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Poemas, frases e mensagens de theartist_lc

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de theartist_lc

Poema cansado de esperar

 
queria que me esperasses nesse tempos
onde preparas os intervalos,
das nossas existências,...

eu não sei de maldade,
não percebo se respirar assim,
com dores de saudades a escortanharem
uma voz que já nem viva está,
será digno,
será modelado ao presente
que ainda consigo ter,...

conjugar assim tantos verbos
reduzidos ao particípio,
da espera,
tira-me a força de um
argumento que só está desenhado,
de traço trémulo,
com um sol que desmaia pelo
meio desta chuva ácida cor de enegrecido,...

esquece que te pedi a espera,
prepara-me só a partida,
porque a dor entontece-me o argumento
 
Poema cansado de esperar

Alienação do tempo descrito

 
esperávamos um mandamento de respeito. Algo como a voz, replicada em sonoras
ondas de eternidade, que saísse de dentro daquela casa que, decrépita,
se preparava para morrer.
Diziam que era ali que entravam
homens sem alma, e saíam profissões de fé transformadas
em alvoradas sem cor.
Só deixando para trás um odor a terra queimada, sinónimo de maternidade hermafrodita.
Líamos a razão, apenas com os olhos fechados e em lágrimas.
Falava-se no milagre sem cor. Que a criação seria recriada aos poucos,
sem fantasia.
Disposta a ouvir as pessoas no sono
e na alvorada. Independentemente de credos, raças, ou segregações sexuais declaradas.
Efusivamente anunciado, o tempo parecia ter recomeçado. Em ti eu achava o protocolo certo de estar vivo. Ouvindo salmos de anúncios sem voz,
a rescisão da divisão entre o real e o passado,
a frase escrita, e dita.
Precisávamos de uma razão para continuar a respirar.
E encontrámo-la nas danças alienantes da névoa da manhã, que bailava estranhos encantamentos hermenêuticos em nosso redor, pedindo a madrugada.
Talvez tudo fosse o necessário para que cada minuto se passasse como nunca havia sido o anterior, e nunca poderiam ser os restantes que estivessem para vir.
 
Alienação do tempo descrito

Renovada depreciação da luz

 
enquanto o amor,
sim o ódio que
me resta do amor,
esse guarda-se
no bolso roto de tanto
tempo,
o resto não saberei
o nome,
só o vento,
a frase transpirada
neste esquecimento
de criação,
que a lonjura me traz,
de quando em quando,....

acharei ser teu,
mas a renovada
depreciação da luz,
a que me cega o
lote fechado
destes versos
que não entendo,
e que são o que ainda
me abre os olhos,
me tolda a tristeza,
pinta este ódio
do amor que nunca
me recordei tanto,
como agora
 
Renovada depreciação da luz

Com e sem sol

 
talvez haja o sol,
uns desenhos sujos,
irrelevantes,
morrendo como sombras chinesas
nas paredes eternecidas,
do entardecer,...

com as cidades
a perecerem por trás da frase,
do complemento direto
destes segundos
que matam mais
que debitam,
a nascitura infelicidade
de milhões de anos
num copo de nada,...

e quando só há o breu,
a fútil certeza da desilusão,
fazes-me a mim mais mal,
que bem,...

sem sol
 
Com e sem sol

Ágora

 
Parece um absurdo mas,
De braços alinhados,
Haveria ainda margem para o erro,
Sonhavamos todos o mesmo,
Apareciam os mesmos inconseguimentos às mesmas pessoas,
Em suma o irreal era palpável para todos,
Ao ponto de nunca mais a lonjura se assemelhar a um monstro,...

Os restos de civilidade eram acomodados debaixo de terra,
E as pessoas partilhavam experiências más,
Como se a razão se jogasse igual à bola mais escondida dos cantos do mundo,..

O papel de sacerdote coube ao moribundo,
De alma encomendada arrastou os pés pela lama azulada,
E acasalou com o luar até nascer um sossego comum para todos,...

A felicidade anotou provérbios nas mãos dos presentes,
E o tempo acabou como se a rotina se enegrecesse,
no sol que já despontava
 
Ágora

Inseguranças

 
Há certamente formas mais cómodas de contar isto,
Nao sei qual escolha,
A voz enlameada,
Não passa com o que provêm deste sol esquizofrénico,
Atrás de mim,
De ti,
De todos sem que haja sequer voz,...

Tenho um texto escrito com respaldo,
Pode suportar todo este empobrecimento consequente à dor,
E nada mais diz que um novelo de contradições,...

Sou pobre na espera de metáforas,
Vendo só o que aqui está,
Sem o conseguir classificar,
Adio as frases inúteis,
As pausas de poesia experimental,
E assim revelo-te a minha mágoa,...

