Resilire
não resisto voos altos.
no rasante me alimento
qual longeva andorinha.
pouso em qualquer fenda
se desgastada pela senda.
Enlevo
mal se extinguiu o tempo das magnólias
e a inflorescência dos longevos dendrobiuns anosmum primaveraram.
apensos em cachepôs;
tomaram de súbito de perfume, colorido róseos liláses e encantamento minha varanda.
levados pela brisa matinal,
tão embriagador olor invadiu a janela entreaberta do meu quarto; seduziu-me, possuiu-me,
enquanto ainda me sentia indefesamente entregue aos sonhos vividos nas tantas madrugadas primaveris.
ENLUARADA
No mesmo ponto ao leste que no verão pleno o sol surje na aurora, enchendo minha cama de brilho e cor, ela aparece sorrreateiramente no crepúsculo bem de frente para minha janela e eu não posso impedí-la de deitar-se sobre mim. Hoje veio saindo por detrás das nuvens teimando desafiar-me com toda beleza que traz com o clarão aureolado de prata luzindo do seu corpo, e que perdurará até a alvorada, me despertando para mais um dia ao lado do meu homem sedento de fazer amor.
PAPO DE IDOSA REGADA A VINHO
Mais um ano, Graças a Deus, pude confaternizar-me com minhas queridas e longevas amigas na Confeitaria Colombo à rua do Ouvidor, Centro do Rio de Janeiro. Quem conhece, pode testemunhar num comentário breve ou dissertivo, do quão o estabelecimento centenário é acolhedor, de uma beleza arquitetônica ímpar interna e externamente. Não bastasse, tanto os quitutes quanto o serviço; impecáveis. Fazemos isso há cerca de cinquenta anos mais ou menos uma ou duas semanas que antecedem o Natal, ritual para presentearmos-nos umas as outras. Quem olhar de fora através dos vitrôs austríacos, talvez interprete erroneamente de as tantas taças de vinho sobre a grande távola redonda, rodeada de madeixas prateadas, sim prateadas; assumimos todas as nossas belezas naturais do corpo e da mente. Estar com elas sempre é uma tarde agradabilíssima. E uníssonas; reservamos-nos do direito de anualmente renovarmos os votos de celebraçãoa da vida.
Boas festas, poetas amigos!
QUERIDO
De surpresa tocaste a campainha
da porta entreaberta; delicadeza.
Perguntei quem era, me respondeu
doce; alegria. Dei um salto do divã.
Pedi, quase supliquei que entrasse.
Trazia numa das mãos, um buquê
de gladíolos frescos multicoloridos
Lembrei da última visita dele quando
presenteou-me com um jarrete de
cristal adquirido no antiquário qual
admirados visitamos algumas vezes.
Ele notou o brilho nos meus olhos,
meu interesse na peça única daquele estabelecimento cheio de histórias.
Homem para mim tem que ser assim,
não somente viril na cama e variado
nas posições, mas sobretudo; gentil
todas as vezes que vier me visitar.
Di
FIM DE VERÃO
Senti que do lado oposto do mar
um olhar desconhecido, mirava
desconsertante minha silhueta.
Parecia ter meia idade como eu,
corpo bronze, cabelos grisalhos, olhos esverdeados, sorriso largo
a cada movimento corporal meu,
ligeiro, antes de o semáforo abrir.
Caminhei na direção do bar shopp,
intenção desde que saíra da praia,
adentrei, pedi um chopp e um dry.
De costa para o colosso, imaginava seu tom de voz nos sussurros ao pé do ouvido, nas carícias de verão... Foi quando, de súbito...
- Boa tarde!
- Permites dividir sua mesa?
Incomum na minha idade, ruborizei, e os tais pensamentos foram se materializando irreversivelmente!