de tuas intenções e a nobreza de teus sentimentos. Quando diminuir o ânimo e te achares na iminência de desfalecer Chama-Me! Eu sou a Força capaz de remover as pedras do caminho e sobrepor-te às adversidades do mundo. Quando, inclementes, te açoitarem os vendavais da vida, e já não souberes onde reclinar a cabeça, Corre para junto de Mim! Eu sou o Refúgio em cujo seio encontrarás guarida para teu corpo e tranqüilidade para teu espírito. Quando te faltar a calma, nos momentos de maior aflição, e te considerares incapaz de conservar a serenidade, Invoca-Me! Eu sou a Paciência que te faz vencer os transes mais dolorosos, e triunfar nas situações mais difíceis. Quando te debateres nos porquês da dor, e tiveres a alma machucada pelos espinhos, Grita por Mim! Eu sou o Bálsamo que cicatriza as chagas e te diminui os padecimentos. Quando o mundo te iludir com suas promessas falazes, e perceberes que ninguém pode inspirar-te confiança, Vem a Mim! Eu sou a Sinceridade que sabe corresponder à fraqueza de tuas atitudes e à plenitude de teu olhar. Quando a tristeza e a melancolia te povoarem o coração, e tudo te causar aborrecimento, Clama por Mim! Eu sou a Alegria que insufla alento novo e te faz conhecer os encantos do teu mundo interior. Quando, um a um, te fenecerem os mais belos sonhos, e te sentires no auge do desespero, Apela por Mim! Eu sou a Esperança que te robustece a fé e te acalenta os ideais. Quando a impiedade recusar-se a relevar-te as faltas, e experimentares a dureza do coração humano, Procura-Me! Eu sou o Perdão que te levanta o ânimo e promove a reabilitação do teu espírito. Quando duvidares de tudo, até de tuas próprias convicções, e o ceticismo te inundar a mente, Recorre a Mim! Eu sou a Crença que te completa de luz e entendimento, e te habilita para a conquista da felicidade. Quando já não provares a sublimidade de uma afeição terna e sincera, e te desiludires do sentimento de teu semelhante, Aproxima-te de Mim! Eu sou a Renúncia que te ensina a esquecer a ingratidão dos homens, e a esquecer a incompreensão do mundo. E quando, enfim, quiseres saber quem sou, pergunta ao riacho que murmura e ao pássaro que canta, à flor que desabrocha e à estrela que cintila, ao moço que espera e ao velho que recorda... Chamo-Me Amor... o remédio para todos os males que te atormentam o espírito.

Rubens C. Romanelli
 
Uma Rosa no Caminho de Santiago

Imprescindível

 
 
Ao nascer sob o signo dos solitarianos,
Tomaste-me como crônicas pelas manhãs
em taças de champanhe.
Atrás do pano havia o cenário
saudado na madrugada,
Pela paisagem esboçada no tempo,
A desaparecer numa neblina fina
Que trazia a chuva...

Sempre houvera chuva em teu paradigma,
Corroborando um toque arbitrário
que me deitou junto ao teu coração,
Caído do cacho taciturno,
Unido aos primeiros raios do sol.
Crescemos querida,
Brotados na armadilha da parreira,
Como se fosse eu a uva,
Tragada pela lentidão da angustia roxa
em minha alma ainda verde,
Que, por instancia, ainda me tolera,
Regada por suas lágrimas reiterando o orvalho
nessa falta de primavera,
Onde pareceram eternas as folhas
que foram viradas e um dia se foram,
Para se tornarem, agora, ainda mais sinceras...

Saiba que me cobres com a tua pátina doce,
Abrigo de verde, pensamentos e flores,
Obediente aos seus galhos podados,
Procurando fugir da iminente ilusão.
Sei que me esperas...
Vens, desde então, crescendo em meu peito,
Pois na perdição do seu mundo,
querer-te,
Mesmo que seja por um simples segundo,
É a absolvição completa da minha paixão
pousada em teus veios quentes,
De breve lembrança.
Pois sabes que não sou ave
que tem repentes de se lançar na clausura do céu,
Não alço voo,
E nem tampouco tu ousa voar...


Somos como a ínfima pedra brilhante,
Incrustados numa rocha insignificante,
Cumprindo a sentença de uma mudança,
Debaixo de folha úmida de orvalho,
Estagnados a sombra densa de um enorme carvalho,
Sem a ostentação do vento
a secar-nos o pranto.
Estou parado e só ao relento,
Enquanto descansas em meu amor...

Recolhes em mim as folhas
da flor austera que não vingou,
Pois eu sou a pedra ínfima e brilhante,
Aguardando arder o fruto que ainda não cresceu,
Gentil, colado ao teu,
Como raspa de terra que se fertiliza
misturada às cinzas desse amor,
No teu poema alimentado pelo sol,
Qual tivesses se derramado
imprescindível sobre a minha dor,
A extinguir os espinheiros a minha volta,
Cortando-me qual cepa ardente,
Rasgada pelo desejo
de lacrimejar os olhos fechados,
A arder no teu beijo,
Puro alimento de encontros marcados
de flor da aurora a clarear o dia,
Quando traz a tua alma,
Em sintonia,
Com a natureza do espinho,
Que arranha a estrada do meu peito
Como se me fizesses carinho...

