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Poemas, frases e mensagens de Veit

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Veit

Como é triste a casa de Jesus

 
Convento de Santa Clara .

8.00 da manhã.

Quem me dera o dia bem claro, com boas novas correndo.
Quem dera deitasse salpicos azuis.

O sino é um espantalho e,
estas copas tão serenas!
Quanto ouro se deu
pelo avental de Lisetta?

Foi roxo, foi preto
Verde/vermelho
Tantas luzes azuis!
O amarelo dá mais?

Diga-me , de que vale uma capa que não arde,
mofada no tempo
a luz do luar?

Será este o som dos
dias cinzentos?
Das sombras que passam,
dos sonhos tolhidos sem sequer despertar?

A morte está no paço.
Na copa das árvores, pendurada nos galhos
Tristonhos.

Eu estou lá...
Eu estou cá.
Eu estou no sexto andar...
E amanhã?

Amanhã, vestirei uma capa.
Uma capa de bronze.
Esconder-me-ei entre as árvores, vigiarei os vitrais.

Santa Clara!
Santa Clara!
O que foi que o velho fez?...

Leonor Huntr
 
Como é triste a casa de Jesus

El diablo

 
Qual é a pior parte?

Os chifres ou o rabo?

Leonor Huntr
 
El diablo

como verbo, o ar

 
A Veit

Li num poema persa

" a tua ausência será

O meu momento de

cotovia"

Por isso

Me lancei ao

firmamento

de olhos fechados

Mais ainda desperto

de longe em longe

e só sei que és a

primeira vez que

vejo o dia

Boxer

Aspirjo nas paredes
do Luso...

"Ausência e
gotas do teu perfume."
 
como verbo, o ar

Aves que pairam na greta do inferno.

 
Dentro dela estão meus ossos.
O cão bebe sangue, de sobreaviso.

Dentro dela, na xícara amarela,
um urubu espreita o grabato.

Os dias vão passando...
Rápidos, rápidos!

Algumas semanas ...
É tudo o que tenho.

Eu estou só... Estou só...
No pesadelo morrendo!...

O riso arreganha um pio torto, a
felicidade emprenha do tinteiro.

-Serão cânticos de Nero?

...Não, são as fezes de Judas!



Leonor Huntr
 
Aves  que pairam na greta do inferno.

Nas portas da cidade

 
Imola, ó céu!
Imola!
Nesta manhã que canta, neste dia tão manso!

Quando a noite, enfim, pousar...
O que será de mim?
Quantos cacos
derrubarão os meus sonhos?...

Rostos passam pela
arena que amarga...
Silente, fica o colosso.

Não vejo pássaros vagueando,
no trevoso céu.

Ando farta da guerra!
Da faca ávida
por sangue.

Cantiga teimosa junto à terra,
a morte é jugo perverso,
aos olhos do imperador.

Leonor Huntr
 
Nas portas da cidade

A teus pés

 
Ó bendita dor estrangeira!...
O silêncio esmiúça as esmolas
ao te ver passar.

Maldigo o riso purpural,
As noites roubadas,
pelo rastro da morfina
que amarga o sangue.

O relógio de pêndulo tilinta as escoras.
As horas me olham...
Eu só queria olhar pro céu,
antes que rompesse a aurora.

Breve avezinha,  vestida de junho, 
rolando abaixo como faz o vento.
Pela janela quebrada estampar
o horror, enquanto a vida
sussurra ao tempo:

-A covardia de sempre!...

A calçada prenhe de graças,
acalenta os sonhos. 
A mão direita, compelida pela
glória, acoberta as pétalas  divinas.

Leonor Huntr
 
A teus pés

Rinha

 
A rebeldia se finda.
Ouço a tropelia
dos monges,os queixumes
das águas, a
queda d'um passarinho

Mal posso olhar, o estaparfúdio que me acorrenta.
Não sei dizer das horas inférteis, nem das luvas tentadoras

A peleja é ardente!
O credo doente...
Olhos espantados no painel.

Com perfumes e incensos, o
inferno borbulha lento, o tempo
azara minh'alma com aros de fogo.

Porto Alegre, está em festa .
A morte, ameaça com o ferrolho.
À quem pertencerá
este véu?...
Por que estou vestida assim?

Leonor Huntr
 
 Rinha

Sobre vozes e sons

 
Sinto falta de respirar,
da luz que acorda
o estado vario.

O abraço, o amor...
Adocicada manga!
Que horas são? -02:31

Frias terras sobre mim.
No céu, a divina fonte...
Como foi que eu morri?

Às vezes me passa rabujar à toa.
Ser azul serpeante
de olhar través.
Esmagar os ovos, incendiar a mata.

Leonor Huntr
 
Sobre vozes e sons

Os olhos viraram rios

 
   

Foz , leito, estuário...

Ausente das mãos 
o olor das peônias.

No cálice da manhã
benta há
sangue escorrendo,
tintando os perpétuos muros.

Ai, ai, ai!
Ai de mim, ciúmes!

Ninei burregos no leito.
Onde foi parar o meu sossego?
...A negra cor das plumas?

Leonor Huntr
 
Os olhos viraram rios

Sol Posto

 
lembro-me da última quimera.
De querer velar o teu rosto.

Curvei-me por esmolas
Como se ontem ainda fosse.

