O tempo e a trilha
Minhas verdades:
Estátuas de areia sob o vento.
Sou sempre “outro”
À minha alegria
Ou sofrimento…
A vida é chuva que se faz
Gota a gota
Momento a momento.
Que nunca volta atrás
Ao meu remorso
Ou contentamento.
E assim,
Nessa vida
Escrita sob as linhas da imprevisibilidade,
Tudo que nos resta de verdade
É fazer escolhas.
E apesar das dúvidas e fracassos,
Sempre é preciso dar os passos
Nesse nosso caminhar irremediavelmente humano!
Metafísica
Minha conexão é mosaica
Como tudo.
A coerência está para mim como as moscas estão para a carne podre
Estando ela
E somente ela
Dentro de um pote tampado!
Bonita regra de três!
Mais bonita ainda é a declaração do poeta insano
Que sob a luz do dia inventa versos sobre a noite
E grita sozinho sua " obra prima " impregnada de subjetividade
Pra esse mundo cheio de concreto, imediatismo, custos e benefícios!
Não sei o que me acontece...
Talvez, tudo seja distante, como cinzas ao vento...
Talvez, as coisas todas não tenham mais sentido do que o mugido de uma vaca pra um cachorro sem dono andando no meio do mato sabe-se lá pra onde e sabe-se lá o porquê
Eu sou um miserável especulador...
Não sei de fato nada!
E quem sabe, no meio dessa gente cheia de "verdades"
(que se deixasse, me mandariam pra um hospício ou algo como uma ´´escolinha´´)
Eu não seja senão um``perdido´´ no meio de umas mala de ´´achados´´!
Sim!
E são tão felizes, essas criaturinhas!
Nesse mundo cheio de sofrimento, desequilíbrio e injustiça
Aqui estão!
Todos com sorrisos nas fotos!
Viva a “alegria”! Viva!
Só eu que, quase sempre, estou digamos...
Que “mais ou menos”
Estou cansado de me convencer de qualquer coisa
Historinhas que conto para mim mesmo não merecem agora outra coisa senão o desprezo!
Porque todas elas são empesteadas de um eu que se diz ser ou pensa ser “UNO”
Mas acordo:
Sou o desânimo
Almoço:
Sou o cansaço
Me deito e sou talvez o mundo inteiro e mais esses versos insones!
E toda uma gama de julgamentos cujas sentenças são tão inúteis como uma boneca de pano
Meia queimada
Indo em linha reta no espaço sideral
Solto um riso ao terminar esse "textinho"
Faço isso sob o " encanto pós-parto"
Que todos os artistas conhecem…
Será que ela tem qualidade? Será?
Pouco importa!
Pra mim, já devia ter passado a muito a época de se mostrar somente o que é "bonitinho"
Aqui a palavra é livre e solta
Como uma ave ou um pensamento de uma criança!
E que bom que, pelo menos nessa folha tatuada com linhas paralelas, pode ser assim!
( inspirado em Tabacaria, de Fernando Pessoa)
Inspirado em Fernando Pessoa, poesia " Tabacaria"
As linhas e eu
Devo conversar com meu diário
Agora que estou sozinho...
O lápis descansa em grafite na folha
o que minha alma talvez por hábito
insiste sempre levar no peito
algo como uma cicatriz que ainda diz:
"não há nada aqui"
É...
Os segundos passam,
e a inquietação é trapaça:
minha distração para não lembrar
que não sei dizer adeus a esse "nada"
que me dá vontade de simplesmente sumir como fumaça!
Sair do peso desse corpo que me arrasta!
Sair do caos que a todo tempo, o tempo rasga
e assim me perco no passado, presente, futuro...
É duro, mas "não há nada"...
E também não há nada que justifique
eu sentir esse “nada” tão forte assim!
As estrelas calmas tranquilas…
O som do ventilador e o calor ameno…
Meu olhar distante, o cansaço
que não se traduz em sonolência
Nada. Não há nada.
Só há esse "nada" que por nada para de me assombrar!
Fritação (inspirado em Fernando Pessoa)
Eu tava lá na fila da padaria né
Daí me dei conta de que além de um rapaz num fim de tarde
De pé, depois do trampo
Esperando pra pegar uns pão,
Também sou um poeta voador inato santo louco!
Caí do céu que ninguém sabe se acredita!
E venho para vos dar o testemunho duvidoso...
De que o infinito está a cada passada:
Um passo e um mundo imenso e desconhecido se abre
Enquanto outro se desfaz e se refaz apenas em lembranças!
E somos, é claro, um amontoado de verdades personalizadas!
Daí, já com meu alimento na mão, saio da padoca
E passo despercebido e avoado na multidão perdida!
Dou meus passos desengonçados numa agitação inútil!
Chego em casa, abro a porta e sento
Estou tentando terminar esses versos…
Não sei mais o que escrever..
Ah!
Daí jogo tudo isso pro espaço !
Olho bem pra essa parte do meu caos vomitada num caderno de mão numa mesa bagunçada ...
Pouco me importa!
Abro a porta, me viro
E digo “Tchau!” pra ninguém
Pro vento...
E saio com passos rápidos rumo a qualquer lugar, por causa de uma coisa qualquer...
inspirado em Fernando Pessoa = Álvaro de Campos
Café com versos
Estamos falando de café com versos...