“Existem três níveis no indivíduo humano: sua fisiologia, seu corpo; sua psicologia, a mente; e seu ser, seu ser eterno. O amor pode existir nestes três planos, mas a qualidade dele será diferente. No plano da fisiologia, o corpo, ele é simplesmente sexualidade. Você pode chamá-lo de amor, porque a palavra amor parece ser poética, bonita. Mas noventa e nove por cento das pessoas estão chamando o sexo de amor. O sexo é biológico, físico. Sua química, seus hormônios – toda matéria está envolvida nele...
Somente um por cento das pessoas conhece um pouco mais profundamente. Poetas, pintores, músicos, dançarinos, cantores, têm uma sensibilidade tal que podem sentir além do corpo. Eles podem sentir as belezas da mente, as sensibilidades do coração, porque eles próprios vivem nesse plano. Mas um músico, um pintor, um poeta vive num plano diferente. Ele não pensa, ele sente. E porque ele vive em seu coração, ele pode sentir o coração da outra pessoa. Isto é comumente chamado de amor. Isto é raro. Eu estou dizendo somente um por cento talvez, esporadicamente.
Porque tantas pessoas não estão se movendo para o segundo plano se ele é tremendamente belo? Existe um problema: qualquer coisa muito bela é também muito delicada. Não é uma armadura, é feita de vidro muito frágil. Uma vez que um espelho tenha caído e quebrado, não tem nenhum modo de remontá-lo. As pessoas têm medo de se envolver e tocar as camadas delicadas do amor, porque neste estágio o amor é tremendamente belo mas também tremendamente mutável. Sentimentos não são pedras, eles são como rosas..."
Poetas são conhecidos, artistas são conhecidos por se apaixonarem quase todos os dias. O amor deles é como uma rosa. Enquanto ela está lá ela é tão perfumada, tão viva, dançando no vento, na chuva, no sol, afirmando sua beleza. Mas ao anoitecer ela pode ir embora, e você não pode fazer nada para impedi-la. O mais profundo amor do coração é como uma brisa que vem em seu quarto, traz seu frescor, ela é amena, e depois se vai. Você não pode segurar o vento em seu punho fechado com suas mãos. Muito poucas pessoas são tão corajosas para viver uma vida de momento a momento, uma vida mutante. Por isso, elas decidiram viver um amor no qual elas podem depender.

Eu não sei qual tipo de amor você conhece – muito provavelmente o primeiro tipo, talvez o segundo. E você tem medo de que se você chegar em seu ser, o que acontecerá com seu amor? Certamente ele vai embora – mas você não será um perdedor. Um novo tipo de amor aparecerá o qual talvez só aparece em uma pessoa em milhões. Este amor só pode ser chamado de amorosidade.”

From Death to Deathlessness, Capítulo #17
 
Imprescindível

Uma simples declaração de amor

 
 
Tua pele macia e desejosa de carinho dançou,
Rodopiou ao vento,
Trouxe-me o impuro da solidão desfeita,
Corroborou o intento mais suave que em ti se deita,
E me ensinou a ler os teus sinais.
Sei agora da tua esperança a compor os versos da primavera
Como se fosse luz
Numa simples declaração de amor.

Porém, o tempo não sabe de nós,
E enraivecido seu eloquente brado se envaidece,
Tornando-o escuro, na permissão de um abraço desferido;
Pois é noite na mata singela,
Em que corre minha natureza espirituosa,
tu surges como a lua, em minha janela
como um semblante de rosa que percebo,
ilustrando a agonia de um animal infeliz,
O qual, ferido na alma, pelos espinhos do seu coração,
Vai despetalando-se na tristeza,
É uma flor intensa regada pelo nosso pranto...

Verte de longe o jorro da água das cascatas, ouço-a,
Brilhando ao sol da manhã, que cegasse a secreta obscuridade,
E pela primeira vez, numa alquimia discreta,
Raios de ouro misturam-se em cores de prata,
quando subimos ao céu,
Engolindo as nuvens irremediavelmente sofridas,
Para cuidá-las e compreendê-las;
De tão compridas em minha existência,
Tornaram-se tuas asas reticentes.
E, diante dos meus olhos emocionados
tens a mim como sede indecente de uma pintura abstrata,
Na extensão das palavras ditas em tua boca,
Fosse ela, a lavra compartilhada em rouco acorde,
e, sem igual, brotaria num ramo de amor
Quando, de puro desejo, na boca tu me morde.

E ainda, com louvor do dia te vestes
de algo que me tornou prodigo e pleno,
Convertendo o amanhecer num verso de espera,
Espantando o ódio para um lugar mais ameno,
O ódio que as pessoas insanas têm,
Pedintes do sereno orvalhado a formar agora o nosso leito,
Cansado de nos ferir em pesadelos;
Onde o teu sonho vem me fazer dormir em paz,
Em pérgula romântica no meu jardim,
Que o teu fugaz desejo consome em ondas do que me faz calar,
Já não é o sono que me maltrata,
É o barco a velejar na tarde, que teu pincel desenha e retrata.

O que é Misericórdia:

Misericórdia é um sentimento de compaixão, despertado pela desgraça ou pela miséria alheia. A expressão misericórdia tem origem latina, é formada pela junção de miserere (ter compaixão), e cordis (coração). "Ter compaixão do coração", significa ter capacidade de sentir aquilo que a outra pessoa sente, aproximar seus sentimentos dos sentimentos de alguém, ser solidário com as pessoas.

Misericórdia! é uma exclamação usada quando nos deparamos com uma situação de desespero, de sofrimento. É também um grito de quem pede compaixão.

Conceder misericórdia a alguém é perdoá-la pelo simples ato de bondade, apesar do outro não merecer o perdão.

Misericórdia Divina é Deus perdoar os pecados, apesar das faltas cometidas pelos pecadores. É a libertação do julgamento. Durante a benção oferecida pelo Papa, chamada de Urbi et Orbi, é concedida a penitência e a indulgência para os fiéis que se confessam, recebem a comunhão e estão livres de pecados mortais. Em oração, o Papa pede que Deus todo poderoso tenha misericórdia e perdoe os pecadores.

Carregar a bandeira da misericórdia é quando o indivíduo tem bondade no coração, é a pessoa que está sempre pronta para ajudar o outro, se preocupa com o outro, sem segundos interesses, é o chamado bom samaritano.

Misericórdia era o nome do punhal que os cavaleiros traziam do lado direito da cintura e que era usado para matar o adversário, já derrubado, caso esse não pedisse misericórdia. O golpe fatal era dado com o punhal e era chamado de golpe de misericórdia.
 
