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Poemas, frases e mensagens de Marineuza

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Marineuza

Não fiques para trás

 
Não fiques para trás.
Quero que caminhes nos meus pés.
Assim como se fôssemos uma só e única pessoa.
Tens vaga no meu ' voo '.
Cabes na minha sombra.
E eu quero ocupar a tua.
Não fiques para trás.
O distanciamento não foi decretado para nós.
Eles não te veem. Não te testam. Não te contaminam.
Não contaminas.
Se existiu contaminação, fui eu a contemplada.
Somos do outro século.
Almas velhas, vimos de há muito, muito tempo.
Do tempo dos pregões das varinas, do cheiro da terra molhada, do pão acabado de cozer.
Da paixão e do namoro ao pôr do sol.
No tempo dos poemas vividos com os cinco sentidos.
E o espírito jovem.
No tempo em que havia tempo e a terra era um lugar seguro.
E os sonhos voavam rasantes a nossa esperança, como albatrozes, no alto mar.
Não fiques para trás.
Quero a tua voz, presença, companhia, o teu abraço, quebrando a saudade.
A melancolia.
E a solidão de estar contigo apenas no coração das lembranças.
Não fiques para trás.
Não quero ter medo de te perder do pensamento.
Esquecer-te na memória e deixares de fazer parte da minha história.
 
Não fiques para trás

Acreditar

 
Nas nuvens que o céu criou
Se afasta a tempestade
Que em mim lágrimas chorou.
Nas linhas que o tempo traçou
Teço momentos de oiro
Bordados de eternidade.
Na lua nova crescendo
Renova-se a minha história
Na onda enrolando a areia
Posso ver-me na memória
E no desejo de amar
Deixo-me perseguir o meu sonho
Deixo-me alcançar o destino
Deixo-me acreditar.
 
Acreditar

Renascimento

 
As madrugadas são recomeços.
E continuação.
Banho de luz e cor. Cheiro e sabor.
Pele e alma prontas. Despertas.
Estradas abertas.
São as crianças semeando. Sinais de esperança.
E jovens prenhes de desejos. Um crescendo. Um vulcão.
Corpos nus entregues à real paixão.
Mulheres parideiras dos cinco sentidos. Na noite adormecidos.
Nas almofadas e lençóis alvos.
No cansaço de dias negros.
No rescaldo de tantas lutas.
Nas lágrimas isentas de culpas. Tristes desculpas.
Gritando razões ocultas. Reclamando vidas mais justas.
Menos dor. Mais amor.
E o velho olhando o tempo. Perseguindo-o. Renascendo-o.
Novo alento nas horas.
O galo cantando no morro. E o vento soprando no prado.
E o rio correndo veloz para o mar que o acolhe em braços.
Repetidos abraços.
Deuses e religião. Natureza.
Os elementos na sua certeza.
Comunhão.
As madrugadas são chuva de estrelas em festa.
E o nosso sol chegando. E a lua dizendo até já.
É andorinha voando, melro e gaio.
É um aval, uma certificação.
E pétala de frangipani. Rosa se orvalhando, flor de maracujá. Uma nota musical transformada em canção.
Milagre. Fé e sonho. Verbo amar.
As madrugadas somos nós, tu eu e aquele outro que desperta na noite que cai.
Contemplando o intervalo entre o que virá e o que se vai.
E porque são momentos, são recomeços, todos os dias deviam ser madrugadas.
 
Renascimento

Porque insisto, insisto...

 
Quem és tu? Viçoso amor? Sua sombra?
Quem sou eu? Que te rega, regador, jardineira, sem maneiras, peneiras, te admira, te olha, te imagina e te reflecte. E te aprende.
Te cora na vergonha de toca e foge, apanhada nas curvas que a vida tem?!
Mal-me-quer, bem-me-quer, bem ou mal? Desfolhando as minhas horas, o teu tempo vagabundo, na memória, já cansado, já chorado, já sonhado.
Mal-me-quer quem nada sabe, quem nada quer, quem nada diz, se fosse como eu já quis, bem-me-quer que me quer bem e tu também. E eu também.
Olho a pétala da flor, minha cor, de amor tão branca, cresce livre de amarras, como canto de cigarras, cresce livre minha flor.
Quem és tu? O meu reflexo. Já não sei se te mereço. Se te peço, esse mote que me traz, às vezes dás, afinal, às vezes paz, às vezes luz de real verso, diamante, luar, sol e mar, de tudo amante.
Quem sou eu que de ti falo, de ti espero, de ti reclamo, de ti me escondo e apenas quero ser tua sina mais do que minha.
Quem sou eu que não sei quem tu és, se te escrevo, te adivinho, te acredito e me repito, me repito, como se tu fosses eu, algo de meu, algo de teu, apenas porque insisto, insisto...
 
Porque insisto, insisto...