Luas e luas o levaram pra longe
Dias e dias eternam o bascular.

Quem dera Deus fosse...

Dorso azul no auto.
Misericórdia, cedendo asas de anjo.

Quando aurora retirar o véu,
minh'alma vozeará

as agruras do oceano...
entre areias que incendem ondas.

Leonor Huntr
 
Sol Posto

Dizer o quê?... Pedras me abocam, arrancam as pétalas, deixam o talo nu.

 
Deveras, estou densa!...

Os dias passam velozes pelas cercanias dos versos.

O tino rondeia salso.
A vergonha envelopa o dolo.
Dizer o quê?...

Preciso tanto de Deus !
Aquelas ondas no barco...

Deus! Deus!
Apavora-me o oceano!

Ontem, eu perdi ao jogo...

Verti rios, corei orvalho.
Andei nas farras com o adeus!

...Quanto aos passarinhos

A meu pedido, um deles, deixou o mundo em silêncio.

Com o outro...

Sentida está minh'alma,
tão longe,
das águas mornas e soro.

Leonor Huntr
 
Dizer o quê?... Pedras me abocam, arrancam as pétalas, deixam o talo nu.

O massacre da fé

 
Data cinco dias e as portas do inferno se abrem.
O leito do oceano está vazio...
Não há mais preces, amor ou valentia.
O leito do oceano está vazio.

Os dias tocam a viola sem dó.
Um coração estilhaçado não bate no peito.
...Há formigas por dentro.

Por dentro,
quem é que está morrendo??
Ele?
Eu?
Os anjos?
Deus?

Leonor Huntr
 
O massacre da fé

Pedras brilhantes e um pano ferido

 
Tire das minhas pálpebras o ocre barrento da morte.
Tinte a felicidade premendo o rubi.

Como se ontem inda fosse, sem o
café da manhã.

Core meus lábios c'o cobre flamejante.
Libere o siso soberbo, ao sentir o desejo tremer nas tuas mãos.

Ó Deus! Eu insisto!...

Morre-me a voz, meu
olhar triste vai tateando o chão.
Minh'alma almeja o perfume pranteado., o céu açucarado, o bailado dos anjos.

Como se ontem inda fosse, sem o café da manhã.

Com tantas cores desenho...
Que me aguardem os dias obesos e as
sentinelas da Taberna d' Omar.

Como se ontem inda fosse...

Leonor Huntr
 
Pedras brilhantes e um pano ferido

Às vias de fato

 
Estranho a fé lassa.
Estranho os olhares
que passam e,
noites vazias em comunhão.

Quem me dera
morrer.
Deitar no oásis que dizem ser forte.

Debaixo do céu
cavernoso, a paz
nunca esteve adiante.

O tempo deságua ao mar,
tristes ondas e o
luar...
Nenhum besouro.

Leonor Huntr
 
Às vias de fato

Ao rapaz do cachecol cinza

 
Força! Coragem!
Vamos rir da imperfeição!

Fugir dos laços,
Dos abraços,
Ser luxo e.não querer mais.

Noite!
Oh, noite!
O que eu tenho a perder?...

Minh'alma cheia de desejos
É lua atrasada perdida num zilhão.

Leonor Huntr
 
Ao rapaz do cachecol cinza

Entre o céu de Sampa e o inferno dos pampas

 
Existem precipícios.
Existem hospícios.
Orações enfadonhas.
Noites insones.
Fé quebrantada.

Monstros que
devoram e, nao deixam nada...
E o câncer?

Os sonhos andam fartos de correr??
Os vermes
andam fartam de comer?
E o câncer?

Existindo eu...
Existirá você?
Até quando?

Copulei com o demônio, hoje vago atrasada.
Vazia, sem sonhos,
sem asas.

Penitência,eu? ?
Rasga este céu!
mostra-me o teu rosto!!!
Eu deixei o menino,
sangrando na cruz.

Leonor Huntr

Muito zangada!!!
 
Entre o céu de Sampa e  o inferno dos pampas

Meras sensações...

 
Tão lascivas!
Tão perversas!

À parte, desfaço o trato c'o diabo
ao ver bagos tão negros!

Corvos saqueiam minha mente, enquanto lágrimas
marulham o eterno pesar.

Que estação hostil!

Há um rosário e, o tempo.
...Cai o rosário das minhas mãos.

Ando farta do branco
hospitaleiro,
da meninice do verde, da coleta
pros santos.

Farta estou de servir íris cinza chumbo
ao monarca
de coração pétreo.

Que pecado é este?!

Leonor Huntr
 
Meras sensações...

Por trás de nuvens espessas

 
Silêncio!...

Há no quarto cinzento,
três sonhos morrendo,
um' alma em apuros.

Que infortúnio!...
Tal qual andorinha sem rumo,
abelho, contudo
frente a um temporal.

Sinto as chamas do inferno adentrando
o cerne.

--Ah, este meu céu de espelhos mirados!!

De sedas putas!!

Do sangue
desvirginando a
cabra!!

Um balão, na cave do monstro,
vinga a imperícia
d' uma vida sem dono.

Ai, o meu eu!...
O meu eu...

Jaz
submisso aos olhos
de deus.

Leonor Huntr
 
Por trás de nuvens espessas