Uma simples declaração de amor

Escrevo das Estrelas...(Starry Night)

 
Escrevo das Estrelas...(Starry Night)
 
 
Rabisco tremores
que não me abalam mais,
Tu sabes que não sou perverso,
Por isso minto para o meu peito,
Que ainda não sabe
a respeito do teu amor suprimido,
Agora desfeito e perdido,
Na compreensão de que nada cabe
Num coração livre demais;

Escrevo das estrelas,
Da noite estrelada de Vincent
irradiando meu pensamento,
Pontilhado de centelhas brilhantes;
Olhando daqui, eu te juro,
Se parecem com diamantes
legados do mais puro esmero,
No espaço esvoaçante da minha cabeça.

Viajo, então, pelos céus de Chagall,
Onde tudo é passível de sonho,
Como a "Briguinha de Músicos"
no coreto de Hermeto Pascoal;
Num céu azul escuro em que te quero,
Onde te procuro,
Nas alamedas elaboradas
de nobres lembranças precatadas,
Refeitas com asas,
Que voam misturadas e ensurdecidas
pela "Entrada da Aldeia",
Perdidas no volume simétrico,
Das casas pobres do vilarejo,
Pintado por Pissaro;

Se elas existem, penso eu,
Também estão pousadas em tua janela,
No beiral de madeira, paradas no nada,
Onde você me esqueceu...
Este é o lugar em que irão crescer;
Não permita que voem
e elas cantarão seu discernimento,
Deixe-as ir e nunca mais pousarão,
Não enquanto eu viver.
Mesmo que estejam livres,
Permanecerão inesgotáveis
no doce aroma do firmamento,
Como um pássaro banal,
Bicando o fruto do seu coração
por um breve momento,
Enraizado na corrente de sua permissão.

Eu sou o amor, enquanto pobre;
Tu és o verso,
Das dores desse sentimento incondicional,
Quando me cala entorpecido
nas cores da sua carência.
Massageio o peito do pé com paciência,
Na indolência tépida da banheira
com pétalas frívolas de rosas,
Onde perfumes diáfanos trazem a toada
de suas ementas dolorosas,
E de sua voz amada,
Antes que um grito de espanto aconteça,
Quando finalmente o sol aparecer,
Distante de tudo,
Para ser reescrito numa folha vazia,
Reticente e mudo...
 
Escrevo das Estrelas...(Starry Night)

A folha deserta do meu poema

 
 
Lancei-me qual metáfora pequenina,
Do amor, amor que é teu;
Lancei-me em tua alma,
Ergui a catedral onde havia ruína,
Em poesia de sonho antigo,
A livrar-nos dos maus presságios;
Tens ainda na boca o sabor de figo,
Não vou dizer,
não digo,
Mas, soprarei teu nome na folha deserta,
No alvorecer da paisagem incerta
De tudo aquilo que não sei...

Injuria seria não dizer o teu nome,
Ao soprar a poeira da vida
Que toda essa besteira nos impõe;
Diga lá meu amor,
Sinto vontade de me dispor
Abrir o processo vertido pelas manhãs,
Balançar o mar verde
a folhear a copa das minhas árvores;
Porém, fico calado,
Não sou vento,
Agora sou brisa irradiada em decepções...

Risco com a ponta do lápis um coração
pela distancia insatisfeito;
Escondo-te entre as linhas
das pálpebras borradas em minha vida,
Haveria solução para ti amada?
Apenas cuido-te com carinho,
Flor enraizada com espinho no meu peito.

"A intuição é um fenômeno totalmente diferente da razão.
A razão argumenta, ela usa um processo para chegar à conclusão.

A intuição dá um pulo – um salto quântico. Ela desconhece o processo. Ela simplesmente chega à conclusão sem nenhum processo.

Existiram muitos matemáticos capazes de solucionar qualquer problema matemático sem passar por nenhum processo. O funcionamento deles era intuitivo.
Você simplesmente dizia o problema e antes que você tivesse acabado de dizer, eles chegavam à solução.
Não existia nem um hiato de tempo.
Você estava dizendo a coisa, e quando você acabasse, ou até mesmo antes de acabar, a conclusão surgia.
A comunidade de matemáticos sempre ficou intrigada com esse fenômeno caprichoso. Essas pessoas.. como eles fazem isso?
Se um matemático estava se propondo a resolver um problema, podia precisar de 3 horas, 2 horas ou 1 hora. Mesmo um computador iria precisar de alguns minutos para fazê-lo, mas essas pessoas não precisam de um único minuto. Você diz o problema e elas instantaneamente….

Nós corrompemos a intuição. A intuição masculina está quase completamente corrompida.
A intuição da mulher não está tão corrompida. Eis porque a mulher tem esse algo mais chamado pressentimento.

Um pressentimento é um fragmento de intuição. Ele não pode ser provado. Você vai pegar um avião e a sua mulher simplesmente lhe diz que não vai, e que não vai permitir que você vá.

Ela sente como se algo fosse acontecer. No momento isso parece não fazer sentido. Você tem muito trabalho a ser feito, tudo foi planejado, e você precisa fazer essa viagem – mas a sua mulher não deixa você ir. No dia seguinte você vê no noticiário que o avião explodiu ou que bateu em outro e que todos os passageiros morreram.

A mulher não pode te dizer como ela sabe. Não há como. É apenas um pressentimento, um sentimento nas vísceras. Mas isso também está corrompido, eis porquê é apenas um flash.

Quando você abandonar essa fixação na razão, a intuição começará a fluir.
Vai passar a ser uma fonte constantemente disponível.
Você poderá fechar os seus olhos, mergulhar nela, e encontrar sempre a direção mais apropriada a você."
Osho em Sufis: The People of The Path
 
A folha deserta do meu poema

Ramo de outono

 
 
A esperança do meu coração
Se converteu na calma
Das nuvens ao seu redor;
Trouxe a palma breve da ilusão composta
para bailar seu riso de mulher,
Numa sentença de meus versos,
Correndo pelas ruas, como criança,
Mesmo sem a calmaria da tua leve presença,
Trazendo nos lábios o mel que se derramou
na ânfora carregada com beijos doces,
De quem tanto me amou
quando o céu se transformou,
Na dança inquieta do teu destino.