Incomodado preciso de tempo para ser objetivo
 
Inseguranças

Método científico

 
Que assim como eu mostrasse fascínio pela resolução,
Não deixar a hipótese a meio,
Testar,
Influir nos cenários de amenizacao de um problema,
E depois trabalhar para adiar,
Adiar o inevitável,...

Pensar que o romântico atrasa,
A probabilidade admite o erro,
E que poderia ter sido aprazível termos esgotado cenários,
Admirar a localização desta cidade,
Com a coragem de a deixar,
Com as esporas do ódio bem cravadas no chão que se viesse a palmilhar
 
Método científico

Crítica literaria

 
Gostei da imagem de tranquilidade que o poema transparece,
Dois homens a dirimirem opiniões políticas divergentes,
Dois copos de vinho mal servidos numa mesa suja e gasta,
Uma criança de olhar longínquo,
Comprometida com algo e que assume um silêncio assustador,...

Conseguiste uma catarse específica de qualquer coisa,
A que um bom título poderá emprestar cheiro de fábula,...

Configuro a minha leitura com este meu preconceito com a realidade,
Não aprecio mais por me sentir descomprometido com a insuficiência da vida em respostas
 
Crítica literaria

... É o nada saber porque assim o desejo

 
estas são pequenas coisas,
deslindes próprios das situações que ficam
por resolver nos dias
de sol escondido nas
dúvidas,

escrevo-as na palma da
mão ao lusco-fusco,
depois com toda a força
que a ignorância me permite sopro,

e tudo se desvanece
no voo solto do que
almejei para este momento,
soluções,
factos consumados,
segundos milimetricamente dispostos
em círculo para me fazerem sentir bem,
de tudo abdico para ficar solitariamente a planear
acabar com este sentimento de malha fina que
é o nada saber porque assim o desejo
 
... É o nada saber porque assim o desejo

e ao máximo denominador comum do estar aqui

 
e depois daquelas noites em nó,
ao fim de estradas e estradas de
chuva em verso,
que nos tiravam a visão,
deixando nas
bermas os equívocos
alinhados em desilusão,...

aninhaste o fogo
seco do amor
aos meus pés,
razões para que
lá fora nem
se ouvisse o vento,
só os choros
inconsequentes de
quem nem nos conhece,
só ignora,...

e ao máximo
denominador
comum do estar aqui,
escolheste partir,
ficando para
trás um real,
dissecado
no bolor do
choro sem cheiro
 
e ao máximo denominador comum do estar aqui

Sou eu quem escreve os poemas mais bonitos

 
Para o ou a boxer

:)

Sou eu quem escreve os poemas mais bonitos,
não só pela métrica nos rebordos,
como pela diferenciação entre morte e pratos de sopa,,..

não faço sentido a chamar as meninas quando saem do trabalho,
estendo um manto de cães mortos e digo-lhes que se casarão,
caso se atrevam a ter a coragem da irresponsabilidade momentânea na vida,...

sou eu quem escreve os poemas mais bonitos,
aliás,
não sou só eu quem o diz,
conheço quem os defina enquanto põe roupa a secar,
cantando fados de uma nota só,
disparados com arco e flecha em direção a alvos no céu,...

os meus poemas saltam num só pé,
e são cadavéricos quando se despedem da vida,
para fazerem uma multidão de raparigas imberbes apaixonar-se por eles logo a seguir,...

sou eu quem escreve os poemas mais bonitos,
talvez seja hora de os rasgar num féretro sem cor
 
Sou eu quem escreve os poemas mais bonitos

Adjetividade

 
Eram casos adjetivos,
Firmes soluções advogadas com a rispidez de velhos astutos,
Escritas sem tintas que se apagassem,
Mas antes com as certezas possíveis,
Auscultadas com teorias espessas,
E todas por inventar,...

Nunca cerceada,
Esta era uma realidade aos poucos escrita,
Aos poucos confirmada,
Só se possível desmentida pelo coração que,
A medo,
Saltava na praça onde os velhos astutos,
Cavavam rotas com a precisão imprecisa do final dos tempos
 
Adjetividade

Retorno à inocencia

 
Várias vezes,
Sempre à mesma hora,
Os de qualquer dia em silêncio,
Quem cultivava o passado repetindo o que se aflorava,
A solução para o diferendo residia no esquecimento de faltas de conseqüência,...

A inoculação dos que mostravam raiva,
Parecia ocultar o amor,
Influir nas escolhas que contavam,
E descontar a terra necessária para decifrar as restantes,...

À volta tanta e tanta estátua de obstáculos com pés de lama,
Nao faria sentido continuar a descrição deste retorno à inocência
 
Retorno à inocencia

Owner of a lonely heart

 
Havia outras vozes,
Mais ou menos dispersas,
Éramos os suficientes para perceber o medo,
Anotar mentalmente as falhas de carácter uns dos outros,
E faziamo-lo ostensivamente,
Sem preocupações de género, doença ou dor de existência,...

