Poemas, frases e mensagens de RaphaelVilela

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de RaphaelVilela

O tempo e a trilha

 
Minhas verdades:
Estátuas de areia sob o vento.
Sou sempre “outro”
À minha alegria
Ou sofrimento…

A vida é chuva que se faz
Gota a gota
Momento a momento.
Que nunca volta atrás
Ao meu remorso
Ou contentamento.

E assim,
Nessa vida
Escrita sob as linhas da imprevisibilidade,
Tudo que nos resta de verdade
É fazer escolhas.
E apesar das dúvidas e fracassos,
Sempre é preciso dar os passos
Nesse nosso caminhar irremediavelmente humano!
 
O tempo e a trilha

Metafísica

 
Minha conexão é mosaica
Como tudo.
A coerência está para mim como as moscas estão para a carne podre
Estando ela
E somente ela
Dentro de um pote tampado!

Bonita regra de três!
Mais bonita ainda é a declaração do poeta insano
Que sob a luz do dia inventa versos sobre a noite
E grita sozinho sua " obra prima " impregnada de subjetividade
Pra esse mundo cheio de concreto, imediatismo, custos e benefícios!

Não sei o que me acontece...
Talvez, tudo seja distante, como cinzas ao vento...
Talvez, as coisas todas não tenham mais sentido do que o mugido de uma vaca pra um cachorro sem dono andando no meio do mato sabe-se lá pra onde e sabe-se lá o porquê

Eu sou um miserável especulador...
Não sei de fato nada!
E quem sabe, no meio dessa gente cheia de "verdades"
(que se deixasse, me mandariam pra um hospício ou algo como uma ´´escolinha´´)
Eu não seja senão um``perdido´´ no meio de umas mala de ´´achados´´!
Sim!
E são tão felizes, essas criaturinhas!
Nesse mundo cheio de sofrimento, desequilíbrio e injustiça
Aqui estão!
Todos com sorrisos nas fotos!
Viva a “alegria”! Viva!
Só eu que, quase sempre, estou digamos...
Que “mais ou menos”

Estou cansado de me convencer de qualquer coisa
Historinhas que conto para mim mesmo não merecem agora outra coisa senão o desprezo!
Porque todas elas são empesteadas de um eu que se diz ser ou pensa ser “UNO”
Mas acordo:
Sou o desânimo
Almoço:
Sou o cansaço
Me deito e sou talvez o mundo inteiro e mais esses versos insones!
E toda uma gama de julgamentos cujas sentenças são tão inúteis como uma boneca de pano
Meia queimada
Indo em linha reta no espaço sideral

Solto um riso ao terminar esse "textinho"
Faço isso sob o " encanto pós-parto"
Que todos os artistas conhecem…
Será que ela tem qualidade? Será?
Pouco importa!
Pra mim, já devia ter passado a muito a época de se mostrar somente o que é "bonitinho"
Aqui a palavra é livre e solta
Como uma ave ou um pensamento de uma criança!
E que bom que, pelo menos nessa folha tatuada com linhas paralelas, pode ser assim!

( inspirado em Tabacaria, de Fernando Pessoa)

Inspirado em Fernando Pessoa, poesia " Tabacaria"
 
Metafísica

As linhas e eu

 
Devo conversar com meu diário
Agora que estou sozinho...
O lápis descansa em grafite na folha
o que minha alma talvez por hábito
insiste sempre levar no peito
algo como uma cicatriz que ainda diz:
"não há nada aqui"

É...
Os segundos passam,
e a inquietação é trapaça:
minha distração para não lembrar
que não sei dizer adeus a esse "nada"
que me dá vontade de simplesmente sumir como fumaça!
Sair do peso desse corpo que me arrasta!
Sair do caos que a todo tempo, o tempo rasga
e assim me perco no passado, presente, futuro...
É duro, mas "não há nada"...
E também não há nada que justifique
eu sentir esse “nada” tão forte assim!

As estrelas calmas tranquilas…
O som do ventilador e o calor ameno…
Meu olhar distante, o cansaço
que não se traduz em sonolência
Nada. Não há nada.
Só há esse "nada" que por nada para de me assombrar!
 
