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Poemas, frases e mensagens de Rafael007

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Rafael007

sou, quero...

 
Sou...
Sou amor,
música, dança e poesia...
Sou o Sol e sou a Lua.
Sou o mar e a solidão de amar...
Sou o sonho e a espera...
sou a busca...
a figura na janela
mirando o horizonte, sou...

Ondas morrem em praias longínquas...
Sóis põem-se, sem que eu os veja...
Flores desabrocham e fenecem, sem que eu
sinta seus perfumes ou admire suas cores...
Percorro desertos, fogem-me os jardins...

Escuto o canto da sereia, mas lá não posso chegar...
Ouso: ando, nado, sofro...
Ah... ilusões... ilusões...

Lamento o Tempo passado, o Tempo perdido...
Existo sem ser...
sou?... serei?...

Quero...
Quero a serenidade
de uma vida plenamente vivida...
Busco a sabedoria, não a erudição;
A sabedoria do viver bem: comigo mesmo,
com os outros, com tudo o que me cerca -
a natureza os seres... -
com o Universo...
 
sou, quero...

Um Ser de Luz

 
Em meio à verdejante planície,
Vejo um girassol.
Dotado de uma singular beleza,
Faz este seu caminho habitual:
Sempre mirando o sol está.
Procura a luz, deseja a luz;
Não sabe ele que, em si, já a traz?

Sim, deveras a possui!
Sobre a grama, uma beleza sem igual;
Um brilhar áureo sobre a verde relva.
Um Ser ou Não-Ser, sem bem ou mal.
Por que de girassóis este poema fala?
Será simples metáfora o que minha mente produz?
Se queria flores, por que não orquídeas? Por que assim o fiz?

De certo, não só de flores é o meu caminho
Nem o do girassol só o sol...
Mas ele o busca, ele o clama;
Faz dele uma questão existencial:
É o que o faz viver, seguir sem pressa...
E tu? Tu és a flor que o meu caminho conduz;
Tu, como o girassol, trazes o belo e a paz.

És tu o girassol metafórico!
Lindo e inalcançável;
Cheia de graça, és Ana!
Bela e admirável.
Eis o que o meu poema canta:
O belo-em-si, será este fugaz?
O teu existir que a tudo compraz.

Quantos já deixaste a sonhar,
Com teu olhar, com teu amor, afinal?
Rivas! não és tantas és uma,
Uma, como a flor, com teu perfume e mel.
Embora presa à Terra, em liberdade segues a vida;
Não ficaste atada pela raiz.
Tu és uma flor, o Girassol que a todos seduz.
 
Um Ser de Luz

Os Ladrões da Noite

 
Embebedam-se de sangue e repousam sobre os corpos putrescentes,
os ladrões da noite.
Inimigos dos boêmios e dos poetas que vagam...
Aproximam-se sorrateiros, os ladrões da noite - oh, criaturas repugnantes!
Ao luar espreitam...
Rastejam, urram e espantam as frágeis garotas e outros passantes amantes da noite.

Seres sem alma que dissipam a calma.
Como pode um poeta escrever, se não há vida lá fora?
Nem um Ser, uma mulher a quem oferecer uma flor
ou sussurrar versos de amor...
Só o sofrimento tem lugar, nesta noite vazia e vã...
Desapareçam, ó crias de satã!

E o boêmio, que entre um copo e outro,
as mágoas pretende afogar?
Numa mesa de bar, só e triste...
Ouvindo aquela canção.... sentindo-se o verdadeiro astro,
ao reconhecer em si a desventura cantada – “mais um uísque!”
“Mais uma dor!”... A boate cheia... E nada para acalmar...

O temor toma conta, e a cidade se esconde.
A tormenta é tanta, pois real e próxima,
Que nada se vê, ouve ou acontece...
E o Poeta? O Boêmio? Ai, de que ama!...
“Ninguém nos roubará a noite!”, exclama o poeta.
Num impulso, o boêmio abre do bar a porta e...

Toda a vizinhança se põe à janela a espiar:

“Será o momento!? Já era tempo!”
 
Os Ladrões da Noite

A eternidade de um segundo

 
Quanto tempo há num segundo?
Quanto vale o tempo vivido
e o tempo não-vivido, perdido?
Ah, o Tempo, o Tempo...
O nosso grande inimigo...

Aquele segundo eterno que nos toca e permanece:
Uma bela canção que nos chega ao ouvido
Uma paisagem que nos passa à visão
Um livro, um filme, um encontro ao acaso...
Um beijo que se dá... um amor que se vai...
Momentos que se eternizam na mente e no coração...

