Poemas, frases e mensagens de umadesconhecida

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de umadesconhecida

Indiferença

 
As horas passam
Indiferentes
O olhar salta para longe da vidraça
E nada traz a este coração meio esperançoso
Meio esvaziado e sombrio

Os ponteiros correm
Sem que se possa agarrar o tempo
Apagando memórias
E que magistralmente eterniza toda lembrança
Num pequenino pedaço de papel

A vida tem sua crueldade
Marca a ferro e a fogo
Sem nos dar tempo
De predizer a morte

Tudo, talvez,
Seja apenas um golpe de sorte
 
Indiferença

Não insista...

 
Deves desistir...
Da palavra santa que saía da tua boca,
Dos cordeirinhos que contavas antes de dormir,
E da insistência em te tornares um pouco diferente.

Não insistas em ser diferente...
És igual: cabeça, tronco e membros...
Tens o raso e o fundo,
Permaneces no claro – se assim decidires,
Ou opte pelo escuro - se assim te for melhor – ambos não vivem só.

Não insistas...

Quando tiver de ser, será...
E se não for, continuarás igual...

Com pontos, vírgulas, interrogações,
E um sabor ácido, de conheceres a Verdade....
 
Não insista...

O resto era esquecimento

 
Teu nome ressoava em minha memória
Tal qual a imagem de pássaros em revoada pelo infinito
E quis assim fugir de mim
Disparar feito ventania por entre as árvores
Balançando as folhas desprendidas no outono

Não me lembro de um único som
Que pudesse justificar essa ausência dorida que não cessa
Essa falta que sinto apertando o peito em saudade
E da maciez da minha pele contra a sua tez máscula
Que a um único toque transmutava o tempo e as horas

Perguntaste uma vez – apenas uma única vez
Se tudo duraria nem que fosse ínfimos instantes
E meus olhos se fecharam num disfarce calando a resposta

Porque acovardei-me tanto?

Nossos nomes de entrelaçavam
E sob uma resistência como a dos inimigos
Que não abandonam o front mesmo em face a derrota
Deixei-me navegar pela tua boca faminta
E perdi-me em teus labirintos, d’onde nunca mais me encontrei

O resto era esquecimento...

De tudo que poderia ter sido
De tudo que nunca foi
E daquele lenço, que guardaste em sigilo e que jamais me disseste

Mais tarde
Encontrei-o entre as páginas do teu velho livro,
Depositado na cabeceira do teu cinzento túmulo
Corroídas pelo tempo e pelo frio d’onde hoje jaz eternamente...
 
O resto era esquecimento

À procura

 
Quando o olhar se desprende janela afora,
As pupilas ficam à procura das coisas desconhecidas,
E dos mistérios que possam pairar além daquela sabedoria,
Que julgamos um dia tê-la nas mãos.

Falta-me nesse instante,
Um pouco mais de coragem para a admitir,
Que por vezes é impossível reconhecer os lados sombrios,
E a minha covardia – como válvula de escape, cai na poesia.

O que se vê através dos vidros,
São os casais que ainda querem viver apaixonadamente,
Como se as estrelas de grandeza maior,
Ficassem diminutas diante desta adorável euforia.

Incessantemente revolvo as lembranças – doloridas ou não,
E chego à conclusão,
De que estar à procura,
E nato dos humanos, que teimam em tratar a vida com ironia.

Ao final – porque ele sempre chega,
Opto por pensar – quando me é de direito,
De que todos os poetas – desde o tempo mais antigo,
Fazem da escrita um ato único de preservar a memória.
 
À procura

Obscuro como o tempo...

 
Na antiga paleta sempre haviam - e pensou que haveriam – paletas faiscantes,
Tons azulados e uma brancura inimaginável.
O tempo – irremediável e odiado por tantos,
Obscurece a vida;
Enegrece todas as hipóteses.
E o respirar das canções perde-se na volatilidade.
De tudo que outrora tenha sido falado,
O verbo – por mais encantador que ainda tente ser – não se conjuga mais...
Seja em qualquer pessoa,
Seja até mesmo no singular ou no plural....
A voz não emite sons,
Apenas alguns grunhidos,
Como um simples gesto ou um pedido de socorro...
 
Obscuro como o tempo...

Holograma

 
Por detrás daquela nuvem branca, incandescente, acompanhada pela imagem tridimensional volante,
Habita uma consciência além da percepção de qualquer imaginação...

Ao fundo, a música antiga, agora já tão distante da realidade vivida...

Sem proporções caminha o sonho...Num cenário pleno de caracteres em fontes monotype corsiva...

Os pingos fosforescentes não eram da chuva...mas pertencentes a uma desproporção irreconhecível do âmago humano...

Saem palavras? Ora, ora...Elas despencam aos borbotões de uma solidão corrosiva, que do peito arfa...e por si se desconhecem...