Veio a ser uma discussão de desejos,
Mais até do que de ideias, que pelo seguro, guardadas estavam no sítio onde as pessoas as deixam morrer,...

Não me recordo se tinha a alma vestida,
Ou sequer se tinha alma,
Só penso ter deixado aquele local já depois de o céu me ter chamado dispensável,
Era o que esperava para mais uma etapa de desleixo e ressentimento pela solidão que me auto-impus
 
Owner of a lonely heart

Adeusar

 
Na terceira vez a forma,
Antes do encanto o redondo dos desejos,
Esferica a resposta à glória da dedicação,
Com metro,
Passo a passo a lonjura para o compromisso,
Encurta a distância que tinhas prometido,...

Não estipulo a verdade,
Nem as críticas à sua hermenêutica,
Anoto só cada grito,
Todas as exaltacoes que são veículos,
Para as perfeiçoes possíveis,...

Ao longe a despedida,
Ao perto a frase embrulho que combinamos,
À medida,
Para a envolver
 
Adeusar

Untitled

 
Maria é a mulher que está em todas as recusas,
Em qualquer sinónimo,
Perfaz a missão solitária de se escrever para fora de todos os cenários,
Das rodas vivas de insinuação,...

Prefere tanto o alumiar ténue,
Quase moribundo,
Dos pensamentos inusitados,
Dos suspiros descontrolados ao passar dos senhores do passo solto,
Do corpo insinuante,
E com risos onde cabem tantos desvarios que até o pensar teme,...

Mas Maria nega teorias do pavio curto,
Vai ficar em lume brando até ao dia em que vier o vento,
Dos problemas resolvidos
 
Untitled

Esperança de papel a voar como pássaro

 
para quê as escaras?,
as peles resolvidas de
choro,
cravadas de sangue invisível,
com as noites mal dormidas,
as vivências inutilmente escritas
a transparente,
para que acabem no centro
de todas as praças do mundo,
sublinhadas com gritos,...

no final do riso,
disse-te que viria um
fim travestido de inocência,
e que não haveria estigmas
suficientes para que,
no meio dos lamentos,
sobrasse qualquer ponte para
uma esperança com forma de pássaro,...

a voar em todas as palmas
das mãos dos esvaziados
de crer,
que sobrassem,
ao cimo desta montanha
onde sei que terei
de esperar pelo fim
 
Esperança de papel a voar como pássaro

Parafilia

 
 
à soma de frases,
uso o teu sorriso
como tinta nas paredes
do atraso do tempo,
aconselha-me,
faz-me a novidade
de saber a calma que emitimos ao anoitecer,....

não me demito
desta obra,
se como entendo
o mundo,
esta será uma
recordação
daquela casa de que fugimos,....

mão sobre mão,
o caminho foi nosso,
como se o mundo
não nos dedicasse o
mesmo enlevo que
faz aos desprezados,
e guardasse só uma
pequena porção de gelo
para que a morte
fosse só um capítulo,
deste caminho para a perdição,
simbolizado,
inútil,
mas que percorremos juntos,...

até lá,
a fronte deste
empreendimento permanece
por consolidar,
não sei se o faremos
juntos
 
Parafilia

Tempo apascentado

 
Talvez no princípio tenha sido sem chuva,
A terra afonica,
Incapaz de gritar o pânico de assumir solidões presas,
De tantos e tantos anos,...

O desvendar do céu começou,
Grosso modo quando os velhos desataram a empacotar histórias de vidro,
Das que se tinham de preservar antes de se esgotarem num horário sem termo,
E cheio de planícies a retroceder no tempo,...

Não me importei que houvesse autores que aflorassem a falta de cheiro,
Disto que chamava envelhecimento apascentado,
Com tanta e tanta ovelha a insuflar a morte,
Regurgitando o alimento com que se brindavam de amor,...

Fim de projeto chamava-se aquela casa,
em que aprendi a falar em voz alta para a parede,
Só ali aprendi o dom de congelar cada momento,
Como efetivamente o último de todas as vivencias sem propósito
 
Tempo apascentado

O velho dilema do espaço e tempo

 
ainda assim escreve-se,
o velho que se fartou de viver,
e cheira fetidamente dos sovacos,
que já foram de uma pele de seda,
a parte escura de uma
mulher que nunca o chegou a ser,
o menino que morreu ao
primeiro toque de sua mãe,
e os adeuses,
as fartas porções de deixar tudo
ali,
sem retorno,...

escreve-se sempre,
porque parar de imaginar a
luz em que a
parte insubstituível da vida,
pode ser definida,
pararia o tempo,
e tornaria o espaço
sem resgate
 
O velho dilema do espaço e tempo