https://www.poetris.com/

Poemas, frases e mensagens de Marineuza

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Marineuza

Acreditar

 
Nas nuvens que o céu criou
Se afasta a tempestade
Que em mim lágrimas chorou.
Nas linhas que o tempo traçou
Teço momentos de oiro
Bordados de eternidade.
Na lua nova crescendo
Renova-se a minha história
Na onda enrolando a areia
Posso ver-me na memória
E no desejo de amar
Deixo-me perseguir o meu sonho
Deixo-me alcançar o destino
Deixo-me acreditar.
 
Acreditar

Renascimento

 
As madrugadas são recomeços.
E continuação.
Banho de luz e cor. Cheiro e sabor.
Pele e alma prontas. Despertas.
Estradas abertas.
São as crianças semeando. Sinais de esperança.
E jovens prenhes de desejos. Um crescendo. Um vulcão.
Corpos nus entregues à real paixão.
Mulheres parideiras dos cinco sentidos. Na noite adormecidos.
Nas almofadas e lençóis alvos.
No cansaço de dias negros.
No rescaldo de tantas lutas.
Nas lágrimas isentas de culpas. Tristes desculpas.
Gritando razões ocultas. Reclamando vidas mais justas.
Menos dor. Mais amor.
E o velho olhando o tempo. Perseguindo-o. Renascendo-o.
Novo alento nas horas.
O galo cantando no morro. E o vento soprando no prado.
E o rio correndo veloz para o mar que o acolhe em braços.
Repetidos abraços.
Deuses e religião. Natureza.
Os elementos na sua certeza.
Comunhão.
As madrugadas são chuva de estrelas em festa.
E o nosso sol chegando. E a lua dizendo até já.
É andorinha voando, melro e gaio.
É um aval, uma certificação.
E pétala de frangipani. Rosa se orvalhando, flor de maracujá. Uma nota musical transformada em canção.
Milagre. Fé e sonho. Verbo amar.
As madrugadas somos nós, tu eu e aquele outro que desperta na noite que cai.
Contemplando o intervalo entre o que virá e o que se vai.
E porque são momentos, são recomeços, todos os dias deviam ser madrugadas.
 
Renascimento

Lucidez

 
Quando percebes que não fazes falta aos demais, mas ainda assim ( te ) és útil, mudas a tua posição no mundo.
Sais do centro do universo e encaminhas-te para a maturidade. Lucidez, é o preço.
 
Lucidez

Deixei lá atrás (3)

 
Deixei lá atrás horas escaldantes
na sombra das árvores
entre tempos de vindas e idas
pelas vidas de quem não se quer despegar.
Deixei lá atrás a espera
que desespera
nas margens de uma chamada
que não chegava.
Deixei lá atrás as prédicas
que não decifrava
porque o amor me cegava
nas palavras que soavam a música.
Deixei lá atrás o que doei
com intensidade do infinito
o sentido esmerado
do verbo amar!

Em modo particípio passado
deixei lá atrás o amado.
 
Deixei lá atrás (3)

Às vezes poeta...

 
Há poemas que não são escritos pelas minhas mãos.
São escritos pela mão de um deus qualquer que me sussurra palavras mágicas, de sensibilidade e beleza.
Prende-me e eleva.
Sou o fio condutor, a física, o mata-borrão dos versos que não escolho.
Escuto-os nas vozes que me segredam palavras de amor.
Que não evito, afasto ou recuso.
São as rimas aos alguéns da minha vida.
Donos da minha emoção.
Aquelas que não são escritas pela mão, mas pelo coração.
Há poemas...
 
Às vezes poeta...