Uma noite sem dormir
Um dia sem despertar
Aquela palavra não-dita...
a um amigo que se foi...
O amor guardado...
à espera de...
Versos lançados à sorte
que ninguém lerá...

Vida...
É o tempo que temos para percorrer
o nosso caminho...
Se breve ou longa...
não importa...
Importa o que e como fazemos
nesse período que nos cabe.

Para Valéria Q.
 
A eternidade de um segundo

Ah...

 
Nem poeta, nem sábio
nem historiador e nem cantor;
amante, nunca amado...
Louco, sim!
mas um louco amigo.
Perdido,
desde sempre...
sapateando pelas estradas da vida...
Sonhador, vadio, errante...
numa busca delirante:
Amor,
Luz,
Destino.
Espiritual, melancólico, pateta
Ah...
 
Ah...

Sociedade Doente

 
Vivemos num mundo de valores invertidos e sonhos perdidos.

Não existe respeito, existe interesse;
Não existe amor, existe competição;
Não mais sentimentos, mas contas bancárias...

Mundo doente, sociedade doente, humanidade doente...

Não há mais qualidade, mas baixo custo, altos lucros...

Arte! Pra quê?
Educação! Pra quê?
Saúde! Pra quem?
Paz, segurança... hein?
Humanidade! Cadê?!
 
Sociedade Doente

Rum, Rum, Rum...

 
Rum, Rum, Rum...
Um pouco de rum para este velho pirata...
Três décadas e nenhum propósito encontrado...
Rum, Rum, Rum...
Qual o destino?... mais um gole!
Náufrago... de si... em si mesmo...
Rum, Rum, Rum...
Existindo... existindo sem ser...
Esperando... não sei o quê...
Rum, Rum, Rum...
 
Rum, Rum, Rum...

A Janela

 
Devo eu atravessar a janela?
Hum...
Faz um dia lindo lá fora...
O sol, os pássaros a cantar...
As pessoas que vêm e vão...
E eu aqui, fechado e só!
Sonhando só, vivendo só...
Só, sem amor.

Devo eu atravessar a janela?
Hum... talvez outro dia...
Noutro dia de sol...
Quando, novamente, os pássaros estiverem a cantar
E as pessoas a passar
E eu parar de só sonhar
E começar a viver
Fora de mim e de meu espaço.

Como sair de mim, sem me perder
ou esquecer?
Como ser outro e não eu,
dentro ou fora de mim?
Devo eu atravessar a janela?
Sim, mas não hoje...
Nem amanhã ou depois de amanhã...
Um dia, quem sabe...
 
A Janela

Acho que nunca escrevi uma crônica... (21/09/2017)