Mas qual gosto teria se fosse
Versos com café?
Tem gente que se inspira na alegria
Gente que se inspira em seu inverso
Dentro de um: mil gentes
E é assim que a gente é!
uma homenagem (e também uma resposta ao desafio proposto) pelo podcast https://www.luso-poemas.net/modules/sm ... om_order=0#comment1292283
E é assim.
Algo como um nada
No qual o mundo se sustenta.
Sonhos congelados
Sob o altar da ausência.
Dias como estradas cinzas
Percorridas sem descanso.
Noites invadidas por fragmentos.
O tempo ante as feridas se rasgando.
Pessoas nos corredores e nas ruas...
Meus sorrisos por detrás da hemorragia.
Tendo como abrigo a sombra e a lua,
Escrevo aqui o que antes sangraria.
Guardo no corpo as marcas do vazio,
Que hoje ao invés de morte,
Em vida se manifesta.
E mesmo com a dor física
E o cansaço que me testa,
Sigo regando uma flor
Que a esperança, a esse mundo
Vocifera!
Simples notas
Minha poesia insana
sana essa alma-chama
que se funde ao mundo
e declama
as vozes dos muitos e muitos
que não sobreviveram...
Sobrevivente.
É como se entende
meu eu que estende
as mãos a ilusões,
mendigando algumas malditas moedas de prata,
como as das mãos de Judas,
lá presentes, tão somente
por trair o que lhe era mais sagrado…
Talvez, me esqueci do que é sagrado...
Talvez, depois de tanto ter sangrado
cansei de botar fé em qualquer coisa
que não seja
anestesia...
E essa poesia é criatura
da chama imatura
que ao invés de viver,
sobrevive,
ainda hoje.
Cansei de contar os mundos
que desabaram em segundos
e lá no fundo ainda sinto,
profundo,
que sou um eterno
"quebrar-se em pedaços";
a cada passo:
os destroços,
o asco,
quando eu realmente acreditava
que era alguma luz…
Ao passar dos anos
Meu rio se estende entre as montanhas
Flui rápido na planície até a floresta
A vida não é algo que se entende
Da superfície às profundezas
Ela termina e começa
E os acidentes da terra são transpassados
Por minha alma desapegada e viajeira
Hoje sou o que ontem não era
Se me turvo de mágoa
Deságuo em chuva costeira
E quando estiver perto do fim
Espero que meu espírito aventureiro
Tenha deixado, em seu rastro, enfim
A beleza das flores sob o pastoreio
Relatório do psicologo hospitalar
RELATÓRIO DO PSICÓLOGO HOSPITALAR
Hospital San Faraônico, 38 de março de 2021, IAGO, Psicólogo Hospitalar
O cara chega no hospital
Chama o socorrista de Iogo"
Depois transfere esse personagem para mim
(quem será "Iogo " ? Seria o pai ou um amigo?)
Daí fala que é um General né
Que está trabalhando na unificação da Grande Iugoslávia
(os pais dele são divorciados?)
(Europa né... será que ele tava jogando War e usando droga com os amigos antes de vir parar aqui?)
- Isso (aponto para o paciente) só pode ser resultado de intoxicação por metais pesados
Digo pra enfermeira ao meu lado
Pergunto a ele:
- Mister X, você lembra de ter quebrado aquelas fita cassete das antiga? De ter fervido água com isso e tomado?
Sem obter resposta, me direciono a enfermeira:
- Talvez isso (aponto para o paciente novamente) seja consequência de alguma infecção no cérebro né? Deve ser na membrana aracnoide, é por isso que ele fala tanto de aranha: é o inconsciente dele querendo avisar que tem os invasor se escondendo nas paredes...
IAGO
IAGO!
ACORDA!
VOCE SABE ONDE VOCE ESTÁ?
"quem que tá falando?"
IAGO, MEU NOME É HENRIQUE, EU SOU MEDICO NÓS ESTAMOS NO HOSPITAL
"de onde vem essa voz?"
IAGO, TÁ ME OUVINDO? VOCÊ NAO É PSICOLOGO, EU NAO SOU UM PACIENTE
"para de azucrinagem seu porra!"
IAGO, VOCE VAI SENTIR UMA PEQUENA PICADA TA? DAI DEPOIS VOCE VAI DORMIR E A GENTE VAI CUIDAR DE VOCÊ...
" tô dormindo "
Tô dormindo...
Tô rindo deles
Hahhahaha
Para com isso cara!
Já está na hora das minhas vitaminas?
Se eu não tomar não vai ter sessão pipoca né...
Tá bom... pode me dar essas "balinha ai" …
Desejo simplicidade
Vou pedir para o tempo me ensinar
Como ter simplicidade no peito
De todos os desejos que me empenho em sanar
O maior é viver sentindo-me completo
Ser sempre grato pela vida que se dá
Sob os braços desse imenso sol
Que me cumprimenta toda manhã
Estar presente para o dia vivenciar
Com todas suas dores e belezas
Tendo calma na alma, mantendo a mente sã
É que minha alma tem lá suas necessidades
E não são, muitas vezes,
O que “acho que preciso”
Talvez, com essa tal simplicidade
Eu valorize o que importa de verdade
E faça mais vivo e mais frequente
O meu sorriso!