Poemas, frases e mensagens de Dirose

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Dirose

LOGO EU QUE NÃO SOU POETA

 
Vim aqui somente para ler
Porque soube tarde demais
Que a vida é uma poesia.

Um irmão indicou-me aqui
Mas para que eu fosse aceita
Mesmo não tendo a receita
Teria que dizer o que sentia.
 
LOGO EU QUE NÃO SOU POETA

Trailer

 
Ao fim de longos dias chuviscados e frios,
senti em presságio a primavera chegando em mim.
Despertara sob um tímido sol surgido à leste da minha janela,
então, desejei que o céu se abrisse célere num azul inteiro;
mas que chegasse logo a noite para que eu voltasse a redesenhar estrelas com as pontas dos dedos.
 
Trailer

NÃO GRITE COMIGO

 
alto e em bom som
na cara do juiz
numa audiência
na vara de família.
não grite comigo:
sou vítima, e não ré,
honre sua toga;
antes que na justiça
venha eu perder a fé.
 
NÃO GRITE COMIGO

CARNE

 
Era tarde quando chegastes com aquele olhar carregado de sabida malícia.
O jantar na louça de festa esfriara, mas, ainda perfumava dos temperos fortes.
Pele e uma leve lingerie cobria meu corpo, sedento, oferecendo-lhe luar na horizontal.
Preferiu ensolarar-me fundo na vertical com luzes, brilhos, sons perfumados, ar, ar, ar.
Sou fêmea de cio, Mulher de estio, de instinto  carnal, diferente de amar; do amor que sei.
 
CARNE

Ponte Aérea

 
absorta em minhas lembranças, nem senti a decolagem.
já acima das nuvens, carneirinhos de alvura imaculada
me faziam graças para eu me sentir pastora em festa,
e assim, abstive-me do vazio de sobrevoar os vales do sul.
nisso a saudade ficou para trás distante mil quilômetros,
pouso suave, cheguei; resta rever aqueles cartões postais.
 
Ponte Aérea

CABRUM

 
às pressas para assistir a reprise do último capítulo da novela. estrada às escuras, vendaval, chuva de folhas mortas na pista estreita e sem sinalização. de longe vi através do parabrisa embaçado as luzes da cidade tremeluzirem sob uns pingos caindo indelicados. acelerei. cheguei, estacionei; aí veio o apagão. eu sei! já sei!
 
CABRUM

Resilire

 
não resisto voos altos.
no rasante me alimento
qual longeva andorinha.
pouso em qualquer fenda
se desgastada pela senda.
 
Resilire

Enlevo

 
mal se extinguiu o tempo das magnólias
e a inflorescência dos longevos dendrobiuns anosmum primaveraram.
apensos em cachepôs;
tomaram de súbito de perfume, colorido róseos liláses e encantamento minha varanda.
levados pela brisa matinal,
tão embriagador olor invadiu a janela entreaberta do meu quarto; seduziu-me, possuiu-me,
enquanto ainda me sentia indefesamente entregue aos sonhos vividos nas tantas madrugadas primaveris.
 
Enlevo

ENLUARADA

 
No mesmo ponto ao leste que no verão pleno o sol surje na aurora, enchendo minha cama de brilho e cor, ela aparece sorrreateiramente no crepúsculo bem de frente para minha janela e eu não posso impedí-la de deitar-se sobre mim. Hoje veio saindo por detrás das nuvens teimando desafiar-me com toda beleza que traz com o clarão aureolado de prata luzindo do seu corpo, e que perdurará até a alvorada, me despertando para mais um dia ao lado do meu homem sedento de fazer amor.
 
ENLUARADA

PAPO DE IDOSA REGADA A VINHO

 
Mais um ano, Graças a Deus, pude confaternizar-me com minhas queridas e longevas amigas na Confeitaria Colombo à rua do Ouvidor, Centro do Rio de Janeiro. Quem conhece, pode testemunhar num comentário breve ou dissertivo, do quão o estabelecimento centenário é acolhedor, de uma beleza arquitetônica ímpar interna e externamente. Não bastasse, tanto os quitutes quanto o serviço; impecáveis. Fazemos isso há cerca de cinquenta anos mais ou menos uma ou duas semanas que antecedem o Natal, ritual para  presentearmos-nos umas as outras. Quem olhar de fora através dos vitrôs austríacos, talvez interprete erroneamente de as tantas taças de vinho sobre a grande távola redonda, rodeada de madeixas prateadas, sim prateadas; assumimos todas as nossas belezas naturais do corpo e da mente. Estar com elas sempre é uma tarde agradabilíssima. E uníssonas; reservamos-nos do direito de anualmente  renovarmos os votos de celebraçãoa da vida.

Boas festas, poetas amigos!
 
PAPO DE IDOSA REGADA A VINHO

QUERIDO

 
De surpresa tocaste a campainha
da porta entreaberta; delicadeza.
Perguntei quem era, me respondeu
doce; alegria. Dei um salto do divã.

Pedi, quase supliquei que entrasse.
Trazia numa das mãos, um buquê
de gladíolos frescos multicoloridos

Lembrei da última visita dele quando
presenteou-me com um jarrete de
cristal adquirido no antiquário qual
admirados visitamos algumas vezes.

Ele notou o brilho nos meus olhos,
meu interesse na peça única daquele estabelecimento cheio de histórias.

Homem para mim tem que ser assim,
não somente viril na cama e variado
nas posições, mas sobretudo; gentil
todas as vezes que vier me visitar.

Di
 
QUERIDO

FIM DE VERÃO

 
Senti que do lado oposto do mar
um olhar desconhecido, mirava
desconsertante minha silhueta.
Parecia ter meia idade como eu,
corpo bronze, cabelos grisalhos, olhos esverdeados, sorriso largo
a cada movimento corporal meu,
ligeiro, antes de o semáforo abrir.
Caminhei na direção do bar shopp,
intenção desde que saíra da praia,
adentrei, pedi um chopp e um dry.
De costa para o colosso, imaginava seu tom de voz nos sussurros ao pé do ouvido, nas carícias de verão... Foi quando, de súbito...
- Boa tarde!
- Permites dividir sua mesa?
Incomum na minha idade, ruborizei, e os tais pensamentos foram se materializando irreversivelmente!
 
FIM DE VERÃO

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