Poemas, frases e mensagens de AlexandreCosta

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de AlexandreCosta

ESquizoFRenIA

 
há um caos em ti
que me pacifica
um horror esquálido
que me engrandece
e também estrilhos
que me embalam

há um escândalo em ti
que me exulta
uma mortificação reles
que me traslada
e falácias estéreis
que sossegam

há um pesadelo em ti
que me faz sonhar
e um lastro pútrido
que me adoça
nas cavernas gélidas
que me afogueiam

haja o que houver
amo-te
com todas as ganas

24-02-2024
 
ESquizoFRenIA

Em papel escaldado - desafio "Versos com café"

 
é um café para mim
sem princípio nem fim
em papel escaldado
com creme de querubim
uma pedra de frenesim
de saudade e fado debruado

já verto o pacote de musa
de amor e paixão profusa
doce que a mão remexe
de mendinho à moda lusa
a saber-me de alma infusa
enquanto o verso floresce

o primeiro gole será meu
que às vezes não sei se eu
sou a espuma do poema nascido
assim que me chegue ao céu
da boca, do gosto que deu
vocês que o bebam, aquecido

03-04-2026
 
Em papel escaldado - desafio "Versos com café"

Desfeito Não É Defeito

 
Pousaste a mão onde não era peito
Despeito de quem corre só por fora
Penhora que é a água sem conceito
A eito, por um rosto que não chora

Pandora numa caixa com defeito
Desfeito é o sonho, sem escora
Agora já nem vive sobreleito
Refeito só de muros alma afora

Embora que o tempo é já vencido
Gemido não trará o que não volta
Revolta é o tom do esquecido

Perdido não verá reviravolta
Escolta esse peito sem sentido
Despido, só por outro amor à solta

28-03-2025
 
Desfeito Não É Defeito

Popó de Talco

 
aí esta bem lavadinho
quase roça a perfeição
mas ainda falta o paninho
a puxar o brilhozinho
que o dono quer atenção

não pode haver impureza
a macular a pintura
há que polir a beleza
escravo é de certeza
fachada ou alma insegura

bibelot de quatro rodas
já rola de extremo brio
ocupa as larguras todas
às ruas que são das modas
com braço de fora ao frio

mas brilho de parar brisa
tem sempre algum senão
a luz do sol enfatiza
quaisquer olhos martiriza
tamanho é o clarão

talvez pela mesma razão
a passarada que gravita
em tamanha confusão
lança misseis de aflição
e borra-lhe a escrita

lá vai de volta o fulano
desolado com o cocó
de água, um oceano
e mãos à obra no pano
a rebrilhar o popó

22-08-2025
 
Popó de Talco

Quase ponte

 
reparou na soleira ocupada
havia um degrau chorudo
e o cigarro apontado ao momento
consumia-se na calma consumada
combustão lenta de quem espera
sabendo da rua o outro lado
como se adivinhasse de uns olhos incertos
a certeza de um soslaio irreverente
quente o brilho a espremer-se ao lado de cá
seguiu de olhar atrás
fluiu, fulgiu, fingiu que não viu
sumiu
ninguém ousou a travessia
sabendo da ponte nascida
suspensa

26-07-2026
 
Quase ponte

Bode respiratório

 
sendo ou não culpado
assumindo ou não a culpa
culpado ou não da inocência
inocentemente ou não
livro-me dos embaraços
entrego-os ao estranho que me habita
e só assim respiro

22-05-2026
 
Bode respiratório

poema de uma Musa desolada

 
nesta mágoa
ando a água
e pão sem ló

vem já a mim
Benjamim
tira-me o pó

terás assim
papel sem fim
e mão sem dó

14-09-2025

a um amigo :))
 
poema de uma Musa desolada

De Digerir e Não Chorar Por Mais

 
da alma cozinhada em frio
é um instante até ao prato de lágrimas

sem lume
um só gume
nos pulsos de cebola
a jorrar um choro quente
para a última estrela michelin
um chef só de si

adiante só servirá salgados
de olhos em fios
a quem pague com flores e círios
a reserva feita
no seu restaurante RIP

talvez algures, atrás
se tenha esquecido
que se chamava VIP...
afinal, os clientes eram fieis

17-12-2024
 
De Digerir e Não Chorar Por Mais

Teu? Só...

 
Teu? Só...

se rei
serei

09-08-2025
 
Teu? Só...

Céu da Liberdade

 
Era eu naqueles cravos, nas metralhas,
E tu também no mesmo encarnado,
Foi todo um povo, ali, que já cansado
Se fez Abril em flores, sem batalhas!