Olho para trás, nas verdejantes tardes,
E sinto o tino da luz que lhe revela,
Em teu pendão de flor espairecida, que lhe faz jus,
Com sua coroa amarela
Sustentando suas pétalas alvas de margarida;

Vejo-te valsada pelos mitrais,
Ventos inspirados em tua saudade,
Soprado suavemente por seres elementais
no seu vai e vem magistral,
Que toca a transparência da sua alma
com mil nuances;
Vejo-te bela ainda bailando pela estrada,
Propagada pelo meu desejo,
Quando noto que é em meu peito que danças,
Voando assim, a disseminar uma semente,

Aquela que cresce no ar,
E se espalha pela terra
Sedimentando nosso amor aguardado,
Criando raízes enquanto adolesce o alimento
gerado para nossos fortuitos espíritos...
Uma vez mais e mais uma vez,
Pondo a nossa guerra um fim,
Para que não se esqueças
quando for dormir o teu sono,
da promessa de ter um ramo de outono
Floreado em mim.

As portas agora abriram-se. Não há mais resistência, nem gravidade, nem trevas. Você despertou de um sono profundo através dos cristais de luz. Não há mais diferenças, tudo isso já passou. Você cresceu e já pode desfrutar dos sonhos mais profundos, dos desejos mais puros. Agora, você está brilhando como se fosse chama da salvação. Não se orgulhe, nem erga seu ego, pois essa luz brilhante é para iluminar o caminho de seus semelhantes. É preciso que você viaje para dentro de si mesmo e lá enxergue a luz divina, a centelha de esperança que o traz à tona para trabalhar como guerreiro do bem, brandindo sua espada de luz, salvando seus irmãos carentes, necessitados e famintos. Sua luz cura, e muito. Não tema as boas novas, nem a elevação do saber. O conhecimento dignifica e amplia sua magnitude. Nada poderá detê-lo quando buscar as chaves do bem, para abrir os portais de luz. Faça com que cada dia seja um dia feliz. Quando disso duvidar, creia nas palavras dos grandes mestres e sábios. Espelhe-se nas experiências desses seres celestiais e aprenda o caminho a seguir. Não pense que será coberto de pétalas de flores, nem tampouco sugira a si mesmo que seja ordenado a andar sobre adagas. Lembre-se de que você é humano, portanto, viva como tal, e não perca o passo de sua jornada. Viaje para o interior de seu ser e descubra lugares e situações que você jamais sonhou. Estando na luz, na sua presença sempre estará o Criador para acalentar-lhe quando necessitar. Oh, pequena criatura! Seja como criança, cheia de vida e vontade de crescer, de conhecer, de saber. Não perca essa preciosa chama de luz e de cores que lhe foi oferecida. Sua jornada representa glória a muitos de seus irmãos! Faca com que sua luz radiante esteja em todo o tempo e lugar, na bem-aventurança de seu ser, que foi criado a imagem e semelhança de Deus....
 
Ramo de outono

A noite do meu sonho inseguro

 
 
Penso que a brisa logo virá,
Como um raio,
Mas virá timidamente,
Assoprará cada vez mais forte,
E adentrará a noite do meu sonho inseguro
com uma enorme saudade crepuscular.

Nesse momento,
Fecho os olhos e me procuro,
Sei que alguém em algum dia se lembrará,
do menino pobre, triste e inseguro,
a dançar nascituro feito o luar,
Embalado pelo seu sono,
Feito uma criança desprotegida,
Olhando seu lado mais puro,

Ah, noite eterna, caída no mundo,
Se tu já não houvesses me cingido,
Jamais despertaria do corpo deitado e moribundo ,
morreria feliz,
Vendo o amor chegar,
Carinhoso, descalço e despido...

"Nunca existiu uma pessoa como você antes, não existe ninguém
neste mundo como você agora e nem nunca existirá.
Veja só o respeito que a vida tem por você.
Você é uma obra de arte — impossível de repetir,
incomparável, absolutamente única."
Osho
 
A noite do meu sonho inseguro

Gestando o amor

 
 
Foi apenas ontem que aportei numa Ilha Negra,
Conduzido ao largo de teus mares,
Por um barco onde és pura de emoção,
No fogo infrutuoso, do qual fomos o grão seco,
Estamos agora germinando por entre a ilusão;
Marcando seus afagos na temperança do corpo,
Sob a dor que almeja satisfação de sabores e cadências,
Almejando enternecer enquanto gesta o amor.

Sonho aos teus pés
massageados entre pétalas secas da noite,
É o que nos resta, o ultrapassado futuro de um desejo,
Sob a infusão insana de lumes bailarinos
Ao prateado sorriso das estrelas,
Doce de encanto,
que ao rio morno, o sereno leva ao pranto,
Correndo pelas montanhas do seu olhar,
Deixando no mar o dissabor das flores marinhas,
E algas luminescentes invadindo a orla do meu coração,
Claras como as batidas no meu peito adolescente,
Que só quer recitar essa adoração por ti
Com poemas de flor calada,
Sentenciada a canção adorada ao luar...

Sou eu a te procurar, e, se tu gostares de me ouvir,
Serei a voz da palha do trigo,
Batendo em tuas asas de mariposa ao vento noturno,
Como lamparina rósea,
da lembrança que tu procura,
Acercando minha aura com teu riso,
Riso de candura de mulher querida,
Que um só silencio numa noite de saudade é preciso,
para arrancar-lhe o grito,
Do gozo de teus beijos na tortura da minha solidão.

Onde qualquer entendimento é suplantado no que se deseja;
Dói, e no corpo o fogo ainda arde, flameja iluminado,
Trazendo o vento da solidão,
A me perder na sensação de que estou solto no ar,
em queda livre, mas à vista do mar que me balança,
até onde tu possa alcançar;
Doendo-me as asas da desilusão,
Cansadas de carregar tantas palavras...