Tudo é forte...inimaginável...desfigurando tudo que se possa romper da alma...lado criança - do príncipe pequeno...lado altivo – furtivo e frouxo como cachos de uva que se arrastam pelo chão...parreiras roxo-rosadas...
Um bom vinho no estalar da língua.

Daquilo que se imagina - se é que se consegue - apenas a translação de verbos desconectados...dentro de uma esfera sagrada, que embala o tão doce adormecer? Talvez....

Talvez...esse é o advérbio do tempo que resiste – sem que persista...

Talvez...quiçá...um outro dia...Vazio...oco e fosco...

Desprendida da lua que brilha – acima do céu azulado, findando a noite, se acercam as impressões, destiladas e dedilhadas naquela guitarra outrora tocada – sem que saia um único som...

É o silêncio dos inocentes e dos culpados que vagueiam por aí...nada propondo e tudo realizando – como se algo fosse possível pelo poder do pensamento....

E o sono é apenas uma poesia...que aos trancos e barrancos escoa pela memória um tanto quanto apagada, mas assoberbada de recordações....

Tic, tac...tic, tac...
 
Holograma

Punição

 
Tenho aqui nas gavetas da minha memória,
Algumas palavras – e lembranças doridas,
Que os meus dedos feridos ainda podem tocar,
Registradas num código secreto.
Tão secreto, que algumas delas não consigo mais decifrar.

Nem tenho mais a noção do que está além da minha janela,
(Quase não a abro nos últimos tempos).
Nem sei mais o quanto de amor a ti doei,
Nem quantas vezes a minha alma aos teus pés ajoelhou,
Na frustrante tentativa de impedir a tua partida.

Tornei-me escrava das tuas mentiras,
Refém das tuas desculpas estúpidas,
Ré de um crime que não cometi,
(Bateste o martelo feito juiz, impondo-me a punição).
(Tenha certeza: deste-me a melhor condenação).

Deixei-me amarrar pelos teus grilhões,
Aceitei o ferro com o qual me feriste,
Ofertei as minhas costas para as tuas chicotadas,
Dei a face para que bateste sem dó nem piedade: a direita e a esquerda.

Se pudesse voltar o tempo,
Nada em mim mudaria.
Te ofertaria o mesmo amor,
O mesmo sorriso,
As mesmas palavras de apreço,
O mesmo silêncio diante do teu tribunal,
E a aceitação de um destino que não era e nunca foi o meu.
(Para todo pecado existe absolvição - para o teu, também).

Porém,
(E sempre existe um porém),
Já liberta dessa saga que ao fim chegou,
Confesso abertamente e sem rodeios,
Diante do céu e do inferno,
Que depois desse martírio eu não te deixaria jamais,
Em qualquer dia ou tempo,
Arrancar do meu peito,
Tudo aquilo que hoje,
Não consegues mais me devolver....
 
Punição

Um dia comum

 
Caminhando a passos largos,
Apressadamente,
Como todos os transeuntes,
Deparei-me com o nada.

O som ensurdecedor das buzinas,
Apenas indicava que o mundo estava vivo,
Que o comércio não fecharia,
E que num piscar de olhos, a noite apontaria.

As crianças sorriam e brincavam,
E tudo parecia estar no exato lugar,
Onde as coisas deveriam estar.
Onde eu mesma deveria estar.

Diminuí a velocidade,
E parei para contemplar a igreja em festa.
Os fiéis em oração.
À espera por tantos milagres que eram solicitados.

Entrei no local de tanto fervor e esperança.

Fiquei quieta, apenas olhando para as imagens sagradas,
Borradas de lágrimas – algumas com sangue,
E não me atrevi a pronunciar um único som,
Enquanto a homilia era cantada.

Respirei fundo.

Fechei os olhos em sinal de respeito.

E lá deixei a minha rosa vermelha - a oferenda que eu tinha no momento.

Lá, ela ficou.

Como um sinal da minha palavra muda.
Um sinal.
Sinal de que, talvez, eu retornaria,
No dia seguinte.
 
Um dia comum

Tempo

 
Tempo
Esse maldito tempo que pelos dedos escoa
Que insiste em badalar e abalar os ponteiros do relógio
E que marca toda uma vida

Vida finita no respirar
Vida infinita na forma de olhar

Os segundos giram
As horas passam
E o amor não dá sinais
Não vem
Não se instala
Desdenha os corações
Escarnece dos que creem
Cega os que insistem, mas nada veem

Melodias são feitas
Sambas são cantados
Marcas aparecem
E envelhecem

E o tempo não dá espaço
Apenas escoa
Voa
E não volta mais.
 
Tempo

Sobrevivência

 
Cada segundo que se passou – ainda que por mim não percebido,
De uma certa forma registrou-se por dentro,
E os passos dados em retorno,
Apenas desenharam a minha frustração e arrependimento.