Afagos

 
A mãe afaga a menina
A menina afaga o cão
O cão afaga a menina
E Deus põe a mão
Eu afago a saudade
D’ um tempo de ilusão
Sonho que eu embalei
Balancé da minha canção

Cresceu a menina
Partiu o cão…
Perdeu-se o momento
De inspiração

Volta tempo
Dá-me o tempo
Que voou p’ra longe também
Quero afagar a esperança
Quero-me de novo a criança
No eterno afago de mãe
 
Afagos

Palavras suspensas

 
Nunca te pedi nada. Confirmas? Claro que sim.
Nada. Mesmo. Nada que não pudesses dar.
Lembro-me que apenas quis que não me deixasses com as palavras. Suspensas.
Aquelas que te eram dedicadas. Construídas, elaboradas, prontas para tas oferecer.
Partiste sem as levares. Tinhas as mãos ocupadas. E o coração, trancado a sete chaves.
Fechaste a porta, bateste com ela e sem olhares para trás silenciaste-me as palavras, para sempre.
E eu, fiquei de mãos cheias e coração vazio, letra a letra, enlaçadas, sem saber o que fazer-lhes.
Não me fazem falta. Não eram minhas. Estavam-te destinadas.
Perdi a melodia que as acompanhavam e deixei de cantar só p'ra te achar na pauta dum trompete que sonhei que te ouvi, um dia.
De vez em quando faço fé na nota musical que me embalou e me levou dançando até aos mares do sul.
Quando isso acontece agarro as palavras que eram tuas e ensaio a canção, tocando-as de esperança e fé. E por segundos, de loucura, acho que te toco.
 
Palavras suspensas

Poema 🍃

 
Lentamente
Passo a passo
Caminho no silêncio das palavras
No eco do meu sentir
Rio meu
Margem nua
Transbordando no seu caudal
Corrente visceral
Por um pouco, muito pouco
O teu sentir será meu
E eu, tua
Minha sina de menina
Lentamente
Passo a passo
Ao encontro da foz
Mar da minha voz
No silêncio te abraço
As palavras entrelaço
Para te oferecer o poema
Rio teu
Margem nua
Sol e lua
Por pouco, muito pouco
Serás meu
Serei tua.
 
Poema 🍃

Deixei lá atrás (2)

 
Deixei lá atrás poemas de amor(?)
encantadoramente elaborados
em cima do joelho
numa berma qualquer.
Deixei lá atrás as promessas
feitas em juras de dedos cruzados
em noites de inverno
aquecidas pela paixão(?).
Deixei lá atrás as longas conversas
contadas por relógio sem ponteiros
os segundos pausados nos minutos
da (des)confiança velada.
Deixei lá atrás o vamos vendo
O que via não condizia
com a verdade que se impunha
como lei rígida de conduta.
Deixei lá atrás o imperfeito perfeito
sem erros para desculpar
sem faltas por não ter presença
com argumentos contra factos.

Em modo conjuntivo
Deixei lá atrás o Pretérito Imperfeito
 
Deixei lá atrás (2)

Optimismo

 
Há dias, manhãs,
em que acorda sonhadora.
Oferecem-lhe o céu para que sonhe.
E ela não olha para trás.
Volta a vê-lo ao longe, uma luz na parede.
Não precisa que se aproxime.
Ganhou o dia.
O fim de semana. A semana...
Lembra-se do cantor, trovador,
e canta baixinho, a Cinderela.
 
Optimismo

Baú

 
Viveste no pó do baú
Nas folhas daquele diário
No poema inacabado,
Na memória
E na história por narrar.
Viveste no relógio parado
Na noite gelada
No tempo, que tudo cura
Passa e há-de apagar
Os sonhos que sonhei
Os beijos que então dei
E os futuros por sonhar
Viveste, lembrança feliz
Voz a suspirar
Promessa e oração,
Pele, paixão, canção
Letra que queria cantar
Viveste a ajudar
Invernos de alguma dor
Matando a espera
A tristeza
E a monotonia...
Viveste na nostalgia
De te viver, meu amor.
 
