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Poemas, frases e mensagens de joanazdemelo

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de joanazdemelo

Ao lado do silêncio

 
estou no dia de hoje
como numa poesia,
não tolero discordâncias,
as minhas reposições
de suor cabem em poucos
argumentos,
só mesmo nas
frases curtas do desinteresse,....

a poesia abraçou-me
porque sim,
não encontro
outra explicação que
não a básica,
a que não faz pensar,...

não sou pessoa
que se vista para equivocar,
muito menos para
alumiar essa noite de
que tanto me falas,...

sou o que escrevo,
mas não escrevo tudo
aquilo que sou,
deixo-me arrastar
para que a poesia
faça de mim o que quer,....

e pronto,
acredito só em metade
do que me dizem,
devido a uma incredulidade
doentia
 
Ao lado do silêncio

Pratos de comida vazios

 
Em segundo ficavam sempre os pratos de comida vazios,
Depois da noite,...

Quando na casa nos restávamos à boçalidade e aos risos engaiolados,
Abriamos hostilidades pensando em livros de poesia,...

Digladiando etilismos,
E síndromes de Estocolmo desenhados nas paredes,
Percebiamos que um bom verso suja as casas,
Anula a harmonia falsa recontada todos os dias,...

Os pratos de comida vazios vinham depois,
Rendidos aos poemas recortados,
Adormeciamos infantilizados num beijo
 
Pratos de comida vazios

Ilusão sem nome

 
Muito para além do desespero,
Das notas de rodapé filósofadas,
Estamos anacrónicos em conjunto,
Em sintonia apenas com o vento,...

Fizeram de nós os planos excedentes de um filme de principiante,
Com laivos de teste inocente às provações humanas,...

Incapazes de resistir,
Aninhamo-nos perto de nós,
E vamos ficando até o tempo nos dissecar,
Deixando entranhas expostas pelo prazer simples de experimentar o mal,..

Ao que soubermos resistir,
Virá uma luz que anula a frase,
Deixando a obrigação de repetir a provação
 
Ilusão sem nome

Dura lex

 
Sou um museu fechado aos ímpios,
Aos impuros,
Em mim só com livros sem uso,
De páginas a fio em branco por analfabetismo literal dos leitores,
Se pode entrar e ficar,...

Deixei-te pois à porta,
Com o argumento de que no país onde governo,
Cada dia é feriado para os ignotos,
Sempre que decido,
Por decreto assinado a lágrima sem cores
 
Dura lex

A carta

 
a letra pequena estava escrito
bom dia,
num ligeiro sublinhado irregular percebia-se a tremura da mão,
num canto do papel,
quase imperceptível,.
o que parecia ser uma lágrima
sublime,
quase envergonhada,
a pedir licença para existir,...

era um papel dobrado em quatro,
e guardado num sobrescrito azul muito desmaiado,
observei-o muito tempo,
seria da mais imensa solidão aquela prova que tremulamente segurava entre mãos,...

depois lembrei-me do sol no teu sorriso,
guardavas em ti escrever mais que esta morte,
e nunca te percebi adeus assim pensados,
expressados,...

talvez mais tranquilo caminho ao teu encontro,
a passo largo,
evitando como posso a chuva que se desprende deste céu,
que nos separa há tanto tempo
 
A carta

o cardo

 
o cardo disse olá,
salta de janelão
em janelão,
até que a luz
contigo brinque,
e desenhe
círculos sem nome
que,
juntos,
formem uma
aliança de vontades
concentrada,
desejada por todos,...

e o cardo
que siga depois,
para a revolta dos
sabores,
fica lá à frente,
onde espero que ninguém
enlace as mãos em estrela,
de modo a que se percam só
as desilusões,
e a felicidade encastrada nos bancos
sem cor do jardim,
se extraia a tempo,
e dê para a sopa
primordial de que toda
a gente fala,
mas ninguém
sabe descrever com
as palavras certas,....

vá lá,
espero pelo cardo,
diz-lhe que sou
alegre,
mas conformado com
a dor que me faz coxear
enquanto choro
 
o cardo

Arruamento vazio do tempo

 
seremos confundidos com
o amor,
a nós virão os equívocos
dos dias trôpegos,
como que o tempo a envelhecer
sem que o nosso corpo o acompanhe,...

falaremos de temas infelizes,
sem soluções aproximadas
de compromisso,
e em redor da assembleia
dos dias que correm,
o homem ressurgirá na solidão,
avesso ao que de comunitário
nos transpira da pele,...

e para que no alimentar das almas,
se pense de novo que a poesia
cura feridas,
virão os choros de criança,
a adormecer no que de
incerto tem a noite que cai
 
Arruamento vazio do tempo

Primado da pessoa humana

 
Assim como o que se pretende que seja discreto,
E acima de tudo anuido apenas pela presença,
Não fazia tencoes de descrever este dia como diferente dos outros,...