As linhas e eu

Fritação (inspirado em Fernando Pessoa)

 
Eu tava lá na fila da padaria né
Daí me dei conta de que além de um rapaz num fim de tarde
De pé, depois do trampo
Esperando pra pegar uns pão,
Também sou um poeta voador inato santo louco!
Caí do céu que ninguém sabe se acredita!
E venho para vos dar o testemunho duvidoso...
De que o infinito está a cada passada:
Um passo e um mundo imenso e desconhecido se abre
Enquanto outro se desfaz e se refaz apenas em lembranças!
E somos, é claro, um amontoado de verdades personalizadas!

Daí, já com meu alimento na mão, saio da padoca
E passo despercebido e avoado na multidão perdida!
Dou meus passos desengonçados numa agitação inútil!
Chego em casa, abro a porta e sento
Estou tentando terminar esses versos…
Não sei mais o que escrever..
Ah!
Daí jogo tudo isso pro espaço !
Olho bem pra essa parte do meu caos vomitada num caderno de mão numa mesa bagunçada ...
Pouco me importa!
Abro a porta, me viro
E digo “Tchau!” pra ninguém
Pro vento...
E saio com passos rápidos rumo a qualquer lugar, por causa de uma coisa qualquer...

inspirado em Fernando Pessoa = Álvaro de Campos
 
Fritação (inspirado em Fernando Pessoa)

Café com versos

 
Estamos falando de café com versos...
Mas qual gosto teria se fosse
Versos com café?

Tem gente que se inspira na alegria
Gente que se inspira em seu inverso
Dentro de um: mil gentes
E é assim que a gente é!

uma homenagem (e também uma resposta ao desafio proposto) pelo podcast https://www.luso-poemas.net/modules/sm ... om_order=0#comment1292283
 
Café com versos

E é assim.

 
Algo como um nada
No qual o mundo se sustenta.
Sonhos congelados
Sob o altar da ausência.

Dias como estradas cinzas
Percorridas sem descanso.
Noites invadidas por fragmentos.
O tempo ante as feridas se rasgando.

Pessoas nos corredores e nas ruas...
Meus sorrisos por detrás da hemorragia.
Tendo como abrigo a sombra e a lua,
Escrevo aqui o que antes sangraria.

Guardo no corpo as marcas do vazio,
Que hoje ao invés de morte,
Em vida se manifesta.
E mesmo com a dor física
E o cansaço que me testa,
Sigo regando uma flor
Que a esperança, a esse mundo
Vocifera!
 
E é assim.

Simples notas

 
Minha poesia insana
sana essa alma-chama
que se funde ao mundo
e declama
as vozes dos muitos e muitos
que não sobreviveram...

Sobrevivente.
É como se entende
meu eu que estende
as mãos a ilusões,
mendigando algumas malditas moedas de prata,
como as das mãos de Judas,
lá presentes, tão somente
por trair o que lhe era mais sagrado…
Talvez, me esqueci do que é sagrado...
Talvez, depois de tanto ter sangrado
cansei de botar fé em qualquer coisa
que não seja
anestesia...
E essa poesia é criatura
da chama imatura
que ao invés de viver,
sobrevive,
ainda hoje.

Cansei de contar os mundos
que desabaram em segundos
e lá no fundo ainda sinto,
profundo,
que sou um eterno
"quebrar-se em pedaços";
a cada passo:
os destroços,
o asco,
quando eu realmente acreditava
que era alguma luz…
 
Simples notas

Ao passar dos anos

 
Meu rio se estende entre as montanhas
Flui rápido na planície até a floresta
A vida não é algo que se entende
Da superfície às profundezas
Ela termina e começa

E os acidentes da terra são transpassados
Por minha alma desapegada e viajeira
Hoje sou o que ontem não era
Se me turvo de mágoa
Deságuo em chuva costeira

E quando estiver perto do fim
Espero que meu espírito aventureiro
Tenha deixado, em seu rastro, enfim
A beleza das flores sob o pastoreio
 