Não prometeste vir em nenhum momento,
Sequer deste um aceno para iludir os meus sentidos – ou me enganar,
Mas no fundo sempre soube que jamais retornarias,
E não te culpo por isso – tampouco a mim mesma.

Dentro de casa as chamas das lamparinas estavam diminutas,
Iluminando somente o caminho para o quarto,
Única opção neste momento, para que o esquecimento pudesse ser sufocado,
Mesmo que eu soubesse que o dia raiaria, sem que o sono me dominasse.

Fechei a porta, tirei meu casaco e joguei-me na cadeira ao lado,
(Ela estava pronta para receber o peso que me caía pelos ombros),
E por mais uma vez percebi que nada do que eu fizesse,
Mudaria o inexorável destino, que há tempos sinalizava o que eu sabia.

O dia raiou belo e esplendoroso
O sol iluminava o meu aposento.

Peguei o mesmo casaco,
E coloquei no bolso mais uma esperança,
De que eu sobreviveria a mais um dia,
Como tinha sido todos os outros.

Saí, sem pressa.
Sem afobação.
Sem o café.
Sem o pão.
Tendo apenas a única certeza de que nunca mais retornaria,
Para dentro de mim.
 
Sobrevivência

Mas afinal...

 
Tapava os ouvidos, porque ainda que não quisesse escutar,
O vento rodopiava nos tímpanos,
O apito do trem não cessava,
E o medo invadia...trazendo a possibilidade de uma loucura próxima.

Mas afinal, tens medo do que?
A brevidade é um doce macio,
E a vida, como o estalar de um dedo.

Não segures o vento,
Ele escapa por toda fresta que encontra.
Não retenhas as águas,
Elas fluem sarcasticamente e te enganam,
Mal surge a próxima curva do rio.

Retire as mãos dos ouvidos,
Esqueças o português bem construído,
Jogue fora os diplomas e as diplomacias.

Porque, afinal, teu medo nada significa,
A não ser a tua própria debilidade,
Que insiste em roubar a tua pouca sanidade...
 
Mas afinal...

Premonição

 
Os caminhos são sempre os mesmos...de dor em dor, a paisagem de mim, não muda...nunca...

O por do sol já não me traz aquela beleza antiga, as ruas não tem nome, ainda que as setas apontem o destino...da fuga de mim e das paredes com as quais meu corpo não quer se defrontar..

Estraçalhada está a imagem que me aplaca por dentro...com nuvens de poeira que se perdem de vista...essa crueldade e punição que me cerca a existência...

Com a chuva é assim também...prenuncia dentro de mim mais uma tempestade, na qual me abrigo diante das gotas gélidas que caem sobre minha face e, por ser ácida, corrói cada membrana que recobre o meu corpo...

Por onde eu vá a idealização continua seca....assim sempre foi...apenas a visão anterior estava turva...me enganando que as coisas seriam bem maiores e melhores...

Essa foi a minha maior covardia...falar sem ser ouvida...o meu único gesto onde me agarrei com tanta força e quando tudo veio abaixo, desabando pontes e muros interminavelmente, os papéis deixaram de cumprir a missão exata...

Ahhh...hoje só tenho folhas brancas e um nojo nauseante, cujos olhos não suportam uma letra sequer...uma única palavra...despi-me de tantas e outras considerações...insuportável me são os livros, páginas escritas e o tal orgulho derramou-se apenas em uma grande fragilidade que me vai por dentro...

Carreguei títulos esdrúxulos, desonestos, para que hoje, nem sequer seja possível se ter noção do quanto e por quanto tempo será a sobrevivência...

Tornei-me um escombro de mim...construções velhas...bombas destruidoras...a cada respiro sinto que é o último...e me questiono até quando a divindade existente entre o céu e a Terra terá misericórdia de quem apenas quer estar curado de lembranças e cenas que não querem se apagar...nem sequer ligo o drama, e lá está ele...inexorável, mudo, enlouquecedor como os rodopios de Dom Quixote, contra os seus moinhos de ventos inexistentes...

“A tudo lhe será devolvido no momento exato”...uma verdade ilusória...ter um coração contrito e crédulo nada garante...(e a mim nada garantiu – mas a visão pode ser quiçá mudada)...a não ser essa sensação de beirar uma loucura que nunca pensei em presenciar...e cujos grilhões me amarram a desvios e dislexias que bailam...

Mas, cerca-me um orgulho tamanho, que torna o meu conceito sobre mim, algo especial...capaz de retirar sorrisos dos meu lábios...

De alguma forma foi o início do fim...e em todas as releituras que faço, detecto que já dizia de forma assombrosa, tudo, sem ao menos perceber...

Era premonição....onde as ruas não tem nome....

(Baseado na música “Where the Streets have no name” – U2).
 
Premonição

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