 
Debruçado sobre meu laptop (hoje mais lento do que nunca!), e tentando não escutar o barulho da construção aqui ao lado... resolvi refletir um pouco sobre as últimas semanas... E que semanas!
Talvez esta seja a minha primeira crônica; não levo em conta as brincadeiras que fazia na faculdade sobre as massas revoltosas ou o Partido dos Feios, Sujos e Malvados (heeh)... divertia-me com aqueles textos, mas infelizmente não os guardei.
Sem fugir aos clichês, aí vou eu...!
Não posso dar muitos detalhes... não seria justo...
Ainda não entendi a razão, mas alguém lá em cima resolveu brincar comigo; não bastava tudo que passei e tenho passado nesses últimos quase cinco anos: perda, mudanças, mentiras, falsidades... Num momento em que minha vida praticamente se desfez; quando todos os meus sonhos se perderam no tempo e espaço dessa minha existência vazia, inútil (quantas vezes já não pensei em abandonar tudo... em fugir... em morrer...); num momento em que percebi que não posso mais confiar em ninguém; num momento de total descrença da vida, da humanidade, eis que me apareceu essa pessoa... Não importa como, quem ou quando, e sim as consequências desse encontro.
Conheci, então, a garota mais maravilhosa do mundo! Perfeita: linda, inteligente, atraente... um verdadeiro sonho... aquele sonho do qual jamais queremos acordar... aquela pessoa que você quer ter ao seu lado a vida inteira... e depois também!... (não falei dos clichês!).
Bem me avisaram: “não faça isso, é só um jogo, não se envolva!”; mas como não me envolver, como resistir a tal encanto, carinhos, beijos... algo que nunca tive. – coloquei outra vez o disco do Sinatra: ‘A man alone’, meu companheiro de escrita...
Atraído pelo canto da sereia, julguei ser real o que nunca poderia ser real.
Eram tantas coisas em comum... outras nem tanto... tantos sonhos e promessas... momentos fugazes que me fizeram esquecer a dura realidade, essa vida insignificante à qual estou preso. Hipnotizado, pensei estar livre; pensei ter encontrado, enfim, aquela por quem sempre esperei... Posso até dizer que ela é uma versão melhorada de mim... no que temos em comum... e totalmente o oposto, no que diz respeito aos meus defeitos... o que na minha mente insana seria uma combinação perfeita; seria a combinação!; Seria o grande encontro do Poeta... a união final e divina de dois seres que se completariam e se ajudariam mutuamente... dançando e se amando eternamente, ao som das mais belas melodias, e de preferência, bem longe desse cotidiano morno, e por vezes cruel... juntos não deixaríamos a vida nos devorar... Rá... – quem me embala agora é o sax de Stan Getz...
Doce ilusão... deu-me até vontade de ser uma pessoa melhor... sair da caverna... atravessar a janela... e encarar a vida de frente... ela era exatamente o que eu buscava, o que me faltava... falta.
Como esperado, meu amigo estava certo. Acabou... a realidade bateu. Serviu como aprendizado, reafirmou tudo o que eu já sabia sobre mim mesmo. As pessoas mudam? Creio que não; para o bem ou para o mal, somos o que somos do início ao fim. Aprendemos alguma coisa ao longo do caminho, desaprendemos outras, acrescentamos, entendemos, mas a essência é sempre a mesma... Destino ou Acaso...? fico com o destino... não adianta insistir no que já está dado... basta esperar... e agradecer os bons momentos... e torcer por outros tão bons quanto...
Não fossem as noites mal dormidas e as más refeições, esse texto poderia ter ficado melhor... sei lá... talvez o próximo fique.
Ei, nunca vou esquecê-la!
 
Acho que nunca escrevi uma crônica... (21/09/2017)

Um Anjo

 
“Ai, quem me dera ser o ar
Que ao menos roça os lábios teus
E te beijar mais um adeus.“
'Canção do amor ausente' – Vinicius de Moraes & Baden Powell.

Ah...
A garota que o tempo guardou...
Um anjo repleto de amor...
Magnífica criatura, delicada e pura...
Doce presença de tempos passados...

Ah...
Ao poeta que contigo sonhou,
Quem dera viver este amor!
Unir a alma à tua
E dançar nos palcos alados...

Ah...
De olhar distante, vais adiante
Teu limite, o horizonte...
Escuta meu apelo, o meu verso bandido!
Leva-me em tuas asas, meu anjo lindo!

Ah...
A ti canto e escrevo, como eterno amante
Por ti, ao luar, espero, como poeta errante...
Meu andar é só, como o de um vagabundo
Que em sonho percorre o mundo!

Obs.: Poema escrito para Marina L.
 
Um Anjo

Um Verbo?

 
Um verbo?
ser...
por seres assim como és,
a totalidade de que te compões...
 
Um Verbo?

Primavera

 
Bem-Vinda, Primavera!
É tempo de
renascer,
amar e
ser amado...

À Luz da nova era,
possamos florir,
brilhar, perfumar
e sorrir,
sempre, em direção aos nossos sonhos...
 
Primavera

O Enigma do Poeta

 
Ei-lo...
Como alcançar aquela flor no alto da montanha?
Se tentar escalar, corro o risco de cair abismo abaixo...
Se esperar demais, o Tempo a flor murchará!...
Caso o topo eu alcance:
Se eu a colher, logo fenecerá,
Do contrário, seria uma flor de plástico, falsa e sem perfume...
Pode ser que eu não seja o único a desejá-la;
E que outros já estejam indo ao Grande Encontro...
Talvez até já faça parte de um jardim, e eu passe por invasor...
Talvez tenha espinhos que me venham ferir a alma...
Talvez... sempre talvez...
 
O Enigma do Poeta

A moça que passa

 
Lá vem ela de novo
É a moça que passa
Com seus cabelos ao vento
É a moça mais linda!
Com um sorriso no rosto
A cada dia mais bela!

Quanta beleza em seu andar
Quanto mistério no seu olhar!

Ela vem passo por passo
Como no primeiro dia
Não me é de consolo,
Mas me encanta.
Com os olhos sempre a sigo,
Mesmo que ela não saiba.

Quanta beleza em seu andar
Quanto mistério no seu olhar!
 