Ao passar dos anos

Relatório do psicologo hospitalar

 
RELATÓRIO DO PSICÓLOGO HOSPITALAR
Hospital San Faraônico, 38 de março de 2021, IAGO, Psicólogo Hospitalar
O cara chega no hospital
Chama o socorrista de Iogo"
Depois transfere esse personagem para mim
(quem será "Iogo " ? Seria o pai ou um amigo?)
Daí fala que é um General né
Que está trabalhando na unificação da Grande Iugoslávia
(os pais dele são divorciados?)
(Europa né... será que ele tava jogando War e usando droga com os amigos antes de vir parar aqui?)
- Isso (aponto para o paciente) só pode ser resultado de intoxicação por metais pesados
Digo pra enfermeira ao meu lado
Pergunto a ele:
- Mister X, você lembra de ter quebrado aquelas fita cassete das antiga? De ter fervido água com isso e tomado?
Sem obter resposta, me direciono a enfermeira:
- Talvez isso (aponto para o paciente novamente) seja consequência de alguma infecção no cérebro né? Deve ser na membrana aracnoide, é por isso que ele fala tanto de aranha: é o inconsciente dele querendo avisar que tem os invasor se escondendo nas paredes...

IAGO
IAGO!
ACORDA!
VOCE SABE ONDE VOCE ESTÁ?
"quem que tá falando?"
IAGO, MEU NOME É HENRIQUE, EU SOU MEDICO NÓS ESTAMOS NO HOSPITAL
"de onde vem essa voz?"
IAGO, TÁ ME OUVINDO? VOCÊ NAO É PSICOLOGO, EU NAO SOU UM PACIENTE
"para de azucrinagem seu porra!"
IAGO, VOCE VAI SENTIR UMA PEQUENA PICADA TA? DAI DEPOIS VOCE VAI DORMIR E A GENTE VAI CUIDAR DE VOCÊ...
" tô dormindo "
Tô dormindo...
Tô rindo deles
Hahhahaha
Para com isso cara!
Já está na hora das minhas vitaminas?
Se eu não tomar não vai ter sessão pipoca né...
Tá bom... pode me dar essas "balinha ai" …
 
Relatório do psicologo hospitalar

Desejo simplicidade

 
Vou pedir para o tempo me ensinar
Como ter simplicidade no peito
De todos os desejos que me empenho em sanar
O maior é viver sentindo-me completo

Ser sempre grato pela vida que se dá
Sob os braços desse imenso sol
Que me cumprimenta toda manhã
Estar presente para o dia vivenciar
Com todas suas dores e belezas
Tendo calma na alma, mantendo a mente sã

É que minha alma tem lá suas necessidades
E não são, muitas vezes,
O que “acho que preciso”
Talvez, com essa tal simplicidade
Eu valorize o que importa de verdade
E faça mais vivo e mais frequente
O meu sorriso!
 
Desejo simplicidade

O que há?

 
E as coisas seguem pesadas.
A incompletude me acompanha
Nesse mundo confuso...
Como me costuro?
As partes que procuro
Se dissolvem na rotina...

E os segundos transcorrem
Indiferentes.

E a resposta que busco
Perde a pergunta.

E a noite chega melancólica
Novamente.

Aonde há de se ter um abrigo?
Do que é a falta que tenho sentido?
Sinto que tudo que faço
É só eu me distraindo...
Não quero lembrar
Desse lento naufragar
Nesse mar de nada
Que minha alma inquietada
Cansada, perdida
Segue sempre a velejar...
 
O que há?

A carta

 
Você caminha
Apesar das cicatrizes
Que carrega

E na retina
Leva as matrizes
Da primavera

Um sempre nascer de novo.

Com no coração,
Um forte fogo
A impulsionar a vida.

Sempre segue adiante
Apesar do medo
Da ferida.

Com passos inconstantes,
Constrói o enredo
Em que acredita.

E quanto aos julgamentos
Que o mundo idolatra e atira,
Que seus sentimentos
Estejam sempre no que aspiras.
Porque esse mundo
Foi se esquecendo aos poucos
Que haja o que houver:
Os sonhos são imunes ao fogo!
 
A carta

PULSOS

 
Há algo na minha alma
Que tudo devora e tudo vomita
Minha alma...
Tem nas veias um sangue que grita!

