Poemas, frases e mensagens de Whaine

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Whaine

Corpo poético

 
Sinto as noites despidas de ti
num chafariz de estrelas cadentes
nas chamas dos teus lábios
em galáxias de desejos

afogo o meu sangue em doçura
ao sabor do teu corpo
onde navego em pétalas e versos
num corpo poético que és tu

fecundo cada palavra no desejo
em teu olhar na noite solitária
em notas musicais
versos soltos
nas palavras escondidas
num abraço onde embalo
o meu cansaço

a tua pele, é a música onde mergulho os meus dedos
o teu rosto: as palavras que escreves
o teu corpo, que amo em cada verso em silêncio na minha alma despida de olhares
sinto o teu coração de seda
na saudade que me oprime a memória
rasgo o peito, fecundo o teu olhar perdido no tempo de ti

o meu encanto na palavra feita
por ti, em silêncios
onde madrugadas acontecem
gritadas em desertos de sonhos
onde borbulham desejos
de manhãs despertas

Fátima Santos
 
Corpo poético

Setembro

 
SETEMBRO

Era Setembro
mas que importa se chegaste
em tons de sol doirado
à primavera do meu corpo?

esperava o teu olhar
na distância e na permanência sofrida
que importa se era Setembro?
que importa o dia, o mês a hora?
que importa se o teu poema vive no meu sonho?

é nos silêncios da noite
que brilha o teu sorriso
é nos sons madrigais
que sondo o teu peito
que importa se era Setembro?
se os orvalhos da minha pele
sentem o fulgor
e o teu sabor

era Setembro
e nem o eco das sombras da noite
permitiram
que partisses para viver este amor

era Setembro!
 
Setembro

Transcendências Subtis

 
Transcendências Subtis

sinto as palavras salgadas nos lábios do vento
na doce quietude ilusória do teu olhar
musicas tardias iluminam o firmamento
dedos que adivinham e sentem os teus sonhos

sinto a palavra proibida no meu peito ofegante
arde-me o sangue de pujança e dor
visto a ilusão das manhãs anoitecidas
vertigem ensolarada nas mãos descalças de amor

corro alvoradas cintilantes em gestos turvos
na relva descalça de preconceitos hibridos

as noites abafadas de silêncios sísmicos
orvalhadas de gotas prateadas do teu luar
avisto o teu abraço infinito
dançando musicas imaginarias no tempo

dás-me a mão sem me tocar
encurtas limiares em transcendências subtis
maresia do meu olhar
no doce sal que adivinho em ti.

Fatima Santos
 
Transcendências Subtis

Impulso

 
procurei durante tanto tempo
caminhei sem direcção
desejei a luz do dia
ansiei pela cor da noite

o desalento a invadir o sonho
o pesadelo a invadir a alma
não me aquece a luz do sol
não me aconchega o luar

um corpo cansado
as mãos prostradas
a melancolia
uma caneta esquecida
uma folha vazia

espera consentida
uma existência fugaz

as horas que passam
dias que se sucedem..
sempre iguais....

o desejo de mergulhar
nas aguas revoltas
a vontade precisa acreditar,
permanecer

O impulso
....
nunca parar de escrever

Fátima Santos
 
Impulso

Papoila Negra

 
Papoila Negra

Papoila negra
Passeias-te pelos campos da saudade
Escondida em terras férteis de sonhos
Seara alheia invade espreitando a liberdade

Escondes sentimentos nos bolsos
Semeados em papel orvalhado
Ventos mudos uivam de dor
Cripta fogueira ardente de amor

Ondulam sonhos em barcas de seiva
Cultivadas de espigas de esperança

Rasgas a roupa que te cobre a pele
Descobre-se a flor outrora rubra
Hoje negra pela morte do sonho
Ceifado pelo tempo de um tempo
Que nunca foi teu… nem meu!

Fátima Santos
 
Papoila Negra

Olha-me!

 
Olha-Me!


Olhas-me e não me vês….
Sou o que escrevo, o amor, a vida, o sentimento
Sou cerúleo, mar, tormento
Sou paz, sol, inverno, lamento
ave, dor, folha de Outono
grão de areia num mundo de beleza e luz
Na sua pequenez microscópica
Sou barro que se molda nas tuas mãos de artista
O meu barro que se parte desdita fatalista

Sou o orvalho do chão, húmus que alimenta a terra
Sou palavra, sim Palavra, a que escrevo e que lês
A que digo e a que sinto!
Mas só vês… O aço de que me revisto
O arame farpado de que me cerco
A mágoa e a injustiça que me fere
Falece a carne…
A terra cumprirá o seu destino
Cumprir-se-á a decantação
O pó decompor-se-á nas impurezas do que sou
Restará o que nunca viste e esteve lá
Agora invisível ao teu olhar
Porque o meu cerúleo jamais alguém irá matar!
Olha-me!!!
Olha-me!
Olha-me...
Olhas-me.....
 
Olha-me!

Vereda

 
vereda

O corpo tarda
e o sentimento baloiça
na vereda do teu corpo

os lírios gemem orgasmos
derramando a seiva
que tomba sobre o teu rosto
 
Vereda

Veneno

 
veneno

as sombras da noite
envolvem-me num abraço negro

esventro a face da Lua
e sorvo o seu veneno
feitiço de ti

desfaleço e envolto
perco-me numa luz de prata
vestida pela tua face oculta

a outra... a que mente.
 