Baú

Ainda aqui

 
Ainda trago nos olhos, os dias mágicos
E orvalhados d' um agosto antigo
E as palavras por inventar
Ainda na garganta, o pulsar do coração
E no peito a inquietação
Ainda a alma a bailar
Ainda a comoção
A ilusão.
De quem ama e não quer deixar d' amar
Ainda trago o sabor eterno do encantamento
Longa espera
Apaixonado beijo
Abraço terno
Ainda o enamoramento
Toque raro
Na memória do que fui.
Ainda o tempo intemporal e ameno
Que teimoso não se dilui
Ainda a voz
O sotaque e a expressão
Ainda a canção.
Ainda o gesto, a gargalhada,
Ainda mulher amada
No auge da paixão.
Que traz à noite fria
Neste cacimbo sentido aqui
A lembrança
De tudo o que já vivi
Ainda a persistência
Ainda a loucura
A coragem
Que não escreve o fim
Ainda o passado, ainda eu
Ainda o momento, que não se perdeu.
 
Ainda aqui

De espera em espera 🍀

 
Caminho. Lentamente apressada.
Ao encontro do sábado.
A cada semana, eu espero.
Sonho. Invento. Crio.
E se não receber a dádiva de viver em plenitude o descanso e o prazer de horas que tanto anseio, não me zango, entristeço ou desanimo.
Os sábados que a vida tem, hão-de dar-me algum presente.
Mais que o resto da semana.
Enquanto o vento soprado, no rosto me parece falar, segredos de inconfessos, bailas-me o pensamento, num momento, num segundo, a sul, nesse sul que é o meu mundo. Meu caminho a encontrar nos fins de semana da estrada que percorro a cada vez, que posso nela caminhar.
Lentamente apressada, encontro o tempo que quero.
Na esperança que este dia me dá.
 
De espera em espera 🍀

Recomeçar

 
Nasce a flor no meu jardim
Neste sábado de primavera
Espalha-se o perfume de jasmim
E o sol vem até mim
Num doce e morno abraçar
Embrulhado de quimeras
E canções de embalar
Nasce a esperança
Numa ambição redobrada
Na nova estação.
Brota-me a emoção
Tatuada na minha pele
E no verso que me faltava,
Ao poema por inventar
Nasce a vontade de amar.
Tocam sinos dentro de mim
Preparam-se foguetes p'rá festa
Chamo a fanfarra e o que manda
Ofereço a mão para a sina
E nas linhas vejo caminhos
E pontes
Que me levam p'rá outra banda
Onde quero ficar
Bebendo nas velhas fontes
Para voltar a sonhar.
Ofereço-me às noites estreladas
À lua que enfeita o céu
E também às madrugadas
Ao chão barrento me ofereço
Ao crepúsculo feiticeiro
E ao albatroz do sul
Que a voar é primeiro
Ofereço-me às tempestades
À onda e ao seu marulhar
Ofereço-me feliz
Qual alegre petiz
Ao desejo de recomeçar
 
Recomeçar

Construção

 
Construção
 
A Liberdade conquista-se.
Constrói-se.
Exige-se, respeita-se e merece-se.
Não se conforma.
Não cruza os braços nem baixa os olhos.
Viver sem Liberdade não é viver.
É rastejar.
Viva a Liberdade!
Agora e sempre.
 
Construção

Poema desfeito

 
Os versos e enigmas misturavam-se
e eu desejava decifrar
nas formosas palavras
um perfume de carinho que delas exalavam (?).
Acabei a imaginar
porque o destino quis
outros rumos tomar.
Existência tão desafinada
detém meus sentidos
noutro lugar.
Volúveis, tão insondáveis,
estranhas e tão amáveis
eram aquelas palavras
que em verso o poema desfizeram.
 