É vida...
mas não vive.
É o pensar...
sem o existir.
Redime... nenhum pecado.
Não sonha...
Só anda...
E nada significa nada!

O tempo passa
mas já não faz diferença…
O sol, tanto faz se esquenta ou queima!
Só há esse algo que existe!
Só há esse algo que me toca!
Esse pulsar...
Esses pulsos...
 
PULSOS

O padrão

 
Devo estar perdido…
Não sei nadar com a onda
Não funciono como a vida funciona
Então devo estar perdido…
Dizem que sou problemático
Que não me enquadro no esquema esquemático
Eles dizem que sou um perdido…
Mas não estamos todos vagando na neblina?
Ou alguém sabe o sentido da vida?

E caminho sempre com a incerteza
Mas sigo caminhando,
não importa o que aconteça!
Entre gente cheia de certeza,
sigo meio confuso,
mas com as cartas na mesa!

Sou autista. Escrevi essa poesia semanas antes de sair o resultado do teste.
 
O padrão

DESCANSO

 
Que a dor seja o abrigo
que me falta,
E que nela eu descanse
da ausência.
Já que talvez só haja
ela em minha alma,
Que seja algo além
de impermanência.
 
DESCANSO

Melancolia

 
Como folha de outono
Solta ao vento,
Levo comigo
Uma saudade indefinida

Por entre os segundos;
Frações de momento;
Transcorre no silêncio,
A ferida

Feito um fim de tarde,
Sou metade-metade
Com a outra parte,
Tendo feito partida

E talvez eu sinta, no fundo,
Que a melancolia também seja casa.
Talvez meu normal seja o absurdo.
Quem sabe isso tudo um dia passa...
 
Melancolia

Melancolia

 
Quantos dias se passaram como esse?
Como é fria essa tristeza que me desce...
Desde sempre já sofria; e o sofrimento
Não enaltece;
É uma dor em que meu espírito descansa
E se reconhece...
 
Melancolia

Achei-me

 
Sem mais estranhar
eternamente pisar
em solo estrangeiro,
Minha alma enfrenta o mundo ao recitar
poesia do mar
em meio ao fogo e bombardeio!

E imito o oceano
O horizonte infinito
Reflito e ponho-o
Quase como um sonho
No alcance do solo
Sou espelho de mar

E o céu que parecia longe
Agora se faz aqui aonde
Pelos meus planos sinceros
Me ponho a lutar!
 
Achei-me

A flor

 
Em meio ao caos da minha existência
Plantei tímida semente de esperança
Que germinou... como flor-de-lótus
Entre o desespero e más lembranças…

Na lama do remorso e da angústia
A flor cresce sem descanso
Sua energia me renova quando canso
Com sua essência cheia de vida

A esperança é luz de estrela cadente
Antes que a densa noite terminasse
É coração estilhaçado a seguir em frente
Primavera sem que o inverno acabasse

Que flor mais bonita é a esperança !
Sua beleza se mostra a cada manhã
Me faz lembrar que estou vivo
Que mesmo depois de tudo,
Tenho o hoje, e o amadurecer
Um sempre novo amanhã!

inspirado na flor-de-lótus, escrito em um dos momentos mais difíceis da minha vida
 
A flor

Tristeza de sábado

 
Vomitar cicatrizes não as curam...
Mas guardar as matrizes nas quais
minha existência se fez
É como me silenciar, de novo
Outra vez…

Mais uma vontade
de um copo de vinho...
Mais uma metade de mim
que não sinto…
Vazio.
É como se estivesse sempre exaurido...
Na pele,
Um arrepio.
Na face,
Nenhum sorriso.
Às vezes até rio com as ilusões que crio...
Às vezes as escrevo;
outras, só fantasio
Não sei se sou cativo ou criativo
por me distrair constantemente
com imaginadas outras vidas...
E a minha,
Não vivo...

Carrego comigo a dor dos “não vistos”...
Desse mundo,
“os deslocados“...
"os assustadores"...
"os esquisitos"...
Faço dos livros e versos
meus amigos
Por estar cansado de me frustrar
com esse mundo maldito…
 
Tristeza de sábado

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