Poesia

 
À distância e com saudade
Penduro o sol no alto da serra
Cheira a campo e a liberdade
A infância na minha terra

Oiço a cigarra cantar
Faz o ninho a andorinha
O albatroz convida-me a dançar
Com pena de me ver sozinha

Não tenhas dó de mim
Nem percas o teu voar
Crescem flores no jardim
Que me hão-de enfeitar

E à noite, tu vais ver
No cimo do monte, o luar
A sua luz me vai oferecer
Para iluminada, sonhar

Traz-me também inspiração
Para o poema aparecer
E a cor viva da paixão
Para nela me perder

Cheira a campo e a liberdade
No dia que hoje nasceu
Sou alma que não tem idade
Num corpo que já floresceu.
 
Poesia

Inspiração

 
Nos caminhos dessa minha história vivida e contada,
vou tropeçando, caindo, levantando,
perdendo assento e exclamando aqui e acolá,
teimando, superando.
A ver o que a conversa dá.
Tem dias cinzentos, tardes de sol e noites de luar,
Tem canto da sereia
Rugido de leão
Tem até camaleão mudando de cor
E feitiço.
Tem ciúme, amor e desamor
Saudade.
Nos caminhos dessa minha vida
Tem tanta gente vendo-me, outra tanta que não quer ver.
Tem também gente suspeita e insuspeita
E tem quem me aperta a mão, curva a cabeça
Beija e abraça
Conquista e promete
Rouba até o meu coração.
Nas amarguras dessa minha vida d' alguma inspiração
Não vou nem me queixar
Olho o rio passando veloz sem desistir de correr para o mar
E de palavra em palavra
De razão em intenção eu prometo-me,
Um dia também eu vou lá chegar!
 
Inspiração

Deixei lá atrás (3)

 
Deixei lá atrás horas escaldantes
na sombra das árvores
entre tempos de vindas e idas
pelas vidas de quem não se quer despegar.
Deixei lá atrás a espera
que desespera
nas margens de uma chamada
que não chegava.
Deixei lá atrás as prédicas
que não decifrava
porque o amor me cegava
nas palavras que soavam a música.
Deixei lá atrás o que doei
com intensidade do infinito
o sentido esmerado
do verbo amar!

Em modo particípio passado
deixei lá atrás o amado.
 
Deixei lá atrás (3)

Recomeçar

 
Nasce a flor no meu jardim
Neste sábado de primavera
Espalha-se o perfume de jasmim
E o sol vem até mim
Num doce e morno abraçar
Embrulhado de quimeras
E canções de embalar
Nasce a esperança
Numa ambição redobrada
Na nova estação.
Brota-me a emoção
Tatuada na minha pele
E no verso que me faltava,
Ao poema por inventar
Nasce a vontade de amar.
Tocam sinos dentro de mim
Preparam-se foguetes p'rá festa
Chamo a fanfarra e o que manda
Ofereço a mão para a sina
E nas linhas vejo caminhos
E pontes
Que me levam p'rá outra banda
Onde quero ficar
Bebendo nas velhas fontes
Para voltar a sonhar.
Ofereço-me às noites estreladas
À lua que enfeita o céu
E também às madrugadas
Ao chão barrento me ofereço
Ao crepúsculo feiticeiro
E ao albatroz do sul
Que a voar é primeiro
Ofereço-me às tempestades
À onda e ao seu marulhar
Ofereço-me feliz
Qual alegre petiz
Ao desejo de recomeçar
 
Recomeçar

Tema

 
E nem distâncias,
tempo,
confinamento,
ventos e tempestades,
nem vazios,
saudades,
nem o mundo doente,
nada, mesmo nada,
me impede
e trava a minha mente
de escolher-te tema
fazer-te poema
abraçar-te
e beijar-te na memória futura
nada, mesmo nada,
me impede de te sonhar
sorrir e esperar
criar uma nova história.
 
Tema

(re)versos

 
O que não se perdeu de mim na memória.
Caminha no silêncio das palavras
Rimas aos alguéns da minha vida
Devolvidas em mim as letras
Como quem se perdeu do que a vida traz.
 
(re)versos

Poetizar(te)

 
Eu sou um poema suspenso
Um verso por terminar
Uma rima em espera
Na palavra singular
Eu sou um poema suspenso
Na estrofe por rimar
Nos dias e noites
Inspiradas
Que ainda hei-de poetizar(te ).
 
Poetizar(te)

Baú

 
Viveste no pó do baú
Nas folhas daquele diário
No poema inacabado,
Na memória
E na história por narrar.
Viveste no relógio parado
Na noite gelada
No tempo, que tudo cura
Passa e há-de apagar
Os sonhos que sonhei
Os beijos que então dei
E os futuros por sonhar
Viveste, lembrança feliz
Voz a suspirar
Promessa e oração,
Pele, paixão, canção
Letra que queria cantar
Viveste a ajudar
Invernos de alguma dor
Matando a espera
A tristeza
E a monotonia...
Viveste na nostalgia
De te viver, meu amor.
 