Diga-me Alma, que se rende a erudição,
Só eu saberei o que é falho quando escrevo esse texto?
Eu quero o cerne, não quero o corpo,
Não a quero costurada em retalhos extensos, de tecido azul,
que estrague a paródia de um céu bonito demais,
E, quando o amor chegar finalmente e pisar ao redor do teu oceano,
Clamo enfastiado, de tão grandioso que é o seu amor,
Derramando meu pranto à terra,
Como vinho numa celebração de inteira felicidade,
Aberto ao deleitoso espaço, em que não acharei, por fim,
Nenhuma estrela a me encantar,
que não seja como uma jovem de puríssima serenidade,
Branca de brandura que arde,
Como a espuma estonteante do teu mar.

Este é o momento de examinar o seu coração e a sua vida para ver se há mais que você gostaria de trazer ao ser, mais que gostaria de tornar possível. Sonhos, esperanças e visões têm uma nova prioridade agora, pois eles são pontes para a nova realidade espiritual que está vindo à existência, pedindo-lhe que se torne parte dela, pedindo-lhe que alcance o seu potencial Divino. Você pode ainda estar considerando a questão de saber se há um potencial Divino em seu interior, ou se a sua experiência humana é tudo o que existe. Isto é compreensível, desde que as muitas existências de separação da verdade essencial de sua alma, criaram uma limitação na perspectiva. No entanto, as janelas estão abertas agora e uma vasta e gloriosa paisagem está chegando à vista, revelando uma realidade espiritual que incorpora muitos planos do ser e cuja base vive bem dentro do seu próprio coração. Esta realidade está ao seu redor. Está se fazendo sentir em cada forma de vida e em cada consciência. Está despertando em tudo o que vive. Sua participação nesta nova realidade já está acontecendo desde que você está aqui na Terra, em um corpo, e todos os seres estão agora participando desta transição. No entanto, o seu eu consciente tem a escolha, agora, quanto a quão deliberado será ao deixar ir a sua identidade passada, a fim de reivindicar a sua nova identidade, como um filho do universo. Você é isto, reivindique isto ou não. Entretanto, a sua escolha consciente pode elevar a sua vida a um novo estado de ser e o seu coração a um novo estado de consciência e de admiração. Você pode ter sofrido muitas dores em sua vida. Você pode sentir que há muitos espaços em você que ainda não estão curados. Isto não é uma razão para adiar a sua imersão na nova consciência, na nova energia. Em vez disto, permita que a luz de Deus o cure e que purifique tudo o que é discordante em seu coração. Permita o processo de entrar na luz para lhe mostrar o caminho do maior crescimento, de modo que você possa sentir a alegria de se tornar o que você sempre esperou e que nem ousou sonhar ainda. Há muitas coisas inalcancáveis pelo esforço humano. As mesmas que podem ser alcançadas pelo esforço Divino, desde que o que é Divino é ilimitado por natureza, e esta natureza Divina tem a capacidade de lhe trazer tudo o que está na maior plenitude. Portanto, você está convidado a se doar à nova realidade sagrada da qual já é parte. Seja bem-vindo a ela e, de fato, você já faz parte dela. Deixe ir o medo e a desilusão... Ser Amado! Deixe ir a desesperança e o pensamento limitado do eu inferior. Não há tal coisa como “eu inferior” em termos espirituais. Há somente a beleza e a santidade de cada alma divinamente criada para serem vistas, sentidas e experienciadas em seu próprio corpo. Este é o momento sagrado pelo qual a sua alma tem aguardado. É a razão pela qual você está aqui agora. Saiba que você é bem-vindo à vida do sagrado. Ela é sua para viver e celebrar.

Julie Redston
 
Gestando o amor

Doce Senhora

 
 
Esse tempo, outrora jazido como fantasia,
Me aparece assim, de repente,
Impertinente como uma folha caída,
Trazido absorto na carência
de compreender a si próprio,
No folhetim de sua existência;
Trôpego como se fosse uma palavra vazia, sem sentido,
Impregnada pela vida
Que sacia a metáfora de um rebento que é seu.
Delineado sem decência por uma poesia
soprada nas tardes tristes, sem esperança,
Pelas mãos de um vento carminado,
Movimentando-se pelas colinas
de um alvorecer deflagrado dentro de mim,

Dobrado pelo capim das touceiras,
Espalhando-se pelo prado viçoso,
Colhendo a energia que se abre no firmamento
quando se quer ser amado,
Depois de ser deflorado pelo amanhecer
e mastigado por engano,
Pelas cortinas entreabertas,
Ouvindo o som primoroso das teclas
que toco ao piano,
Onde nem mesmo sendo uma ilusão
Encontrarei um fim.

Talvez Deus, inadvertidamente,
Tenha sido misericordioso
e me encerrado em sua perplexidade.
Sabendo o quanto não posso deixar-te,
Estando germinada pela inspiração
do amor que não me pertence.
Quando na verdade o que me resta somente
É esta saudade imensa de ti...

Doce senhora de ventre sofrido,
Que cobre o corpo
Com uma colcha de retalhos,
Feitos dos meus versos falhos,
Espalhados no colorido infinito,
De um céu há muito esquecido
em sua maturidade tardia.
Nascida do frescor de um cheiro florido
Que se arrepia nas águas cálidas de um banho
Na transparente bacia do meu rio...

Como se fosse a relva seca pela estiagem,
Que absorve deliberadamente a chuva
e mesmo assim ainda parece estar carente,
Meu coração se entristece
de viver na paisagem de tuas lágrimas,
Acalentando seu pranto nas águas
que correm por esse regato sem alvoroço,
Numa curva acentuada do campo
onde nos sentamos para conversar,
Depois do almoço reservado na cesta de palha,
Junto às flores caídas,
Guardadas num alforje entre as migalhas,
Arrumadas com a casta simplicidade
De um arranjo de tuas margaridas...