Veneno

Calaram-se os lírios

 
calaram-se os Lírios...
chorei lírios na melancolia do dia
e os sentimentos tremeram
na folhagem sonolenta da vida

colhi as raízes dos restos de mim
e os ventos ciclónicos baloiçaram
nas cordas de um violino
aquele que tocava melodias brancas para ti

todos os orvalhos perpetuados nas flores do dia,
perderam a fremência esbatida nos sons da noite
nada mais resta do que esculpir a chuva
em lágrimas agredindo o vento
rasgando o tecido vivo que me cobre de dor

calaram-se os Lírios!
 
Calaram-se os lírios

Fascinação

 
Sinto-te
em ondas de maré cheia...
procuro-te
em planaltos gritantes
em horizontes perdidos
no teu olhar.
Pergunto por ti ao vento
percorro a saudade em silêncio

quebram-se amarras em pétalas de veludo
é nas lembranças da penumbra
que te sinto...
em ondas gigantes contra os rochedos...
em doces melodias de amor.

vejo-te espelhado nas águas em lua cheia...
as tuas mãos percorrem-me
ao sabor da maresia.
sinto a tua pele molhada em cristais de sal.
...Só mar...
a canção das ondas
ao ritmo do nosso amor.
a quietude chega
numa ternura cósmica
ao sabor do teu
O
l
h
a
r
...
 
Fascinação

mudo encantamento

 
mudo encantamento

quando a chuva espreita livre os beirais
as espigas dançam em movimentos ondulantes
onde espreguiço os meus ais

o sol queima por momentos
a pele trigueira
reflexos migram
as voltas dos pardais

então o suor se funde na terra
entre gemidos de vento
o centeio acaricia a cevada
num fogo de papoilas
entre o mar vermelho,
olhar teu cabelo doirado,
devaneio molhado
num momento só meu.

Fatima Santos
 
mudo encantamento

Nós e os Outros

 
"Nós" e os "Outros"

quem somos Nós?
será que existimos?
e os Outros?
quem são?
seremos Nós?
vivências paralelas
mundos por desbravar...

Mundo....será que existe?
que será real Aqui?
existirá um Nós um Outro?
ou simplesmente Espíritos errantes
em algo a que chamamos Mundo?

o vemos será Real?
Olho-te! Vejo-te
mas terás a forma do que vejo?
Existo numa forma construída por ti
Sou o que vês
mas as estrelas que vês no céu
já não existem...
porque tudo é Relativo.
 
Nós e os Outros

Uivos da noite, silêncios da madrugada

 
Quando uiva a noite e cala a madrugada
acende fogueiras o meu coração
nas fagulhas dispersas e línguas de nada
dispo-me de mim olhando o horizonte
e a lua se esconde temendo a cor onde dorme
quieta e calada segue a melancolia
gemem as cordas tocadas nas cores do dia

são os fantasmas que se desprendem
que enchem a tela da vida
olho para ela, nada de cor...sentida
não quero o que vejo, nem o que sinto
quero apenas um olhar, aquele que pressinto

Fatima Santos
 
Uivos da noite, silêncios da madrugada

Chuva de cetim

 
chuva de cetim

o sonho esbate-se
contra a força das marés
e nas sombras da noite,
a tua esfinge
cobre a janela do meu quarto

a lua cúmplice,
lavra na minha cama
vagas prateadas

ensaio uma valsa no tempo
na espera ardente
debruçando-me na inquietude
que cobre o manto esvoaçante
esperando o beijar raiado de sol

e nesta chuva de cetim
revivo o sonho
sobrevoando o infinito dos acasos
intemporais em nós

(Fátima Santos)
 
Chuva de cetim

Sentimentos

 
Sentimentos

Deixa-me falar-te
sobre os meus castelos de afagos
Onde a ternura se interroga
em marés de lírios brancos

Porque te amo
na força das ondas
e na brisa do vento

Como te explico o sabor
do beijo que invento?
Suspenso em músicas suaves...
De sinfonias de Outono?

O sabor a mar na tua pele
em orvalhos de sal
Os teus olhos
da cor do meu infinito
Reflexos do teu cabelo
em sois de areia

Como dizer-te que te amo
na brevidade de todas as coisas
E na eternidade dos sonhos?

O nosso momento
É escultura de todas as memórias
Eternas!

By Fátima Santos
 
Sentimentos

nesta rua onde me deito

 
nesta rua onde me deito
escolhida num vazio
porque daqui vê-se o mar
e os meus olhos são um rio.

nesta rua onde me deito
coberta de mil estrelas
onde imagino me aconchegas
porque nesta rua onde me deito
a solidão tem sabor a lágrimas

tenho cobertores de loucura
procuro a tua voz entre ecos do tempo
sinfonias de outrora
onde as palavras proliferavam
em cadência ultrajadas
nesta rua onde me deito
não há frio, não há cor
perdeu-se no espaço de mim
nada existe, não há calor
somente o vazio, a dor

nesta rua onde me deito
não há nada, nem lamento
somente um corpo, morto
num mundo inventado, de azul
nesta rua onde me deito
o meu final
espreito
nesta rua onde me deito!

Fátima Santos
 
nesta rua onde me deito

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