Poemas, frases e mensagens de KauanLu

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de KauanLu

Me elogiaram de imbecil.

Meu distinto amigo cético

 
Não joguem os meus ossos fora
eles não carregam pecados
o compromisso é da alma
permitem algo meu sob cuidado
não importo pelo caixão
se é madeira por madeira
sou hábil com o violão
pois carrega minha cegueira
composta pelas mesmas mãos
que busca todas vibrações
do grave calmo e notório
até o brilho do agudo

sou o meu próprio inimigo
 
Meu distinto amigo cético

Gabriela

 
Não recordo da sua voz,
nem mesmo dos lábios
que beijei por milésimos.
Fotos certificam sua beleza,
a mesma que presenciei
em relances de festas.

Com toda essa miséria,
quando penso no seu nome,
é como se tivesse violinos
começando a serem tocados,
mas a orquestra nunca acompanha
essa única nota.

Mesmo assim, escutar seu nome,
é a minha música favorita.

Mais de duas décadas e meia
de ceticismo
eu acredito que você foi (é)
minha alma gêmea.

Espero que ela nunca leia essa tentativa de poema.
 
Gabriela

Termina com a Mediocridade

 
Começa pela cabeça,
mas quem mais sente: o peito.
Antes que me aborreça,
porque me deixa aflito,
como que pode o membro
tão próximo um do outro
criar uma sensação
de distância?
Bom, voltando ao poema:
Começa pela cabeça.
Sou levado para épocas
onde a vida começa,
onde se cria memórias,
algumas, talvez, vividas,
outras, talvez, criadas.
Tudo isso acontece
com uma mania besta.
Deitado em uma vida
morta, sem luz e largada.
Eu queria ser alguém!
Hoje, com os olhos fechados,
quero ser além de nada.
 
Termina com a Mediocridade

Triste Ano Velho

 
Estou abaixo do desprezo,
o suor do perpétuo preso…
O retrato da imundice.
Sim! Sou uma pobre semente
que fez o povo vomitar
um sangue longe do vermelho.

Então andarei pelas ruas
com o peito apontado ao chão,
sem poder ver que, ao redor,
estará várias pessoas
com olhos esbugalhados
apontando para mim...

Estou na contramão dos coerentes...
Perdi a ida dos sumidos...
 
Triste Ano Velho

Semáforo Amarelo

 
Se eu herdar pecado
de cada bituca de cigarro
jogado pelo meu pai
pela janela do carro
quem me dera ter nascido gato
7 vidas teriam pago
 
Semáforo Amarelo

O jantar e o fim da vida

 
Em sua frente, na sala, havia banquinhos perto das pernas.
O da direita exala vapor vindo de um prato de comida,
Contendo em certa quantia: feijão, arroz, carne de panela e farinhas.
O da esquerda carrega pote de salada com cada ingrediente feito pela sua amada.
O sofá acompanha ele e os netos, que já comeram, pois comiam sem companhia.
E ali, ninguém sabia, somente Deus, que aquele pobre homem esqueceria,
Não só de comer, sua esposa, netos, mas também da filha,
Dentro do trem às 16:00 voltando de um trabalhoso dia.

E o fim chegou,
Pelado com desconhecidos,
Sofrendo sentado,
Esquecendo,
Movimentos
sorrisos
sonhos
dasafi…

Um ato de amor:
Chamam seu nome,
Mas nunca
Foi

marido
pai
filh…
 
O jantar e o fim da vida

Acho que vai chover, hein?

 
Ao céu empoeirado que instiga o meu ser
Abrange os olhos com o resplendor das nuvens
Trêmula os ouvidos com a chegada dos trovões
Obrigado, a alma se contenta
Não há culpa entre paredes frias
A porta encostada refere-se a proteção e não a covardia
A cama de cores diversas está vermelha
Não pela cor, mas sim pelo amparo
Quando você se for, terei o sol ao meu favor
A radiante saturação dará vida ao meu redor
Os passarinhos cantarão o que tem de melhor
E mais uma vez direi: obrigado, céu empoeirado
Pois trato o oposto como se tivesse o ganhado
Simplesmente abrindo a janela
 
Acho que vai chover, hein?

Dê ao pano de prato uma família

 
Que toda fé, coisa, alguém
— ou destino!
Não me faça lavar louça
suja somente por mim.
Ter preparado a janta
para uma boca só.
Comida que escolhi
sobre a fome que tive.
O tempo sozinho me deu
tudo isso!

Se acaso aconteça,
guardar prato no armário,
seria uma tristeza.
 
Dê ao pano de prato uma família

O Gosto do Dia

 
Dedos dobrados como duas garras,
Eu, vejo elas se aproximarem
Até os lábios com duas serras.

Os vastos resíduos, que aderem
À minha boca o gosto do dia,
Se misturam, onde estiverem.

Neste ato cheio de pura ânsia,
Minha bolsa de carne é ferida,
Uma consequência da teimosia.

E com uma inocente mordida,
Engoli a sujeira da cachorra,
O sebo da espinha espremida,
Coliformes fecais da minha tela,
Suor seco da mão comprometida,
As comidas que ficaram no ralo,
Catarro retirado da narina,
O sangue e pus de uma ferida…

Bem, eu deveria ter escutado
Um simples aviso da minha mãe:
“Psiu! Tira a mão da boca, menino!”
 
O Gosto do Dia

Vontades

 
As coisas comuns não me animam.

Não quero casa, ela nunca será minha. Não quero a vontade de ter filho, quero a certeza que posso ser pai e isso não tem nada a ver com espermatozóide e óvulo. Não quero casar por conta do sexo, nunca escutei dele na lista de saudades de uma viúva. Quero amizades em que a fala séria é escutada, que a brincadeira acaba em risada. Sem vergonha nenhuma de mostrar a criança guardada, sem vergonha nenhuma de expor o adulto rancoroso.

Talvez eu queria viver em uma época que nunca existiu.
 
Vontades

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