Antes que adormeças observa a página que escreveste neste dia!

Repara se não esqueceste de registrar as pequenas alegrias, os sorrisos, os sinais de carinho, os gestos de amizade... As discretas ternuras que se escondem em singelos favores que nos fazem.

Observa também se desenhaste as flores que enfeitaram esse dia... Mesmo aquelas que floresceram anônimas e solitárias na beira das calçadas... Se coloriste o céu com o anil mais delicado... Ou então se registraste a chuva como uma teia de cristais pendurada nas árvores, grudada nas vidraças...

Por certo hás de lembrar da lua que surgiu bem cedo, ansiosa por despertar rubores no horizonte... E também tingiste a noite com seus véus escuros, pontilhando-a de estrelas cintilantes... Antes que adormeças, enfeita a página deste dia com o brilho da tua presença... Porque mesmo que não tenhas lembrado ainda, tu és a parte mais importante deste livro que escreves a cada dia que passa! Pois são teus gestos, teus sorrisos, tuas lágrimas e as tuas palavras que compõem - com os teus sentimentos - a história da tua vida.

Antes que adormeças, prepara as tintas da esperança e pinta com capricho a luz de um novo dia! Acredite e lembre-se... O futuro sempre procura ler páginas já escritas!
 
Doce Senhora

A minha cor favorita

 
 
Amanhecer é escrever-te em poemas mil vezes,
Captar a luz calma e plácida dos seus olhos,
Unir-me a paz do encanto
que a tua alma finalmente traz,

Se os seres humanos fossem mar,
E dele –pudessem-captar
a grandeza e a formosura de um romance,
Compreenderiam as correntezas do céu azul
quando se transmuta,
E as tempestades de surpresas,
Nascidas de um simples arroubo,
Dividir-se-iam entre o intenso abissal do oceano,
E o plano inquieto da paleta de um Poeta ,
Pintando com as tintas do Universo a tua linda tez,
Numa bela e rosada alvorada.

Amanhecida na ressaca morna de uma brisa,
Na orla saudosa do teu abraço...
Aqui, mergulho para sempre,
nas águas transparentes do teu mundo,
perdendo o ar,
-que tu me cubra nesse poema, e me leve-
Tu és essa densidade,
o calor do desejo mais profundo, que necessito amar.

-a minha cor favorita é a do amanhecer-

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos... Fechando portas... Terminando capítulos... Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram. Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu... Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará! Não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante, por mais doloroso que seja, destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar-se ir embora. Soltar-se. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo! Não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda! Isso o estará apenas envenenando, e nada mais. Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal". Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa... nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando Ciclos! Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, Mude o disco, Limpe a casa, Sacuda a poeira. Torne-se uma pessoa melhor e assegure-se de que sabe bem quem é, antes de conhecer alguém e de esperar que ele veja quem você é... E lembre-se: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão.

Gloria Hurtado
 
A minha cor favorita

"Tristesse" (Chopin Etude op.10 no.3)

 
 
Quando você vem,
Da sua concepção do mundo,
Pronta para mudar nosso destino
com o humor de um fim de tarde,
As ondas do mar
parecem carregar as cinzas do meu interior,
Puro como a espuma e o sal que arde,
Suave e transparente como o rumor
que emana da minha breve respiração.

Perco-me na curva traçada ao acaso
na relva do teu campo,
Alinhada às praças floridas do firmamento,
Onde pulsa a comoção
que circula em minhas veias,
Carregando o sangue contido
e a aflição de ouvir debater-se o oceano,
Bebido como vinho seco
derramado pelo coração,
E assim, ouvindo o noturno de Chopin ao piano,
Tens a minha compaixão,
presa a sua fonte,
Refugiada nas ondas furiosas que sobem as colinas,
Galopando sobriamente um bisonte,
algumas vezes,
Perdida nas ravinas, nos confins da terra,
onde aparecem as sombras da noite,
Bem distantes,
numa letargia ambígua do horizonte.

Tu és a primeira estrela que nasce
quando vou embora,
Resoluto, levo comigo o douro dos parques
onde passo ao entardecer,
Para reconhecer na lembrança
o tesouro perdido de sua alma,
Guardado na esperança de um resgate virtuoso.
Feito em meus pensamentos,
Repletos do céu que cai espirituoso
na certeza de seu abraço,
Calmo e envelhecido
como um lembrete emudecido,
Colocado na porta da minha geladeira,
Escrito pelas frutas verdes sobre a mesa,
E as maduras, já sem gosto, dentro da fruteira.

Você se parece com o vento
dispersando esses momentos,
Quando estou preso nas nuvens de tempestade
sopradas em meio aos trovões.
Com a voz inaudível na tormenta,
sigo ecoando sem poder lhe dizer o que sinto,
Nessa dor que trago dentro da alma,
predizendo o quanto devo sofrer.
Finalmente, você vem em minha direção,
Com sua alma imortal inerte,
Nas chamas desse pesadelo apertando meu peito;
E fecha a porta da casa mais solitária da sua rua
ouvindo o gorjeio âmbar da lua,
quase amarela, na penumbra a se perder.
Vejo-te solitária na janela,
E me pergunto, sobre teu véu silencioso,
Como a persistência silencia uma pedra
que não receia o fogo,
Mas teme amar um favo de mel...
 
"Tristesse" (Chopin Etude op.10 no.3)

Doce confissão

 
 
Caías, debaixo de cada manhã, como um fruto,
Eras aquilo a que me referia, numa conversa lenta e desejada,
Se o sol não vem, o coração lateja solitário;
Em pé, na varanda, onde descem as gotículas claras,
Como lágrimas, à emoção que perdure na chuva,
Em cada dia, em cada sentimento aferido com precisão...

Com um formão vou talhando a madeira de cada coluna,
Trezentos e sessenta e cinco dias por ano,
Esculturando com exatidão cada receio marcado,
Dando a eles o anseio de ter vida,
Pois me ferem alvejado no peito pelas farpas da madeira,
Durante o dia, e a noite inteira...

