Eu Sou Mulher
EU SOU MULHER
“Ele compara para ferir.”
Mas eu não me deixo quebrar.
Sou feita de dor e força,
de queda e de recomeçar.
“Me deixa no chão — como se eu não valesse.”
Mas do chão eu criei asas.
Não sou falta, nem resto —
sou presença que não disfarça.
“Mulher inteira.”
É o que sou, sem precisar me calar.
Com alma que sente,
com voz que escolhe lutar.
Eu sou mulher —
não para caber em padrões,
mas para transbordar coragens
e romper comparações.
Um tributo à força silenciosa que habita em cada mulher: aquela que cai, levanta, e segue — mesmo quando ninguém vê.
Permitir
Permitir
Permiti que você cruzasse minha porta
sem mãos que não sabiam acolher.
Permiti que tocasse minha alma
com mãos que não sabiam acolher.
O jogo frio com os seus sentimentos
Permiti que as palavras ferissem
e o silêncio machucasse mais ainda.
Permiti, porque eu permiti tudo isso.
Apenas eu.
Naldha Alves
Escrevi este poema em um momento de reflexão sobre os limites que impomos a nós mesmos em nome do amor.
Corrente Invisível
Corrente Invisível
Estou presa a você, sem algema ou cordão,
É corrente invisível, não se pode escapar,
Me cega, me toma, me faz delirar.
É dor que atormenta, silêncio que grita,
É febre que arde, ferida bendita.
Amor que me adoece, me arrasta ao rancor,
Me enloquece aos poucos... de tanto amor.
Às vezes, o amor prende mais do que liberta. Este poema nasceu do conflito entre o desejo e a dor de sentir demais.
No fim é você vida
No fim é você
Na dor mais funda, é só você.
Na conta a pagar, só o seu nome.
Na cama do hospital, só um corpo cabe.
No fim da estrada, só um caixão.
A vida é sua, e ninguém a viverá por você.
Não se perca em doar o que lhe falta.
Não tente carregar o peso alheio
quando já basta o fardo que é seu.
Valorize o que pulsa em seu peito.
Ande com leveza, cuide de si.
Porque, quando tudo silencia,
é você quem permanece consigo.
Naldha Alves
Um poema sobre a importância de valorizar a própria vida,cuidar de si e reconhecer que, no fim é você quem permace consigo.
Cicatrizar Dói
Cicatrizar dói.
Porque antes de seguir em frente,
a gente precisa encarar o que machucou.
E ninguém fala do esforço que é
levantar todos os dias com o peito ainda em pedaços.
Todo mundo aplaude a superação…
Mas poucos suportam presenciar o processo.
É no silêncio do quarto,
entre um suspiro e outro,
que a gente entende
que ser forte não é sobre não sentir,
mas sobre continuar mesmo sentindo tudo.
Nem sempre temos escolha.
Às vezes,
é sobreviver…
ou desmoronar.
“Reflexo da dor que transforma... e da coragem que não se vê.”
Onde Não Cabe Mais Amor
Onde Não Cabe Mais Amor
Se alguém não te quiser na vida, não implore - parta.
Mas parta por inteiro:
do olhar, do coração, da lembrança.
Porque ficar onde não há espaço é ferida anunciada.
É ser ruído onde já não há mais música.
Você não nasceu para ser excesso, nem para ocupar um canto de conveniência.
Você é presença, não sobra.
É amor inteiro, não metade.
Se não houver acolhimento, vá.
Se o afeto pesar, liberte-se.
Quem te merece, não mede esforços pra te manter.
Quem te ama, não precisa que você se diminua para caber.
Quando tudo exige explicação,
quando você já não se reconhece,
é hora de ir.
Recolha sua dignidade, abrace sua essência,
calce a sua coragem...
e siga.
Siga com a leveza de quem sabe que não perde quando escolhe a si mesma.
Naldha Alves
Este poema nasceu da certeza de que ninguém deve implorar para caber na vida de alguém. É um lembrete de que o amor verdadeiro não exige diminuição, nem metade. É sobre coragem para partir quando não há espaço, e sobre escolher a si mesma como o maior ato de amor.