A moça que passa

Valsa pra Marina

 
 
Como uma bela dama assim, assim...
Como uma bela dama assim, assim...
Numa noite enluarada, assim, tu me chegaste, mostrando o que era só teu, e eu vi e amei...
Roubaste meu coração, ó anjo, ó anjo...
Roubaste meu coração, ó anjo, ó anjo...
Ali permaneci parado, e sem saber o que fazer ou dizer: era o amor, era sim!
Fiz o que pude para atrair o teu olhar e, na ânsia de amar, não me contive e logo o teu nome perguntei...
“Marina”, tu me respondeste, numa voz muito delicada e doce!
Cheguei até a pensar em de ti fugir...

Vieste tu do mar, pensei, sonhei...
Desceste tu do céu, sonhei, pensei...
Só pode ser divino, o teu olhar no meu, e a tua -- só tua! -- beleza, enfim...
Entreguei-te uma rosa, amor, amor...
Revelei-te o meu desejo, ó dor, ó dor...
Tu, como chegaste, partiste, sem nem sequer dar-me a mão, ou aquele beijo apaixonado...

A valsa amorosa seguia, todos os casais dançando, se amando... mas e eu? Que sina!
Eu fiquei ali sozinho... a pensar, olhando a lua, uma nuvem a passar no céu...
Esperei, mas para mim tu não voltarias... a rosa se despetalando... Ah Marina...
Todos nesse mundo sempre encontram o seu amor, por que será que eu não encontro o meu, o teu...?

Vieste tu do mar, pensei, sonhei...
Desceste tu do céu, sonhei, pensei...
Só pode ser divino, o teu olhar no meu, e a tua -- só tua! -- beleza, enfim...
Entreguei-te uma rosa, amor, amor...
Revelei-te o meu desejo, ó dor, ó dor...
Tu, como chegaste, partiste, sem nem sequer dar-me a mão, ou aquele beijo apaixonado...

Obs.: Esse poema foi uma tentativa de fazer uma letra para a valsa 'Marina', de Vicente Paiva. Não entendo nada de música (apenas amo!!!) nem peguei a partitura, por isso não sei se encaixa (heeh).
 
Valsa pra Marina

Florbela

 
Florbela Espanca,
Flor d´amor e de saudade,
Na vida passou alheia, distante...
Nasceu, viveu, sofreu a dor d´amante...

Cantou, em versos de madrugada,
O amor que só a lua ouvia...
Buscou, sonhou em vida ser amada...
Chorou... partiu... e ninguém ouviu...

Acaso ou destino, sorte ou ironia
a poesia nos uniu... Num lamento
admirado, lembro-te aqui; rabisco,

em versos simples, minha singela
homenagem... da janela a ver o mar...
componho eu o mesmo fado d´amargura.
 
Florbela

Soneto Inverso

 
Quando grito ao vento versos loucos,
Como ao luar uivam os lobos,
O que espero?

Que desça do céu um anjo lindo?
Que me venha assim sorrindo,
puro e sereno como o sereno da noite?...

E me leve a bailar entre as estrelas,
Cuja beleza encanta os solitários debruçados nas janelas
E os faz sonhar em vãos tormentos
Embalados em seus lamentos?...

Ah... mas o grito é mudo, o verso é triste...
A noite passa... a lua assiste...
O revólver engatilhado espera o “click”,
rodando ao som de Dick...
 
Soneto Inverso

À Madrugada

 
O fado cheira à saudade.
O perfume atrai e dá vontade.
A madrugada existe, a solidão insiste;
A musa falta, o poeta cala e chora.
Chora um choro sem lágrimas, o poeta chora...
Chora letras, chora versos, chora poesia...

Melancolicamente... o poeta vai à janela:
Olha a lua – tão bela é a lua!
Sente a brisa – hum... a brisa!
Escuta o mar – ah... o mar...
 
À Madrugada

A Prisão do Poeta

 
O tempo que é meu a mim não pertence...
Me pertence a prisão, e no meu eu-prisão
passo inexistente, passo ausente...
passo por passar, passo em vão...
 
A Prisão do Poeta

Canto Vadio

 
Escuta meu canto, ecoando aos quatro ventos...
Um canto mudo, voando em pensamentos...
Sentiste ao ouvido?
um sussurro, um gemido...

Nos lábios um beijo...
Nas mãos uma flor...

Sou eu flutuando por aí...
E não quero voltar!
Se quiseres me encontrar...
Sabe que já saí...

saí a te buscar...
 
Canto Vadio