Quando deito ainda me sinto debruçado sobre o peitoril,
E as grades que me cercam;
Embora precisasse de uma rede,
Sinto-me à vontade numa espreguiçadeira,
Olhando o fim do outono.
Vai se indo, liberto do reinado,
Deixando seu trono aconchegado como um ninho de folhas caídas,
Destronado pela megera que a tudo invade;
É a primavera trazendo ventos,
Que dão movimento a minha cadeira de balanço...

E, quando me levanto exasperado por tanta beleza,
Danço abraçado com a tristeza,
Que não quer me libertar,
E a chuva traz aquela mudança verde;
Por ser parecida com a esperança ela vem,
Desesperada como a uva, que sentencia sua doçura ao único cacho,
E o pinhão, abstraído de sua razão,
Desabrocha mesmo sendo macho, sem dar flor...

Minha amada, quero lhe contar do meu amor gravado nas esculturas,
Nas firulas de uma brisa que simplesmente me arrebata,
Como é o pecado da centelha existente no sofrer em cada mulher.
Sua cota de mel a deflorou por uma abelha,
Que não tenha preenchido seu peito com amor,
E penitente, pensa tê-lo perdido no leito quando o furor a dominou...

Triste sina que se abre na mata como uma trilha cruel,
À paixão de leva-la ao céu, vendo o sol nascer entre as árvores,
Enlaçado ao brilho do calor que a abraça,
Vai fugindo como nuvens cinzas transformadas em desgosto,
Transmutando-se no fogo de cada coração em harmonia,
Transformando a alegria dos canários ciscando a terra
em euforia de encontrar ouro,
No douro da alquimia de cada tez de manhã,
Onde os raios de prata da lua, seguem sem nunca poder lhe encontrar.

Seus olhos enxergarão meus sonhos?
Sinto em ti o penhor do sentimento derramado pelos córregos,
A abraçar-me sem dor quando tudo termina,
Agarrado ao limo verde de cada pedra que expressa de ti a saudade,
Em tua crueldade de natureza sentindo-se mais feminina...


Não te vás, caro amigo... Antes, escutes a voz da sabedoria em ti mesmo. Porque todo lugar é em teu coração. E, em todos os sítios, os teus pensamentos sempre estarão contigo. Na verdade, tudo está em ti mesmo – e sempre esteve. E, ao final, tua grande viagem será sempre espiritual. Porque tu és um Espírito! E a Luz das estrelas está em teu coração. E nada – nem tu mesmo – pode alterar isso. Ao longo dos éons, tu mesmo serás tua própria companhia. Então, se melhorares tua consciência agora, terás boa companhia à frente... E poderás viajar para todos os lugares, mas sabendo que o melhor está em ti. Não te vás, sem antes reconheceres a Força do Espírito – em ti mesmo e em tudo. Porque, tentar viajar sem antes iluminar o coração, só distrai os sentidos... E ilude a mente com as coisas temporárias do mundo. Ah, põe teu Espírito em cada passo e teu Amor em cada canção. Porque o Supremo colocou a Luz das estrelas em teu coração. Não te vás, caro amigo... Não dessa forma, só com o corpo. Põe teu Espírito na viagem e, assim, todo lugar te parecerá lindo. E, dentro ou fora do corpo, tua viagem será sempre espiritual. Não, não te vás... Até que o teu coração esteja pronto. Porque, sem a Luz do Espírito te guiando, tua viagem será só miragem. E, mesmo que tu vás aos quatro cantos do mundo, o vazio interior te acompanhará... Ah, meu amigo, a grande viagem é em ti mesmo. E só reconhecendo isso é que tu poderás viajar seguramente... Então, não apenas os lugares da Terra se abrirão para ti, mas os do Céu também. Ah, põe o teu Espírito na senda... E canta com todo teu coração. E que a tua companhia seja boa – para ti mesmo -, e também para os outros. E que tuas viagens sejam realmente lindas, sempre... Aquilo que toca o coração é o real. Porque é a verdade do Espírito. É o Amor que se sente... E que transforma o viver em algo mais. É algo que não se explica. No entanto, brilha mais que milhões de sóis juntos. É a essência do SER. E, quem ama, sabe. E reconhece isso. Porque não tem medo de se entregar à Luz. E, por isso, voa sem medo... Porque o Amor lhe dá asas. Ah, isso não se explica, só se sente... E quem ama, realmente viaja pelo céu do coração. E vê estrelas. E agradece... E não fala mais de ter, mas, de simplesmente, “SER”. Ah, é só o Amor que nos leva... Dedicado ao Poder do Espírito em cada coração, que, nas asas da intuição, compreenderá a assistência espiritual - sutil, serena, e magnânima - que viaja por meio dessas simples linhas, escritas por obra e graça de um Grande Amor, que não se explica, só se sente...

Wagner Borges
 
Doce confissão

Memórias do verde

 
 
Tu, bem que poderias ser
O silêncio desejado nessa manhã,
Onde posso ser tudo e cada palavra,

Serias o broto nascente
E na relva
O gafanhoto estridente, que me devora,
Olhando para fora de mim,
Numa viagem contorcida e alucinante,

Formosa como as formigas,
Carregando pétalas pelo jardim,
Compreendida entre um ciclo que começa,
E parece nunca ter fim,
Mas termina na simples visão de uma rosa
Que ao meu amor fascina.