Havia dinheiro suficiente para comprar silêncio,
Armaduras antigas à porta do a antiquário da minha infância,
E tanta lama de conhecimento,
Livros rasgados por nenhuma ordem em especial,
Que atapetavam o caminho para fora daquela atafulhada desordem emocional,...

Pensei como a razão,
Enquadrado pelo primado da pessoa humana,
E sem a profundidade necessária,
A música levou-me até ao próximo contacto racional,
Um mundo de estátuas sem nomes,
E que me agravava a dor de infelicidade
 
Primado da pessoa humana

Treme

 
treme,
recordei-me
de ti concisa,
sem rodeios,
por isso quero
que tremas,
vacila um pouco
e o medo
enredará em ti o
modo assustador da indecisão,....

tremendo serás outra,
sem fragrância,
com a frase certa
para cada rodapé
incompleto que a vida nos dá, ...

a tremeres farás
parte de mim,
sem que eu consiga
fazer parte de ti,....

a tremer lanço-te no vazio,
sem que queiras voltar
 
Treme

Tempo e amor

 
a culpa é de quem acha que a fratura do tempo,
não se cura como um mal de amor,
cura-se,
os corações são os ponteiros da indecisão,
as bocas por beijar fazem as vezes dos choros
das mortes,
e das velhas que morrem de desnutrição
quando lhes falta o apoio de décadas,...

ao tempo não se pode pedir mais tempo
para que deixe de ser tempo,
como ao amor bastam duas vezes o silêncio
para que se perpetue só o tempo
suficiente até desaparecer,
só que o amor renasce,
e flutua pelo etéreo dos tempos,
deixando ao tempo o papel indefinido
do passar dos tempos,
até que no ser só reste o querer,
e o odor do tempo
 
Tempo e amor

Crença vazia

 
se nas vezes dos pés,
minhas fossem as mãos do queixume,
não deixaria rasto no teu querer,
nem frases no teu silêncio,...

alumiadas no pretérito do escrito
na noite,
ficavam as lousas,
desnortes ao meio do que foram
as escolas,
as lições,
toda a vulgar manutenção da vida em minguante,...

e por fim se quiséssemos a marca
excelsa do que foi nosso,
estaria talvez no redondo do teu adeus,
em transparência
sem acreditar
 
Crença vazia

De broa do

 
esperar por quê,
se o tempo não se
veste para sair daqui morto,
recordado como terra,
esperar sim,
mas na vanguarda
da decisão,
independente do vício,
dos lamentos
dos rios que vacilam
em pranto,
quando tudo na vida
abana em seco
para o abismo,....

a meu ver nada,
se pinta a ocre
enquanto os olhos
cegos se adaptam
ao sangue,
nada faz sentido
ao esperar pela força,...

nada mais presente que o
passado de fome cantado
 
De broa do

Enfabulador

 
Já o tinha dito:

foi a tarde mais horrível
do tempo escasso que
dispôs antes de apagar
a noite em luz,
comprometeu-se a que aquele
desvanecer de dia,
fosse o
mais memorável das vidas
ensonadas de um bairro inteiro,...

escreveu-o no vento pouco que
varria as esquinas das purgas
insonoras da saudade,
seria o que os ditongos
humanos quisessem,...

dar-lhes-ia a exclamação
em mãos acostadas em cruz,
deslizado do país das lendas,...

ficou o que quem luta foi
capaz de dizer a quem chora
 
Enfabulador

Anseio

 
estou à espera dela,
talvez seja a última vez que a vejo,

ou a primeira de todas que deixarei de a ver,
mais não sei que o suficiente para pensar em pores do sol,
e copos meio cheios de saudades,
com pepitas de ouro de conversas surdas,
e temas que interessam deixados a meio,.
porque o tempo pesava sempre mais do que a dedicação,...