Poema desfeito

Em tempo

 
Atravessei o tempo a olhar p'ra trás
Como quem se perdeu do que a vida traz
E sonha futuros sem ambição
Sem amor-próprio
Nem coração
Atravessei o tempo a olhar p'ra trás
Não pelo que deste ou me dás
Não porque espero o que é distante
Nem nesse olhar
Te vi amigo, amor, amante
Alguém que quis eternizar
Atravessei o tempo a olhar p' ra trás
Porque quer estejas,
Quer chegues e logo vás
Sou eu, em ti, que preciso ser
P' ra me lembrar que não morri
Para a minha estrada percorrer
E o horizonte se não entardecer
Em ti...
Atravessei o tempo a olhar p'ra trás
Não sei como fui capaz
De avançar e aprender
Que amar é dar, mais que receber
Mas sei que aprendi
Que o que te dei
Não foi mais, do que a mim eu dei
Por isso tudo ganhei, nada perdi.
 
Em tempo

Despertando-me

 
Agarrei a madrugada.
Com a mão que te ofereço e o coração que te pertence.
Inspirei o aroma do orvalho, como se fora gesto único e fatal.
Nas gotas transparentes que beijam o alecrim despertando-o,
no cantar frenético dos melros, pintassilgos e rouxinóis,
em festa, na brisa suave vinda do mar;
e no silêncio do dia libertando-se das trevas, na sua subtileza do belo, rendida à Natureza, tudo me gritou sem segredos que hoje será diferente.
Serei mais diferente...
Estamos em tempo de mudança.
E eu acompanho a mutação sem me transformar num camaleão.
De olhos postos na tela colorida dos dias que me são dados viver
e naqueles que hão-de vir.
Colorindo-me com alegria e confiança.
Aprendi com os seres felizes que todos as manhãs é preciso acordar o dia.
Agarrar o tempo e pendurar o sonho no sol.
Como papagaio colorido, nos ares, que nos faz mover e desejar.
Gozar. Crescer e cuidar.
Em mim a mudança acontece. Não me nego ao sol que me invadiu o espaço, entrou na pele e me fez rejubilar.
Não te digo não,mesmo se ainda não me perguntaste,
assim-assim, talvez ou o tradicional sim?!
Vou amar-te tanto, como amo os dias que queria vivos em ti.
E aqueles que em mim vives.
Vou amar-te mais do que te amo,
porque alimentas esta fé que me nasce nos dias,
que agarro a cada momento
de partilha, doação, voz, palavra, poema.
Emoção.
Vou amar-te mais do que te amo porque me fazes feliz e livre.
Porque me fazes sorrir e acreditar.
Porque... meu amor, não sei fazer mais nada.
Tão bem...
Agarrei a madrugada.
Com a mão que te ofereço para me passear nesta estação de solidão.
E com o coração de quem não mente o que sente.
E nunca te disse que não.
 
Despertando-me

A voz

 
É quando a noite se cala
E dorme o sono dos justos
Que a voz quente da terra
Me acorda
E me chama a sonhar passados,
Futuros
Pecados...
Que a voz quente da terra
Inventa
Impõe
Proclama
Leis na madrugada...
Que a voz quente da terra
Me envolve e me oferece
Desejos
Seus medos
Segredos...
Que o meu coração aquece
E a alma recebe
Voa e cresce...
 
A voz

Deixei lá trás

 
Deixei lá atrás o sino na torre
que me chamava à tardinha
Hora da missa, hora da missa,
hora da missa.
Deixei lá atrás o campo lavrado,
couves, alfaces, batatas, fruta
fartura para as noites de Natal
para o alimento dos comensais.
Deixei lá atrás a terceira idade,
a idade que todos querem chegar
sem achaques nem enfermidades,
ermidas na aldeia.
Deixei lá atrás
a companhia de anos de solidão
a invisibilidade nos cómodos da casa
o ruído mudo das paredes, quebrado
pelas questiúnculas.
Vim para o presente e viver a novidade
mudei para a grande urbe,
acompanhada por gente
que me vê.

Deixei lá atrás o pretérito
 
Deixei lá trás

Marina Neuza Barbosa