Baú

Ainda aqui

 
Ainda trago nos olhos, os dias mágicos
E orvalhados d' um agosto antigo
E as palavras por inventar
Ainda na garganta, o pulsar do coração
E no peito a inquietação
Ainda a alma a bailar
Ainda a comoção
A ilusão.
De quem ama e não quer deixar d' amar
Ainda trago o sabor eterno do encantamento
Longa espera
Apaixonado beijo
Abraço terno
Ainda o enamoramento
Toque raro
Na memória do que fui.
Ainda o tempo intemporal e ameno
Que teimoso não se dilui
Ainda a voz
O sotaque e a expressão
Ainda a canção.
Ainda o gesto, a gargalhada,
Ainda mulher amada
No auge da paixão.
Que traz à noite fria
Neste cacimbo sentido aqui
A lembrança
De tudo o que já vivi
Ainda a persistência
Ainda a loucura
A coragem
Que não escreve o fim
Ainda o passado, ainda eu
Ainda o momento, que não se perdeu.
 
Ainda aqui

Lucidez

 
Quando percebes que não fazes falta aos demais, mas ainda assim ( te ) és útil, mudas a tua posição no mundo.
Sais do centro do universo e encaminhas-te para a maturidade. Lucidez, é o preço.
 
Lucidez

Quadro

 
Queria ser sábia.
Ou adivinhar.
Ou desconfiar.
E chegar às certezas.
Não para ser perfeita, antes, para ser perfeito.
Queria saber escolher as palavras e dar-lhes movimento.
E escolher o sonho.
Sim porque eu ainda sei sonhar momentos, cheirando a alfazema e a mar.
Albatrozes voando nos mares do sul.
Manhãs de neblina nos mares do norte.
E sonhos que queria possíveis.
Queria sonhar impossíveis.
E ser sábia neles.
 
Quadro

De espera em espera 🍀

 
Caminho. Lentamente apressada.
Ao encontro do sábado.
A cada semana, eu espero.
Sonho. Invento. Crio.
E se não receber a dádiva de viver em plenitude o descanso e o prazer de horas que tanto anseio, não me zango, entristeço ou desanimo.
Os sábados que a vida tem, hão-de dar-me algum presente.
Mais que o resto da semana.
Enquanto o vento soprado, no rosto me parece falar, segredos de inconfessos, bailas-me o pensamento, num momento, num segundo, a sul, nesse sul que é o meu mundo. Meu caminho a encontrar nos fins de semana da estrada que percorro a cada vez, que posso nela caminhar.
Lentamente apressada, encontro o tempo que quero.
Na esperança que este dia me dá.
 
De espera em espera 🍀

Entre comas

 
Julguei que vinhas, cavalo alado, por entre o nevoeiro cerrado da minha esperança de te esperar. De te ver ao longe, chegar.
Julguei que vinhas e trazias nos lábios, sabor a mel que prometeste, para me beijares. Para me encantares.
Nas mãos a maciez que te conheço.
E no olhar, silêncios. Feitos de terras prenhes, campos d' alvoradas, florestas densas, achas, fogueiras, fogos e vulcões, séculos de história fértil, navegadores. Vozes por narrar. O mar.
Julguei que vinhas e acordei-me nas páginas dos livros por desfolhar.
No busto, traçado a carvão, por pendurar, nas noites de lua cheia espraiada nesse luar.
Despertaste-me entre timidez, inquietações. Surpresa e sedução.
Julguei que vinhas e mantive-te vivo no meu coração.
 
Entre comas

Às vezes poeta...

 
Há poemas que não são escritos pelas minhas mãos.
São escritos pela mão de um deus qualquer que me sussurra palavras mágicas, de sensibilidade e beleza.
Prende-me e eleva.
Sou o fio condutor, a física, o mata-borrão dos versos que não escolho.
Escuto-os nas vozes que me segredam palavras de amor.
Que não evito, afasto ou recuso.
São as rimas aos alguéns da minha vida.
Donos da minha emoção.
Aquelas que não são escritas pela mão, mas pelo coração.
Há poemas...
 
Às vezes poeta...

Construção

 
Construção
 
A Liberdade conquista-se.
Constrói-se.
Exige-se, respeita-se e merece-se.
Não se conforma.
Não cruza os braços nem baixa os olhos.
Viver sem Liberdade não é viver.
É rastejar.
Viva a Liberdade!
Agora e sempre.
 
Construção

À sombra do jacarandá

 
No tempo dos jacarandás eu sonhava que te amava.
Amor que não sabia. Nem desconfiava.
Apenas sonhava.
Era o tempo de amar o tempo que havia de chegar, para me dar. E te amar.
No tempo dos jacarandás eu era feliz.
Tão feliz que até sabia que um dia tu chegavas; porque me faltava amar-te para ser perfume, beleza e raiz do jacarandá. Frondosa e robusta árvore.
Eterna árvore do imaginário de quem tudo ama com a força que só o amor é capaz.
No tempo dos jacarandás eu sonhava que te amava.
Adivinhava encontrar-te um dia.
E inventei uma brisa de primavera, para te esperar.
À sombra dum jacarandá eu esperei.
E na virtualidade te encontrei.
E nos perdemos.
À sombra dum jacarandá eu espero.
A saber que um dia chegarás.
 
À sombra do jacarandá

Marina Neuza Barbosa