Calaram-se as divisas, do alto estado,
Ante a Nação Valente de cangalhas...
Dos Homens verde-sangue. às escumalhas,
Não se morreu um só! Foi sem pecado!

A guerra foi do grito, a voz dum povo,
A debandar de si o estado novo
Que, de novo, caduco era à verdade!

Morreu somente o velho despotismo,
A opressão... a censura... e, do abismo,
Abriu-se a nós o céu da liberdade!
 
Céu da Liberdade

In(de)cisão

 
numa mão o desejo
e noutra, uma faca

à boca de um beijo
e no peito uma estaca

na frente um adejo
nas costas uma ressaca

em cima um cotejo
mais um verso? ou uma maca?
 
In(de)cisão

Quantos Poemas Cabem no Poema?

 
se um poema acolhe mil imagens
e cada uma abre mil janelas
outras mil auras chegando por elas
declamam mil versos de outras paragens

e assim se pintam outras mil telas
com palavras pincéis de mil aragens
querer de mil cores outras paisagens
e ser, de mil céus, milhentas estrelas

talvez o poema não caiba em si
talvez o anseio de ser explodido
e gerar mil partes de um só morfema

talvez ele saiba do infinito aqui
que usa mil vozes de grito incontido
para ser mil poemas num só poema

15-07-2025
 
Quantos Poemas Cabem no Poema?

Poema Inteiro

 
quem nunca amou que atire o primeiro verso
quem nunca perdeu que atire o segundo
quem nunca chorou que atire o terceiro
mas quem for feliz que guarde o poema inteiro

31-05-2025
 
Poema Inteiro

Redundante

 
ando constantemente a andar
a ver o que os olhos veem
para sentir o que sinto
penso nos pensamentos que me ocorrem
e acabo a escrever sobre o que escrevo
coisas que lembro da lembrança
redundo na redundância
penso nos pensamentos que tive
e sinto que o que senti
fez-me ver o que via
lembro de me lembrar
e acabo a escrever sobre o que escrevi do que escrevia
ando constantemente a andar

09-09-2025
 
Redundante

Que a mata queime quem queima e mata

 
queima mata algumas vezes
queima, mata algumas vezes

queima mata
queima, mata

quem queima mata
mata

antes a mata
matasse quem queima

13-08-2025
 
Que a mata queime quem queima e mata

Não Sei Ficar...

 
desculpa
não sei ficar

e ainda que fique
ainda que permaneça
pelo calor de quem está

não fico

não estanco no abraço
deslargo-me sempre

a norma em mim
é descapsular-me

sou de asas emergentes
e vou
ando em voltas

e quanto mais me ficas
maior a distância de não ficar

se me vês longe
é porque estou mais perto
do que ficar

nasci para voar
e voo sobre ti

como quem ama perto
parecendo longe

17-07-2025
 
Não Sei Ficar...

ESBOÇO

 
tenho uma chave na gaveta
algumas janelas sem asa
uma porta sem maçaneta
e um telhado que atrasa

tenho martelo sem pregos
madeira que não tábua rasa
tantos fantasmas sem egos
e uma lareira sem brasa

tenho quintal sem terreno
e árvores em forma rasa
flores que apenas enceno
e um mar qu'inda não vaza

já fui além do esboço
maquete assente na vasa
alguém que chegue ao caroço
e nascerá uma casa

13-09-2024
 
ESBOÇO

ESTE AMOR TÃO GRAMÁTICO

 
estendidos em verbos
não importam os advérbios
e ambos somos determinantes
enquanto proliferam os adjectivos
desfalecemos envolvidos nas interjeições
e no fim só importa o substantivo...
pleno!

18-11-2024
 
ESTE AMOR TÃO GRAMÁTICO

Pre(âmbu)lo

 
desconhece-se o início
mas sabendo-se do caminho
também é omisso o destino

é que o traço faz-se a pulso
como quem esgaravata
da neblina
a precisão do espelho
antes do tempo mostrar que é tarde
para acordar sem sulcos a rodear os olhos

a mim só me importa o olhar
ainda que com estrago inato
meticulosamente remendado
acordar e vê-lo intacto
traz-me a esperança
de chegar à visão

05-01-2026
 
Pre(âmbu)lo

Poema Utópico

 
um homem é um homem
um poema é um poema
um poema nunca será homem
mas o homem pode ser poema

nas vozes desordenadas
faltam-lhe as palavras certas
os versos métricos de liberdade
e as rimas perfeitas de existir

no dia em que o homem for poema
o poema será o homem

05-03-2025
 
Poema Utópico

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