talvez a chuva atrase a sua chegada,
mesmo com som só ouço a previsibilidade do silêncio,
e as desculpas que não ficarão por dizer,
apetece-me escrever de menos para que afinal tudo fique por dizer,
se calhar uma luz a furar a espera,
ou o sorriso da inocência,
aquele inesperado que sempre a ambos nos tolheu,...

ela não chega,
é tarde,
se ficar anoiteço mais do que esta madrugada azul que guardo no bolso,
ela não chega
 
Anseio

Não ser

 
no seu não ser,
dizia,
estava o fechar do porto
da cidade,
para que a pureza pudesse
continuar,
só até ao tique do Tempo,....

diziam de tantas maneiras que
eram aquelas mulheres,
as mesmas que fechando as
frases de rendição,
estranhavam os textos que
a malformada indecisão
trazia,
todas as tardes,...

no seu não ser,
afrancesado,
com a mesma e indefinida
bruma das manhãs,
se calhar não estava nada
 
Não ser

Deificação

 
Declaro-me à sombra do que nunca pareci acreditar,
O respeito iludiu-me o ser,
Desprezou tudo o que construí para me fazer agora,
Hesitar a cada passo,
Olhar e ver na frágil crença dos que me enganam,
O cimento da dúvida com que lhes paguei,...

Este mal é resíduo Inodoro do que o divino me despreza,
Do que a lacraçao dos olhos me faz definir,
E quando o andor com a imagem final da deificacao que abandonei dobra a esquina,
Outro eu desabrocha sem linguagem
 
Deificação

Subterrâneo

 
Fazes tanta falta,
Parece que deixo de saber escrever,
Ou sequer de distinguir um dia de,
Um café mal tirado,...

Assustar
Me,
Não é o mesmo sem ti,
A falta de todas as faltas de chão provisórias,
Atenuadas porque tens um espaço ao meu lado,
E sinto a Terra adormecida de engenho por nos ter como falha entre o ar moribundo da criação,...

Talvez ter-te conhecido soasse a Beethoven,
num choro em decréscimo,
Quando desaprender de ser humano soa a provisório,
A luz de facto num argumento estéril,...

Acabo de escrever qualquer coisa,
E sigo caminho por entre o
Trânsito do final de tarde,...

Escrever destroços nunca te trará de volta
 
Subterrâneo

Solidão de outono feita

 
se me sabes de dia,
nas noites preencho o
teu desconhecer,
sei-me cultura estranha
do teu sorriso,
imperador morto e
sem descendência
dos contornos do teu corpo,
a cavalo,
percorro quilómetros
sem cor em
estepes,
por entre o teu cabelo
que arde no imenso
de um leito,
que jaz como poema incompleto....

às vezes,
parte do que
aqui foi feito
desfaz-se em diamante,
sem que entenda
o andrajoso de estar só,
sem a liberdade
outonal de estares
presente
 
Solidão de outono feita

Filósofo e a mentira

 
Há o filósofo,
Mal ou bem permite que o homem se assemelhe ao fim em si próprio,
Sem que nunca afete a razão,...

Há um professor falhado,
Com o bolbo raquidiano imóvel,...

Não se apropria ninguém deste cenário,
Porque tem fronteiras,
A filosofia é imutável mas os seus interpretes não são intransponíveis,...

E ela disse ter feito amor com os dois,
Sem explicar os contornos,
Só o assumindo,...

Nenhuma teoria se sobrepõe à prática,
Apenas a respiração intermitente poderá abrir campo à mentira
 
Filósofo e a mentira

Reflexão on a day off

 
Na última vez que o Sol tinha aparecido, tudo se escrevia ainda com letra minúscula. Os nomes das coisas, a idade das pessoas que gostavam mais umas das outras. Até a descrição dos objetos mais comuns da rotina, se fazia com letras irregulares, que custavam a ler. Andava tudo redigido numa pequena folha de papel, que as pessoas traziam com elas escondida, sempre oculta dos olhares, apesar de todos saberem que cada um possuía a mesma coisa. Agora, o céu vestia-se sempre de roupas velhas. As mesmas que aparecem quando o Inverno não quer ainda aparecer, e o Outono já está farto de viver e pensa sair para qualquer lado um pouco menos frio do que aquele local.
Tudo isto confundia. Pesava na cabeça das pessoas. Havia uma indecisão sobre a melhor forma de prosseguir com a vida, sem que isto condicionasse a lassidão normal das pessoas que só esperam ter um tempo próprio a preservar o tempo....
 
Reflexão on a day off