Sê, podes ser triste,
Naufraga com o meu ressentimento,
De colorir-te como um rumor voa ao tempo de iludir-me
Habita, assim, o frenesi das tempestades no meu peito,
Afagando a distancia dourada do sol,
Que lhe tivesse restaurado,
Espelhado pelo brilho do seu corpo,
E eu, conquistado no meio do amanhecer,
Sinto-me desnudado nesse momento que teima em viver,
No caule enrugado da alma,
Sob as estrias do tempo
Unindo o presente e o passado,
Onde tenho a doce sensação,
De ouvir uma cigarra,
Na sensação de guiar os meus passos,
A ao tocar uma guitarra espanhola,
Procurarei teus passou até chegar ao seu coração,
O infinito onde me faço silêncio,
Com frescor de brisa e lavandas recém-plantadas,
Dando a mim um morno alento de vida,
Um sustento para o nosso jardim,
Soprado pelas estrelas numa doce canção,
E mesmo sendo um asceta,
Deus encontra o tempo para ser um grande Poeta,
E me preencher com amor e saudade de ti...
 
Memórias do verde

Sem juízo

 
 
Desenho sobre o teu rosto
Doces pétalas marcadas de saudade
Tragadas na canção de um lindo dia,
É a brisa a te enlaçar,
Com seu alvorecer perdido,
Fazendo sinfonia, presenteando o coração...

Revoa a tristeza, delineando a aura das flores,
Mas com sutileza tu as espantas e devora;
Retém, em meu peito um rio, (fluo demoradamente)
Perpetuo as curvas sinuosas
em que tu afloras,
Cheio do teu contentamento, enluo,
Vazio de complemento,
Que é o intento de completar-te,
Entregue à balsa que navega em cada gota de orvalho;
És o suposto soro da noite, amada,
A afugentar minha dor,
Mesmo que esteja com os olhos rasos d’água
Cais madrugada na alma que tu alimenta.

Se não dói, é apenas saudade,
Porém, estou longe para dizer-lhe quando nasce,
E próximo do teu completo espairecer,
Devo obedecer, é tua vivencia,
Aconcheada às palmas de minhas mãos,
Estonteado, e enaltecido de tanta carência...

Dá-me paciência para louvar-te com poesia,
Dá-me força para nascer a cada dia,
Chuva que lava toda reminiscência,
Em que sou a poça desiludida;
Tu vens, lava minha ferida, entrega-me voluptuoso,
Embora a dor de sofre-te seja descabida,
Tua luminescência é o sol, suntuoso,
Vagando em brilhos instantâneos
Feito tuas mordidas carinhosas em meu coração;
E, o afago que tu detém,
Vem liberto, quando repousas no meu peito,
Fazendo-me refém de tua liberdade.

E aí, no frio da tarde, já sem juízo, sou cinzento;
Diante da loucura que me faz padecer,
Tu me apareces a arder
E me queima por dentro,
Pousando os olhos no horizonte, vendo-me morrer....

https://www.youtube.com/watch?v=Cl57NQ6GcF8

Uma alma perfeita move-se numa dimensão completamente diferente: de A para A1, para A2, para A3 – e isso é eternidade; é viver num eterno agora. Eis porque desaparece deste mundo.
Para entrar neste mundo, você tem de ser imperfeito.
Diz-se nas velhas escrituras que sempre que um homem se aproxima da perfeição – muitas vezes isso acontece – deixa alguma coisa imperfeita para poder voltar.
Conta-se que Ramakrishna era viciado em comida, era obcecado. Pensava o dia inteiro em comida. Conversava com seus discípulos e, sempre que tinha uma chance, corria até a cozinha para perguntar à sua mulher: ‘O que está preparando? Que novidade está fazendo para hoje?’ Muitas vezes até sua mulher se sentia embaraçada e dizia: ‘Paramahansa Deva, isto não fica bem para você.’ E ele ria.
Um dia, sua esposa insistiu, dizendo: ‘Até seus discípulos se riem disso e falam: ‘Que espécie de homem liberto é Paramahansa?”.
Ele era tão obcecado por comida que sempre que Sharada, sua mulher, lhe trazia a refeição, imediatamente dava uma olhada na thali para ver o que ela estava trazendo. Esquecia tudo sobre Vedanta, sobre Brahma, e às vezes era muito embaraçoso, porque havia pessoas presentes e elas achavam um absurdo um homem liberto ser preso à comida.
Um dia, sua esposa insistiu:’Por que você faz isso? Deve haver alguma razão.’
Ramakrishna disse: ‘No dia em que eu não o fizer, você poderá contar mais três dias para eu estar vivo aqui. Quando eu parar, este será o sinal de que só estarei aqui por mais três dias.’
Sua esposa riu, seus discípulos também riram e disseram: ‘Isso não explica nada!’
Eles não conseguiram acompanhar o significado do que foi dito.
Mas aconteceu exatamente assim.
Um dia, sua esposa chegou com a comida e ele estava repousando em sua cama. Ele virou-se de lado – geralmente pulava da cama para olhar. Sua esposa lembrou-se do que ele havia dito: que viveria apenas mais três dias quando se mostrasse indiferente à comida. Ela não conseguiu segurar a thali; a thali caiu e ela começou a chorar.
Ramakrishna disse: ‘Mas todos vocês queriam que isso acontecesse. Agora, não se preocupem. Estarei aqui por mais três dias.’
No terceiro dia, ele morreu.
Antes de morrer, disse que estava preso à comida só para continuar ligado a alguma coisa imperfeita e poder estar com os discípulos, servindo-os.
Muitos Mestres fazem isso. No momento em que sentem que estão se tornando completamente perfeitos, prendem-se a alguma imperfeição só para continuar aqui. Caso contrário, esta margem não é mais para eles. Se todas as amarras são rompidas, seus botes rumam para a outra margem, não podem permanecer aqui.
Assim, eles mantêm alguma amarra, mantêm algum relacionamento, encontram alguma fraqueza em si mesmos e não permitem que ela desapareça. Desse modo, o círculo não é completado, uma lacuna permanece. Através dessa lacuna, eles continuam aqui.
É por isso que os hindus, os budistas e os jainistas, por terem conhecido muitos mestres, sabem que a perfeição não é deste mundo. No momento em que o círculo se completa, desaparece dos seus olhos. Você não pode ver, não está na sua linha de visão, está além – lá você não consegue penetrar.
 
Sem juízo